O que que há (de novo), velhinho?

Novos entrantes na hotelaria brasileira em três temas: OTA last minute com baixa comissão, chegada de operadores e o boom das multipropriedades. Independente do modelo, as soluções e os negócios apresentados abaixo são inovadores partindo do conceito que inovação é “trazer ou agregar valor para algo ou alguém”. Esses negócios estão explorando nichos de mercado e agregando novo valor a empresas e clientes. Se hoje estão apenas começando, amanhã serão bastante relevantes, pauta de muita admiração ou reclamação de quem não se mexer e inovar também.

Distribuição

É verdade que o modelo de reservas de última hora já foi explorado no passado (lastminute.com e todo canal eletrônico tem uma oferta assim). O que nunca tivemos foi uma iniciativa para a realidade local: OTA “Brasuca” para reservas “last minute” com baixíssimo custo de distribuição para os hotéis.

O conceito é simples: um quarto vazio é puro custo sem nenhuma receita. O hotel tem a possibilidade de vender ofertas de última hora neste marketplace exclusivo. Faz sentido! Por que o baixo custo de comissão? 1. Diferencial competitivo versus demais canais. 2. O negócio é baseado em volume de transações. Há estatísticas que apontam que na Europa 33% das reservas já são feitas no dia de chegada do viajante. Olho vivo!

Novos players em operações hoteleiras

Indianos e panamenhos chegaram ao Brasil e, como mineiros, chegaram quietinhos. Da Índia vem uma startup de hotéis supereconômicos. Focam em empreendimentos simples e pequenos que precisam de ajuda na gestão. Através de um contrato de franquia, entregam soluções para padronizar o produto e a distribuição. Nada de super design ou de mega estrutura de vendas: um tapa no visual e uma estratégia de revenue management automatizada para incrementar resultados!

Já os latino-americanos são uma rede de super hostels! Experiência é a palavra chave no negócio. São operadores do conceito que criaram. Assumem propriedades hoteleiras em destinos relevantes, transformam as áreas sociais em interessantes espaços de convivência atraindo Millennials e afins. O conceito surgiu de outro negócio dos donos, o co-working ou escritórios compartilhados, juntando tendências observadas nesse enorme mercado com comportamento de compra de viagens do novo público. É impressionante o que conseguem fazer e como o ambiente se torna agradável e acolhedor. Parece estranho? Olho vivo. Pode desbancar muitos hotéis tradicionais!

Vende-se tempo

Já bastante desenvolvido nos EUA, está esquentando no Brasil o modelo de multipropriedade. Significa que um imóvel (quarto de hotel) é vendido por uma fração de tempo. Uma tangente do modelo chamado de time sharing – se você já foi para a Disney ou para o Caribe e alguém tentou te vender um quarto de hotel para voltar por 20 anos, você sabe como isso parece. O novo modelo não dá posse ao imóvel, mas sim a algum tempo no imóvel (algumas semanas em um ano). Isso abre um leque de oportunidades com retornos muito mais rápidos e interessantes e pode ser o novo motor de desenvolvimento hoteleiro no Brasil (como o condotel nos anos 2000).

O desafio está na regulamentação, no combate aos picaretas e no entendimento por parte de clientes e investidores que ainda não fazem ideia onde estão se metendo, diferente dos idealizadores que têm muito claro os valores de VGV que irão ganhar nas operações.

Por Hotelaria sem Nome: um grupo de jovens hoteleiros que produzem conteúdo imparcial sob diversos pontos de vistas

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