Na onda dos apps

Investir em aplicativos para dispositivos móveis é quase obrigação nos dias de hoje

A tecnologia tem estado cada vez mais presente na vida das pessoas de todas as idades e classes sociais. No Brasil, por exemplo, há mais de 50 milhões usuários de smartphones com acesso à internet (número deve ser ampliado em 40% até 2017), sendo a classe C a representante de um terço do total, segundo dados da Nielsen Ibope. “As pessoas estão usando cada vez mais a tecnologia de mobilidade. Já estão acostumadas a usar o smartphone para acessar funcionalidades úteis ao seu dia a dia, como chamar um táxi, ver a previsão do tempo, fazer check-in do voo ou acessar o banco. Portanto, as empresas não podem ficar à margem deste fenômeno. Seus serviços devem ser acessados pelos clientes na hora em que eles precisarem e onde eles estiverem”, afirma Cezar Taurion, sócio-diretor e CEO da Litteris Consulting, consultoria especializada em ajudar empresas em processo de transformação digital.

Relativamente novo, o ‘Aplication Software’, mais conhecido como APP, foi criado em 2007 juntamente com o lançamento do primeiro iPhone, da Apple, como conta Taurion. Anteriormente, os telefones celulares tinham funcionalidades básicas, como mandar mensagens, tirar fotos, armazenar contatos e, claro, fazer ligações. “O iPhone mudou as regras do jogo, derrubando, inclusive, empresas líderes que não entenderam o novo cenário, como a Nokia”.

Com o smartphone (celular inteligente), os aparelhos passaram a ser verdadeiros computadores móveis e hoje já podem ser considerados quase a extensão do cérebro humano. “O crescimento tem sido explosivo e estima-se que cada usuário de smartphone acesse os APPs cerca de 90% do tempo em que utiliza seu dispositivo móvel”, afirma Taurion.

Presença na hotelaria

Alguns empreendimentos hoteleiros no mundo já se deram contam da importância de estarem atualizadas no meio digital. De acordo com o CEO da Litteris Consulting, redes hoteleiras, bem como hotéis independentes, se valem dos APPs para interagir com os hóspedes e fornecer condições de resposta ágil às demandas. “Aqui no Brasil, entretanto, o uso por empreendimentos de menor porte ainda é incipiente. Na maioria das vezes, eles aparecem apenas nos aplicativos de reservas especializados, como Hotel Urbano, e não com ferramentas próprias”, afirma.

Para Leonardo Annes, que desde 1998 trabalha com tecnologia e há cinco desenvolve aplicativos para smartphones, muitos segmentos ainda estão procurando o que oferecer a seus clientes, e na hotelaria não é diferente. “Qualquer novidade tem seu tempo natural de maturação. Foi assim nos anos 90 com a internet e nos anos 2000 com as reservas online. No início havia muita desconfiança, mas assim que se confirmaram como uma ótima ferramenta de vendas foram maciçamente adotadas. Particularmente não conheço muitos hotéis sem site, e assim será com os aplicativos móveis”, compara.

Além de uma ferramenta de reservas, os aplicativos para a rede hoteleira precisam oferecer funcionalidades que englobem a consulta e a localização de serviços gerais, informações turísticas e opções de entretenimento próximas ao empreendimento, entre outros. “A gama de possibilidades é bem grande”, garante Roberta Aragon, professora da Escola de Engenharia e Tecnologia da Universidade Anhembi Morumbi.

Para a docente, disseminar conteúdo que vá além dos próprios produtos e serviços certamente fidelizará o cliente, que ficará mais satisfeito durante sua estadia, terá opções diferentes para atender suas expectativas e muito provavelmente indicará a empresa para rede de contatos. “O hotel pode utilizar as informações de cada hóspede para oferecer atividades e serviços personalizados, de acordo com as necessidades e expectativas de cada um e, assim, gerar mais receita”, argumenta Roberta.

Aberto em 2013, o hotel Marignan Paris já nasceu com aplicativo próprio. Com muitas fotos e informações sobre a infraestrutura do empreendimento, a ferramenta se diferencia pela qualidade das informações sobre a cidade. “O APP está dividido em duas importantes frentes. A primeira fala especificamente sobre o empreendimento. Apresentamos todos os serviços disponíveis no hotel, como eventos e ofertas especiais; estrutura, como acomodações, opções gastronômicas, e espaços do hotel; entre outros”, explica Clara Cortijo, assistente de Comunicação.

A segunda parte é um city guide, com dicas de restaurantes, vida noturna, compras, pontos turísticos e informações úteis sobre Paris. “O aplicativo disponibiliza apenas informações sobre atividades. Não existe a possibilidade de reservar nada por ele. Isso pode ser feito através dos nossos concierges”, responde Clara ao ser questionada se os APPs poderiam substituir os profissionais.

No Brasil, o Hot Park, do grupo Rio Quente, lançou em janeiro deste ano um aplicativo disponível para as plataformas iOS e Android em português e inglês com acesso às informações sobre atrações, opções de lazer, restaurantes do parque, além de lojas e boutiques do complexo. A novidade garante também descontos, promoções e parcelamentos para ingressos e atrações. Outra funcionalidade é a integração com a rádio online do Hot Park, onde o internauta desfruta da programação da estação, e a integração com as redes sociais, com acesso a fotos e conteúdos exclusivos”, conta Fernanda Brunetta, gerente de Experiência Marketing.

