O Brasil na rota dos eventos lúdicos

Vatel, Pic Chic, Mercado e Chefs na Rua entram no calendário e ganham público além do esperado

A exemplo do ano passado, Douglas Van Der Ley voltou a surpreender na segunda edição do banquete inspirado no chef francês François Vatel, o cozinheiro da corte real francesa que ficou conhecido por transformar jantares em grandes espetáculos. Ao lado dos parceiros, o empresário Garret Filho e o produtor José Almir Júnior, o chef pernambucano inovou nesta edição, incorporando um toque de modernidade à ambientação do século 17.

O cenário foi mais uma vez os jardins e a área interna da Oficina Brennand, em Recife (PE), este ano sob o tema ‘O banquete no mundo da magia’ e com um foco na capacitação e formação de profissionais. A grandiosidade da festa dividiu espaço com oficinas para os alunos de Gastronomia de instituições locais, que tiveram oportunidade de estagiar ao lado de Van Der Ley e outros 50 nomes da culinária brasileira e pernambucana. Entre manifestações de ilusionismo, onde não faltaram cores, projeções e efeitos visuais, o evento marcou-se pela homenagem prestada aos chefs César Santos, Joca Pontes e Hugo Prouvot.

Dividido em três atos, o Vatel foi aberto com um coquetel nos jardins, onde o público – trajando black tie – foi recepcionado por personagens temáticos, seguiu pelo salão principal e culminou com uma ópera gastronômica interpretada por Anna Gelisnkas. O evento reuniu 580 pessoas, que pela experiência gastronômica pagaram ingressos individuais no valor de R$ 600.

Apenas para se ter ideia da grandiosidade do evento, participaram da produção este ano 400 profissionais, além dos 80 estagiários e 50 chefs de cozinha. Na decoração foram utilizados mil metros de veludo e na produção do banquete 300 kg de frutos do mar, 500 kg de carnes de caça, 300 kg de chocolate, 800 kg de frutas e mil doces.

COMIDA NA RUA
Com uma proposta menos glamourosa e voltada ao público paulista mais ‘descolado’ que propriamente sofisticado, o chef Checho Gonzáles, da Cebicheria Gonzáles, uniu-se à jornalista Nina Loscalzo na criação do Pic Chic, um piquenique divertido que já teve duas edições no Parque da Aclimação, uma em fevereiro e outra em março. A terceira, inicialmente agendada para o feriado de 21 de abril, foi postergada por conta do mau tempo. Como todo o evento acontece ao ar livre, nos gramados do parque, o clima é um fator determinante para a audiência que nas duas edições ultrapassou todas as expectativas dos organizadores.

Configurado para um público restrito a 60 pessoas, o piquenique custa $ 60 e dá direito a bufê com todas as comidas doces e salgadas, além de bebidas como vinho branco, rosé e espumante e bebidas não alcoólicas, trilha sonora e o serviço de garçons no recolhimento das louças durante o evento. No cardápio entram gravlax de salmão, quiche de abobrinha, guacamole, ceviche de robalo, salada de grãos com ervas da horta, além de quiches, rosbife com salada de batatas, tábua de embutidos, entre outras opções preparadas por Checho Gonzáles, que incluem doces como geleias caseiras de morango com baunilha e de damasco com maçã e alecrim, bolo de laranja, de chocolate-amargo e cheesecake com geleia de figo.

Também idealizado e organizado por Checho – desta vez em parceria com Henrique Fogaça, do Sal Gastronomia – estreou no mês de abril outro evento gastronômico que mobilizou o público paulistano. Nada menos que duas mil pessoas, quatro vezes mais do que estimava a organização, disputaram espaço durante uma madrugada chuvosa para conferir a primeira edição de O Mercado, produzido no pátio do restaurante de Fogaça, em Higienópolis, com a participação de 13 chefs e uma sommelière.

O evento foi idealizado com o objetivo de suprir a carência da cidade por opções gastronômicas fora do horário e da ambientação regular dos restaurantes, e que fosse além das barracas que, tradicionalmente, se limitam ao hot dog ou pratos de massa servidos em barraquinhas instaladas próximas das casas noturnas. A ideia inicial de Checho e Fogaça era transformá-lo em um evento mensal, sempre da meia noite às 5h, mantendo o endereço do Sal Gastronomia e os preços módicos, entre R$ 5 a R$ 20, a porção, sem cobrança de entrada.

“Na véspera do evento percebemos que já tínhamos mais de 1, 6 mil pessoas confirmadas em nossa página do Facebook. Nos preocupamos porque não esperávamos que a procura chegasse a essa proporção, mas naquela altura também não tínhamos como cancelar ou alterar o local. Assim, nos organizamos para garantir atendimento a pelo menos 150 pessoas por vez”, conta Checho, que uma semana depois já buscava uma solução para dar sequência ao projeto, sem prejuízo ao conceito original. “Até o momento o que podemos adiantar é que o evento da Galeria Vermelho (onde está instalado o Restaurante Sal Gastronomia) não vai mais acontecer. De largada ele cresceu mais do que o espaço físico, então vamos procurar alternativas”. Antes de se decidirem pelo cancelamento da segunda edição, com a mesma configuração da primeira, os chefs organizadores chegaram a pensar em alternativas, como a distribuição de senhas ao público, mas a ideia acabou sendo descartada.

Ocupando barraquinhas, em um formato muito semelhante ao das quermesses juninas, participaram desta primeira edição de O Mercado os chefs Alexandre Leggieri (Cannoleria), Carlos Ribeiro (Na Cozinha Restaurante e Escola de Gastronomia), Dagoberto Torres (Suri Ceviche Bar), Deepali Bavaskar (Sabores da Índia), a mexicana Lourdes Hernandez (Casa dos Cariris), Marcos Carnero (Pão Filosófico), Pipa (Comida de Papel), Rene Aduan Jr. e Flavio Veiga (Alma Rústica), Tibira (bar Caos), e Janaína Rueda (Bar da Dona Onça), além de Checho e Fogaça. Alex Atala, do restaurante D.O.M – eleito este ano o quarto melhor do mundo – e do Dalva e Dito, não participou do evento, mas marcou presença, entre os convidados vip.

Completando a trilogia do calendário lúdico paulistano, a Virada Cultural, que este ano chegou à oitava edição, também dedicou espaço à gastronomia com a inclusão do projeto Chefs de Rua, que se distribuiu pelo Minhocão e garantiu a participação de 20 chefs baladados, incluindo Alex Atala e Ercik Jacquin (La Brasserie), na noite de abertura.

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