Profissão: Camareira

Responsável pelo bem-estar do hóspede em seu apartamento, a camareira se ocupa da arrumação, limpeza e higienização do quarto, além de serviços e mimos especiais, como preparação para VIPs e casal em lua-de-mel. Diariamente, ela tem contato com o cliente do hotel. Assim, tem um papel fundamental como informante no setor de governança. A partir de sua observação, esse departamento pode antecipar algumas necessidades para a administração.

Essa descrição é de Maria José Dantas, presidente nacional da ABG (Associação Brasileira de Governantas e Profissionais de Hotelaria). Ela explica que a estrutura do setor de governança tem variações, conforme a categoria e o porte dos empreendimentos hoteleiros. Assim, a camareira pode se reportar ao supervisor, ao assistente ou diretamente à governanta.

Exemplificando, em Ribeirão Preto (SP), no Hotel JP, a governanta coordena o trabalho de uma equipe formada por supervisores, camareiras, auxiliares de limpeza e se reporta à gerente de hospedagem, função que também se ocupa da recepção. Além disso, tem a lavanderia que conta com encarregados e auxiliares.

A mineira Maria Aparecida da Silva Ramalho ocupa a gerência há cinco anos. Bacharel em hotelaria, ela tem inglês fluente e ressalta que isso é essencial, pois, no JP, a maioria dos hóspedes é turista de negócios. O hotel é um dos mais tradicionais do local, com padrão cinco estrelas. Com 30 anos de existência, dispõe de 157 UHs, amplo espaço de evento e área de lazer.

Nesse empreendimento, Milena Maria Nicodemo exerce a função de governanta. Cursou o bacharel de administração hoteleira. Há dez anos atua no setor e há oito meses está no JP. Ela coordena o trabalho de dois supervisores, dez camareiras que se ocupam dos 157 apartamentos. Sua rotina diária começa com a divisão de trabalho. Em princípio, cada camareira deve responder por 14 apartamentos. No entanto, devido à dinâmica do hotel, cada dia tem diferentes quantidades de UHs vagas e limpas, ocupadas ou vagas e sujas (desocupadas naquela data).

Maria Gorette de Moura Rocha é uma das camareiras. Tem segundo grau completo, 51anos e está no JP há mais de três anos. Foi treinada no próprio empreendimento. Quando indagada sobre o maior desafio de sua profissão, afirma: “gosto do que faço e isso facilita tudo. É preciso gostar do trabalho para fazer bem feito”. Sobre os hóspedes, conta: “temos um padrão de trabalho e se algum está um pouco estressado, com simpatia, nós nos aproximamos para ver se ele tem alguma necessidade. Ele reconhece a qualidade do atendimento e, geralmente, agradece”.

Maria José ressalta que “a grande maioria dos hóspedes respeita as camareiras. Nas exceções, os casos são, imediatamente, neutralizados, porque as camareiras informam as situações à chefia, que toma as providências cabíveis. A primeira atitude é retirá-la de circulação do local onde foi importunada”. Milena conta que inexiste reclamações no JP, pois antes de ser liberado para a hospedagem os apartamentos são vistoriados pelos supervisores ou por ela.

Formação

No JP, todas as camareiras foram treinadas no próprio hotel, conforme a orientação da consultoria Governança.com, coordenada por Maria José. Sobre as diferentes maneiras de formação do profissional, ela afirma que se a governanta tiver disponibilidade para ensinar e capacitar o novo profissional, ela pode optar por alguém que tenha as competências essenciais – como boa postura e comunicação -, e treinar a parte técnica da operação. Desta forma, ela não terá, rapidamente, uma pessoa pronta, mas contará com alguém moldado ao seu padrão. Se houver urgência, o departamento de RH vai selecionar alguém com experiência. Neste caso, o profissional vai aprender, apenas, os padrões e as normas da empresa, pois a técnica ele já conhece. Para os que querem entrar sem experiência, vale a pena fazer um curso de camareira.

Quanto à formação da governanta, observa-se que o mercado de trabalho dá preferência por bacharéis formados em cursos de hotelaria, disciplina que, no Centro Universitário do Senac São Paulo, na capital, intitula-se administração e operação em hospedagem e é ministrada por Maristela de Souza Goto Sugiyama. Ela explica que a disciplina abrange a governança e a recepção, com aulas teóricas e práticas, durante dois semestres do curso. Na parte da governança, o aluno adquire conhecimentos das funções operacionais.

Maristela afirma que a procura pelo bacharel de hotelaria é crescente, pois as mesmas funções, exercidas em meios de hospedagem, são requeridas em hospitais, shoppings, clubes e outros empreendimentos vinculados à hospitalidade.

Maria Jose ressalta que é um mercado bastante amplo para os profissionais que se qualificam para a função. Na governança, a maioria ainda é mulher, mas é crescente o ingresso de homens.

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