De acordo com a profissional, a ideia de lançar a ferramenta surgiu por entenderem que as pessoas estão cada vez mais conectadas, utilizando seus dispositivos móveis como um dos principais meios de acesso à informação. “Já registramos mais de quatro mil downloads com muitas interações nas páginas que falam das atrações e da galeria de fotos. Em breve disponibilizaremos uma versão também para Windows Phone e incrementaremos funcionalidades como a criação de um mapa de navegação de todo o parque, indicando o local exato de onde o visitante-internauta está e como chegar a cada um dos pontos e atrações”, conta.

Já o Cana Brava Resort, em Ilhéus (BA), criou no final do ano passado um aplicativo ilustrado e com informações precisas e até uma opção de pré check-in. “Ao utilizar a ferramenta o hóspede poderá adiantar uma informação que seria passada apenas no momento de sua chegada ao resort, diminuindo o tempo de espera na recepção e facilitando o trabalho dos colaboradores responsáveis por esse serviço”, diz Alisson Leandro, assistente de Marketing do empreendimento.

De acordo com a gerente de Vendas do resort, Maite Teixeira, o objetivo do aplicativo partiu da necessidade de oferecer mais praticidade aos hóspedes, enfatizando serviços e informações do resort. “O Cana Brava possui uma estrutura muito grande, com várias atrações simultâneas. Muitas vezes, ao se entreter com uma atividade de lazer, o hóspede perde uma fornada fresquinha de alguma delícia gastronômica e vice-versa. O aplicativo surge como uma forma do visitante ter uma visão global do resort, desfrutar melhor toda a estrutura oferecida e, por consequência, ter uma experiência mais rica e completa”.

Desenvolvimento

Um aplicativo precisa ser interativo e fácil de usar. Senão é deixado de lado na mesma velocidade em que é baixado. Segundo Cezar Taurion, 90% dos APPs existentes nas lojas são usados apenas uma vez. “Os empreendimentos precisam criar experiências únicas e inovadoras. Um exemplo interessante é o de empresas aéreas, que permitem a compra e check-in ‘self service’. Um hotel pode se diferenciar tirando o balcão físico de check-in e check-out, que pode criar uma barreia entre o cliente e o funcionário. Podem investir em uma recepção que funcione muito mais como um lounge, mais amigável”, ilustra.

Até por esse motivo, não é recomendável que se utilize o site dos empreendimentos e simplesmente transformá-lo em um aplicativo, como conta Roberta Aragon. “Essas duas ferramentas possuem conceitos bem diferentes. O que é possível de se fazer é construir um site para que ele seja acessível tanto de um desktop quando de um dispositivo móvel, fazendo com que se adapte a cada cenário. Chamamos isso de site responsivo”

De acordo com Leonardo Annes, a complexidade no desenvolvimento de um APP é maior do que a de um site, já que existem três sistemas operacionais atualmente – iOS (Apple), Android (Google) e Windows Phone (Microsoft). “Além disso, há uma infinidade de configurações, como tamanhos de tela, comandos gestuais e possibilidades de uso dos recursos do smartphone, como GPS com geo-localização, fotos, vídeo, giroscópio e acelerômetro”, pontua.

Por isso, o profissional diz que o valor de um aplicativo depende da complexidade da ferramenta. “A média de preço das aplicações gira em torno de R$ 15 mil, mas já existem aplicativos que prestam serviços com baixíssimo custo (R$ 59 a R$ 99 por mês) para hotéis”, afirma Annes, para quem a realidade aumentada será o próximo passo a ser explorado.

Segurança

Uma das questões que devem ser levadas em consideração ao oferecer aplicativos é a segurança das informações. “Esse é um ponto que merece atenção e precaução dos usuários de aplicativos móveis. Preocupadas com as questões de segurança, empresas como o Google exigem que os APPs informem, já na instalação, quais tipos de recursos do celular serão utilizados pelos aplicativos. O usuário deve verificar se os recursos solicitados são pertinentes. Por exemplo, não faz muito sentido um aplicativo que faça conversão de moedas ter acesso aos seus contatos e localização do celular”, enfatiza Roberta Aragon. 

Para Cezar Taurion, o hotel deve adotar medidas de segurança em seu data center. “Sugiro usar um provedor de nuvem de primeira linha, que esteja certificado em padrões de segurança. Com certeza estes provedores oferecem mais garantia do que um data center de uma rede hoteleira. É o negócio deles”, ressalta o consultor.

No APP do Cana Brava Resort, por exemplo, não é solicitado qualquer dado pessoal para instalação. “Apenas pedimos informações quando o usuário deseja realizar o pré check-in. Nesse caso, o cliente preenche uma ficha com informações básicas de viagem sobre sua reserva (as mesmas que a Embratur requisita). Esses dados são direcionadas para o email da recepção”, explica Livia Cairo, assistente de Marketing do resort.

 

 

Deixe uma resposta