Os resultados do ProCopa e o que ainda está a caminho

Dos 16 projetos aprovados e contemplados com o financiamento do BNDES, nove ainda não foram concluídos

Lançado em 2010 como alternativa para a viabilização de projetos hoteleiros, entre novas construções e renovações necessárias para atender a demanda esperada para a Copa do Mundo, encerrada no último dia 13 de julho, o programa ProCopa Turismo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou R$ 2 bilhões para o setor. Dessa carteira, R$ 1,048 bilhão foram efetivamente liberados, como resultado da aprovação de 16 operações, envolvendo 18 empreendimentos hoteleiros. O restante dos recursos solicitados no âmbito do programa e que não obtiveram aprovação até junho de 2013 migrou para a carteira do produto do BNDES Finem, com objetivos e condições financeiras específicas e diferentes das da Linha ProCopa, que entre uma série de outros requisitos, avaliava os compromissos com a sustentabilidade e a eficiência ambiental dos projetos.

A Copa terminou e cerca de nove empreendimentos não foram concluídos a tempo. Para a coordenação do programa, no entanto, a iniciativa terminou com resultados positivos. Via sua assessoria de comunicação, a coordenação do programa ressalta que os hotéis financiados pelo programa representam um acréscimo ou modernização de 4.891 quartos no parque hoteleiro brasileiro, e que a estimativa é de que os projetos concluídos tenham gerado 5.512 empregos durante a implantação e 9.621 após a implantação.

Do ponto de vista do BNDES, afirma a assessoria, não houve projetos que ‘não vingaram’. Dentre os hotéis financiados pelo programa, seis já foram inaugurados e os demais estão com obras em andamento – sete deles com previsão de inauguração ainda para este ano, dois programados para 2015 e um postergado para 2016. Somente um (Tulip Inn Itaguaí) teve a aprovação, mas optou por não contratar.

“Na condição de Banco, o BNDES opera sob a lógica que norteia qualquer financiamento, ou seja, observa os prazos de carência e amortização dos financiamentos. Assim, caso o empreendedor atrase o seu cronograma de obras e a sua previsão de inauguração, ele será penalizado economicamente, já que o banco aplica normalmente os prazos de carência e início de amortização do financiamento. Dessa forma, o cliente tem de arcar com o ônus de realizar os pagamentos mesmo que não esteja ainda gerando receitas com o empreendimento”.

A assessoria informou, ainda, que o BNDES, por meio dos seus técnicos, realiza o acompanhamento de todos os projetos que financia diretamente. “Como os financiamentos do banco são liberados em parcelas, as visitas têm o objetivo de verificar a aplicação dos recursos para que o empreendimento possa continuar recebendo os aportes seguintes. O procedimento não desobriga o empreendedor de apresentar ao banco, em paralelo, os documentos legais que atestem o uso desses recursos. Também não deixa de haver o controle por parte de órgãos de Estado como a Controladoria Geral da União”.

Ficou para a Olimpíada

Entre os projetos pendentes está o Arena Leme, no Rio de Janeiro. Segundo o diretor, José Domingo, não há nenhuma pendência e o hotel será inaugurado em abril de 2015. “O que acontece é que hoje os padrões e conformidades se sofisticaram mais e, por esta razão, temos um grupo de trabalho também mais especializado. Soma-se a isto a obrigação de estarmos sempre à frente no que diz respeito à tecnologia, e ao meio ambiente”, justifica.

De acordo com Domingo, antes do início das obras, foi feito um extenso trabalho de pesquisa, no Brasil e no exterior, em busca de novos materiais e tecnologias em uso na hotelaria, ao que ele também atribui o retardamento do início das obras. “Não podemos nos dar ao luxo de utilizar um determinado material quando existe algo mais econômico, limpo ou moderno já disponível no mercado”, explica.

Quase aos 45 minutos do segundo tempo, a Accor inaugurou no dia 13 de junho – um dia depois da abertura da Copa – o Ibis Budget Porto Alegre (RS), com parte do seu valor total financiado pelo BNDES por meio do programa de incentivo ProCopa, de acordo com o diretor de Implantação da Accor para as Américas, Paulo Mancio. Outro hotel contemplado pelo programa ainda não concluído e que terá a operação da Accor é o Grand Mercure Riocentro, que, no entanto, não é um empreendimento próprio. “Apenas o Ibis Budget Porto Alegre é de propriedade da Accor. No caso do Grand Mercure Riocentro e do Ibis Natal, a responsabilidade da rede fica por conta apenas da operação e não da construção”, esclarece.

Procuramos porta vozes em todos os outros empreendimentos, que até o fechamento desta edição não se manifestaram. Veja no box o cronograma de abertura dos hotéis contemplados com a Linha ProCopa Turismo.

Em operação:

Hotel Sotero Salvador (BA) – R$ 15,1 milhões
Ibis Copacabana (RJ) – R$ 11,6 milhões
Ibis Botafogo (RJ) – R$ 20,3 milhões
Ibis Budget Porto Alegre (RS) – R$ 22,9 milhões
Linx Galeão (RJ) – R$ 27,7 milhões
Hotel Cidade do Romeiro / Hotel Rainha do Brasil, em Aparecida do Norte (SP) – R$ 32,5 milhões

Para 2014, ainda

Ibis Natal (RN) – R$ 10 milhões
Hilton Barra (RJ) – R$ 118,5 milhões
Grand Mercure Riocentro (RJ) – R$ 87 milhões
Windsor Mar da Barra Hotel (RJ) – R$ 102,8 milhões
Ampliação dos hotéis Mar Hotel/Atlante Plaza Summerville (PE) – uma só operação, para o mesmo cliente: Grupo Pontes – R$ 32 milhões
Renovação do Tivoli EcoResort (BA) – R$ 16,4 milhões

Para 2015/2016

Arena Leme Hotel (RJ) – R$ 29,2 milhões (2015)
Grand Hyatt Barra (RJ) – R$ 298,5 milhões (2015)
Hotel Glória (RJ) – R$ 200 milhões (2016)

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