Paulo Mélega: Atrio fechará o ano com 10 novos hotéis

Em ano perdido pela pandemia de Covid-19, é quase inimaginável pensar em expansão na hotelaria, que é um dos setores mais atingidos com a paralisação do turismo de lazer e corporativo. Mas este é o caso da Atrio Hotéis, que fechará 2020 com o portfólio maior e boas perspectivas para o segmento de franquias.

Segundo o diretor de Operações da Atrio, Paulo Mélega, a rede prepara mais 10 aberturas até dezembro. Além disso, o grupo estuda trazer uma nova marca da Accor que ainda não foi inaugurada no Brasil. Esta será uma maneira de estreitar ainda mais a parceria de longa data com a rede francesa.

Confira a entrevista abaixo:

Hotelnews: A Atrio é a maior franqueada da Accor no Brasil, e trabalha com as marcas Ibis Budget, Ibis, Ibis Styles, Mercure e Novotel, totalizando 55 unidades. Como é feita a negociação de marcas com a Accor?

Paulo Mélega: Temos 7 mil quartos em 44 cidades, e somos responsáveis pela primeira franquia Ibis no Brasil. Sempre conversamos com a Accor sobre qual marca utilizar para desenvolvimento ou conversão de uma propriedade, baseando-nos na demanda local. É feita uma avaliação para descobrir se a localização é um mercado secundário, para turismo de negócios regional ou econômico, por exemplo.

São ações direcionadas para que cada hotel atenda bem ao mercado e gere um retorno para o investimento. A escolha da marca baseia-se num estudo de viabilidade, que valida se a bandeira que escolhemos é a melhor. Há várias mãos nesse processo e, se for o caso de um incorporador, que já tem experiência no setor, ele também pode opinar.

HN: Vocês pretendem estrear alguma nova bandeira da Accor que ainda não tem no Brasil?

PM: Estamos sempre em contato com a rede. Nossos planos agora incluem a TRIBE. Esta nova marca surgiu na Austrália e conversamos, atualmente, sobre a possibilidade de trazê-la ao Brasil, mas ainda não temos nada concreto.

HN: Como é feita a maioria dos negócios da Atrio?

PM: Existem dois pontos importantes, que envolvem o tipo de contrato e como será feito o desenvolvimento. Sobre o modelo contratual, o acordo é de franquia e na maioria das vezes com locação – temos 95% dos contratos nessa modalidade. Alugamos o prédio para os investidores, fechamos o contrato de franquia para a Accor e implementamos os serviços hoteleiros. Em propriedade de um dono só, trata-se de um contrato de franquia com administração.

Já no modelo de desenvolvimento trabalhamos com a construção do zero ou conversão de hotel existente. Na construção é possível realizar a incorporação com ou sem parceiros. E na conversão selecionamos um hotel existente e trocamos a bandeira. Em resumo, trabalhamos com gestão, utilizamos marca de terceiro, no caso a Accor, e a propriedade é de um ou mais parceiros.

Geralmente nossos hotéis possuem 150 quartos, em média, são econômicos, de marca forte, com maior dependência de turismo rodoviário e menos de eventos, o que vai nos beneficiar na retomada.

HN: Até então, a Atrio estava com projetos em desenvolvimento e mais inaugurações previstas. A pandemia alterou esses planos?

PM: Continuamos crescendo mesmo durante a Covid-19 e teremos mais 10 aberturas até dezembro, sendo 3 construções e 7 conversões.

HN: Como você observa o segmento de franquias no Brasil após esse período de pandemia?

PM: Existe essa tendência. O processo de conversões e franquias acelerou porque é um modelo vencedor. A marca é sempre uma promessa e um elemento de diferenciação, que envolve padrões de qualidade e serviço. E na hotelaria não é diferente.

Durante a pandemia, fazer parte de uma marca tem sido mais importante do que já era e traz credibilidade em um momento de incerteza, até pelas novas necessidades de protocolos sanitários e de segurança.

HN: Vocês têm interesse em operar outras marcas fora da Accor?

PM: Estamos muito contentes com a parceria de longa data junto à Accor e não temos nenhum projeto diferente para anunciar. No auge da pandemia, pensar em fechar o ano com mais de 60 hotéis é um resultado positivo. Sairemos mais fortes dessa situação de crise.

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