Obras de arte à mesa

LONGE DE SEREM MERAS COADJUVANTES, AS LOUÇAS AUXILIAM NA APRESENTAÇÃO DOS PRATOS

Elas fazem parte do dia a dia de qualquer estabelecimento gastronômico e hoteleiro. Estão presentes nas mesas do café da manhã, almoço e jantar. Brancas ou coloridas, com desenhos ou completamente lisas, quadradas, retangulares, ovais, redondas. Pequeninas ou espaçosas. Diversas são as opções. Algumas parecem até verdadeiras obras de arte, dignas de espaço na parede.

Peça chave na apresentação dos mais refinados (e também dos populares) pratos, a louça deve ser muito bem escolhida para cada tipo de refeição e estilo da casa. Pratos e travessas com linhas simples e design único são ótimas pedidas. O interessante é utilizar peças grandes e espaçosas ou então pequenas em jogo para que cada item se destaque individualmente. Uma regra básica é nunca aglomerar os alimentos nos pratos e travessas. (quem dita essa regra; de quem são as dicas? É sempre melhor atribuir esse tipo de afirmação a alguém, como abaixo)

“O formato e o tamanho da louça são alternativas para a sofisticação na apresentação. Formas ousadas acompanham propostas mais modernas. As clássicas, no entanto, dão o tom de uma apresentação mais intimista”, explica o chef de cozinha e consultor gastronômico Alain Lima.

Para Ana Vitória Poiano Stella, assistente de A&B do Grande Hotel Campos do Jordão (SP), tudo depende do momento. “Em ocasiões formais, a tendência é utilizar as louças mais clássicas e, se o evento ou restaurante for contemporâneo, podemos empregar utensílios de formatos e cores diferentes. Atualmente, existe uma tendência em utilizar as mini-porcelanas para compor os pratos”, afirma.

Cores, muitas cores

Uma das mais importantes ceramistas do século 20, a inglesa Clarice Cliff é reconhecida por revolucionar as louças fazendo pinturas em art déco com cores alegres, motivos florais e em formatos diferenciados. Suas coleções eram tão inusitadas que foram chamadas de Bizarre, um choque para a sociedade da época, mas que se tornou verdadeiro sucesso.

No Brasil, Enrique Rodríguez também deu graça à porcelana branca. No início deste ano, o artista criou uma coleção de louças inspirada em dois temas recorrentes em sua vida: ópera e viagens. “Trabalho com a aplicação de arte em projetos corporativos e, apesar de ainda existir a preferência por peças brancas, aos poucos venho introduzindo esse conceito no universo das porcelanas, conferindo um caráter único, particular e personalizado a cada cliente”, explica Rodríguez.

Louças brancas e de tons neutros contrastam com receitas de cores fortes e variadas. As peças de tonalidades chapadas e vibrantes, vão bem com receitas de cores mais homogêneas. O design, a cor e a textura também devem ser combinados com as características de cada prato. Neste caso, o comedimento e a sutileza são dicas primordiais. “Objetos de cozinha não têm função meramente decorativa, eles devem servir como ferramentas para o cozinheiro. Gosto de utensílios que combinem entre si, alguns, como pretos e metálicos, podem servir como coringa”, revela a jornalista e escritora Chris Campos, criadora do site Casa da Chris, que dá diversas dicas de decoração e design.

Para Carla Roscito, responsável pela implantação de novos hotéis da rede Pestana, a compra de qualquer material, especialmente a louça, deve seguir ainda o perfil do empreendimento. “Nos hotéis de convenções ou restaurantes com serviço de bufê, por exemplo, as louças brancas e redondas são as mais comuns. Já em hotéis de padrão cinco estrelas, as cores variam um pouco para creme ou gelo, mas se diferenciarão por diâmetro maior, abertura mais acentuada do prato ou até mesmo por um filete pintado na borda”, explica Carla Roscito,

“Apesar de pouco utilizadas, as cores devem realçar a arte do chef de cozinha. Hoje existe essa tendência, principalmente das louças pretas, indicadas para pratos em que haja um contraste com os ingredientes, como por exemplo uma lagosta com molho bisque, em que as tonalidades predominantes são vermelho e laranja. A preparação fica mais realçada no fundo negro do que no branco”, explica Stella, do Grande Hotel Campos do Jordão.

Porque porcelana?

Ela é a queridinha de chefs e responsáveis pelo setor de A&B por ser clássica e durável, apesar de mais cara. Veja o que dizem os especialistas sobre a porcelana:
“Por sua variedade de opções, é possível utilizá-las em vários ambientes e em diversos tipos de serviços”. Eduardo Santana – Hotel Unique Garden Spa & Resort (SP).
“A porcelana é um dos melhores materiais para se trabalhar. Quando bem manuseada, tem uma vida útil muito grande”. Carla Roscito – Rede Pestana.
“Ela possui melhor apresentação e maior durabilidade. Entre os melhores restaurantes, a porcelana é a escolha predominante”. Alain Lima – consultor gastronômico.

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