Phocuswright Conference: onde o mercado de viagens se encontra

Quando comecei a trabalhar com turismo e hotelaria, lá em Porto Alegre, costumava dizer que um dia eu iria trabalhar em São Paulo, que era onde eu achava que as coisas aconteciam, as pessoas relevantes estavam. Eu não alcançava, com as minhas referências da época, o tamanho real deste mercado e onde estavam as pessoas que tomavam as grandes decisões.

Participar da Phocuswright Conference é se sentir parte deste mercado gigante, importante, complexo e em constante evolução. Os principais executivos de empresas como Booking Holdings, Kayak, Expedia, TripAdvisor, Oyo Rooms, Google, Airbnb  e Despegar / Decolar estão no palco, mas não somente, pois também podem ser vistos pegando café ao seu lado.  

Além das marcas consolidadas, surgem todos os anos iniciativas de empresas que prometem melhorar – deixar mais inteligente, interessante e fácil – a experiência de viajar. E parte do evento é dedicado a conhecer estas empresas, estes empreendedores e estas ideias que nos dão pistas importantes do que esperar no próximo ciclo.  

Além dos resumos que publicamos no Disque9, todos os vídeos da conferência estão disponíveis  no canal de YouTube da Phocuswright. O conteúdo está acessível e cada um pode fazer suas próprias conexões, interpretações e construir seus aprendizados, mas nada se compara ao ambiente do evento. A cada ano aumenta a participação de latinoamericanos e brasileiros por lá, influenciando e sendo influenciados, discutindo, construindo novas perspectivas.

Seria impossível resumir o evento em um texto, mas compartilho parte das coisas que provocaram as minhas reflexões:

– O Google foi o grande elefante da sala. Claramente o maior intermediador de viagens do mundo, embora não se apresente assim, a empresa tem o poder de impactar as margens de outros importantes players do turismo que operam em seu ambiente com mudanças de regras de busca, além de inibir o ambiente de inovação das pequenas e criativas start ups, que acabam sendo atropeladas por eles. Se a sua marca não é forte o bastante para ser acessada diretamente (como Airbnb, por exemplo), sua empresa é intermediada pelo Google e deve ficar de olho nos próximos movimentos.

– Parte do sucesso das grandes deve-se à facilidade de compra, ao “one stop shop”. As viagens conectadas, os ambientes integrados, os superapps, os conteúdos de qualidade com informações vivas transformam a percepção e a viagem. Mas antes disto, precisamos fazer o básico – usar as informações que já temos, permitir que o cliente escolha onde e quando quer preencher todos os dados que precisamos e ter apartamentos para todas as reservas que vendemos!

– De quem é a relação com o seu cliente? Ao falar do Google intermediando à (quase) todos e da urgência de fazer alguma coisa com toda a informação que possuímos dos nossos clientes, o desafio é ser realmente o dono desta relação, oferecer benefícios reais aos seus clientes frequentes e se manter consistente na experiência.

– O hiper capitalismo pode matar seu negócio! Se o lucro (que é fundamental para a existência de qualquer empresa) é o grande e único foco, ignoramos o interesse central do negócio e das pessoas que o constituem, que não são incentivadas a serem verdadeiramente inovadoras e criativas, impossibilitando que a própria empresa seja. E quem sobrevive sem evoluir e se adaptar nos tempos de hoje?  É preciso criar ambientes que permitam o pensar diferente, o aprendizado através da prática (e do erro), o sentido para o que está sendo feito. E, como ouvimos por lá, “não é com mesas de ping pong, cerveja gelada e pistaches, mas construindo relações que permitam que as flores desabrochem”.

Além disto, há alguns anos que a América Latina conquistou espaço no palco principal do evento, levando histórias de sucesso e aprendizados. Neste ano, o CEO da Despegar foi entrevistado pela Carol  – Carolina Sass de Haro – e contou os avanços, conquistas e estratégias do último ano, mas nada me dá mais orgulho que ver a minha sócia e grande amiga mais uma vez no palco das grandes vozes do turismo mundial, sentada na mesma cadeira, assistida por muitos deles e por mim, que, lá naquele primeiro hotel em Porto Alegre, nunca poderia ter previsto este momento.

*Trícia Neves é co-fundadora e sócia-diretora da Mapie.

A Phocuswright Conference acontece todo mês de Novembro nos Estados Unidos.  A consultoria Mapie representa a Phocuswright na América Latina desde 2014.

Deixe uma resposta