Profissão

Demanda do mercado é crescente. A hospitalidade é planejada e produzida por pessoas. por isso, cursos e treinamentos são essenciais

A formação profissional sempre esteve em pauta na “Hotelnews” que, em sua trajetória, tanto registrou as opiniões e demandas do mercado hoteleiro como da formação acadêmica do setor. Marca essa evolução do ensino uma interessante coincidência. Nesta ocasião em que a revista completa 50 anos, o Senac – uma das escolas mais tradicionais do País – comemora 20 anos de existência do curso superior de tecnologia em hotelaria e uma década do bacharelado na área.

Muito antes de oferecer cursos em nível superior, o Senac ministrou os operacionais. Foram criados no início da década de 1950 e formavam cozinheiro, mestre de cozinha, recepção e garçom. “Outros cursos foram criados porque o mercado começou a necessitar de profissional para gerenciar. Assim, surgiram os técnicos, bacharelados e os demais níveis do ensino”, afirma a coordenadora de desenvolvimento de cursos de hotelaria do Senac São Paulo, Márcia Harumi Miyazaki.

Sobre a evolução do ensino na área, Mariana Aldrigui, vice-presidente da Abbtur (Associação Brasileira de Bacharéis de Turismo) e professora universitária cita que as primeiras faculdades de turismo surgiram no início da década de 1970, em São Paulo (Anhembi Morumbi, Eca/USP e Ibero-Americano). Os de hotelaria foram a partir de 1978 (UCS – Universidade de Caxias do Sul – RS e Senac SP). No mesmo ano, a UCS aceitou sugestão do economista suíço Geraldo Castelli e instalou também o curso de tecnologia em hotelaria – primeiro em nível superior no País. Em 1989, o Senac começou a ministrar tecnologia em nível superior e, dez anos depois, criou o bacharelado. A partir deste ano letivo, o curso tem nova opção de formato nos campi de Águas de São Pedro e Campos do Jordão. Com a mesma carga horária do curso regular (três mil horas/aula em quatro anos), o aluno pode concluí-lo em dois anos em período integral. Em nível superior, a formação em gastronomia surgiu somente no início deste século. Ainda são poucas as escolas que ministram, entre as quais a Universidade Anhembi Morumbi, que oferece o curso de tecnologia em gastronomia e hospitalidade.

MERCADO

“A partir de 1990 houve uma grande expansão dos cursos superiores de turismo e hotelaria. No entanto, essa criação desenfreada não apresenta, obrigatoriamente, um compromisso com a qualidade. Atualmente, formam mais para o aspecto operacional do que para o gerencial. Ainda existem escolas estimulando os alunos a pensar na hotelaria de 50 anos atrás”, opina Mariana. Sobre o mercado de trabalho, ela afirma: “está em expansão, mas cada vez valorizando menos o profissional. Com a perspectiva da Copa do Mundo, certamente haverá mais postos, mas não necessariamente mais reconhecimento”.

Márcia Miyazaki é mais otimista ao dizer: “o mercado de trabalho de hotelaria apresenta uma mudança na expansão da área de atuação. Empresas de outros segmentos, como hospitais, shopping centers e condomínios residenciais, identificaram que esse profissional tem formação arraigada na hospitalidade e estão solicitando esses especialistas para atuar no contato direto com os clientes”.

Na opinião do gerente corporativo de RH da Hotéis Othon, Carlos Anastácio, o maior problema está na formação de nível médio. Afirma: “o Brasil privilegiou o ensino universitário e se esqueceu do técnico”. Ele salienta ainda que, no País, a evolução do mercado de trabalho decorre da valorização da sociedade dos serviços executados na hotelaria e gastronomia. Hoje, essas funções são percebidas como nobres. “Antigamente, quem preparava o almoço ou jantar era o cozinheiro. Hoje, é o chef de cozinha, serviço glamoroso, enfatizado na mídia, em filmes e livros”, exemplifica.

Como muitas redes hoteleiras, a Hotéis Othon realiza programa contínuo de aperfeiçoamento do pessoal. Além disso, interage com um programa de cunho social ao oferecer estágios para os alunos formados no Projeto Uerê, uma escola modelo que utiliza pedagogia própria de ensino, a Uerê-Mello, destinada a crianças e jovens carentes e com dificuldade de aprendizado. É dirigida pela fundadora e coordenadora educacional Yvonne Bezerra de Mello.

Ela afirma que o ensino ministrado é de qualidade, os alunos aprendem funções inerentes à hotelaria e são educados para o trabalho. Anualmente, a rede Othon contrata oito estagiários e muitos são efetivados devido ao bom desempenho. Mais informações, [email protected] ou fone: (21) 3881-6219.

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