Marcelo Picka: Hotéis-escola Senac reabrem com alta demanda em SP

Com a pandemia de Covid-19, a hotelaria teve que se adaptar a uma nova realidade, baseada em protocolos de segurança e higienização, incluindo o setor acadêmico. Nos Hotéis-escola Senac em São Paulo não foi diferente e as atividades já estão retornando de maneira gradual.

Sobre o contexto e retomada das viagens, o diretor geral do Grande Hotel São Pedro e Grande Hotel Campos do Jordão, Marcelo Picka Van Roey, traça um panorama do desempenho dos hotéis. Um dos principais desafios, segundo Picka, é manter uma experiência mais próxima do que era antes do coronavírus. Ele também ressalta que a retomada significativa das viagens deve acontecer no primeiro semestre de 2021, ainda que em ritmo mais lento. No entanto, os hotéis-escola já estão com procura mais alta que a média.

O executivo é graduado em Tecnologia em Hotelaria pelo Centro Universitário Senac, em Administração de Empresas pela Mackenzie e tem MBA em Economia do Turismo pela USP. Ele iniciou sua carreira profissional na BSH International como consultor e asset manager de propriedades hoteleiras, atuou como professor e em 2005 assumiu a coordenação da área de hotelaria do Senac São Paulo.

Confira a entrevista abaixo:

Hotelnews: O que mudou na operação dos hotéis-escola após a reabertura no final de julho?

Marcelo Picka: Nos adaptamos completamente aos protocolos exigidos com muito cuidado para oferecermos uma experiência  mais próxima da que habitualmente existia antes da pandemia. A vantagem é que a maioria dos protocolos já eram implementados e houve apenas ajustes de frequência, como por exemplo os relacionados à higienização dos quartos, áreas sociais e também segurança do alimento.

A grande mudança de fato está relacionada aos equipamentos de proteção individuais utilizados pela equipe que, estando devidamente paramentada, garante a própria segurança e também a dos hóspedes. Além disso, como os dois hotéis estão em grandes áreas, priorizamos as atividades ao ar livre.

HN: Como está a demanda nos hotéis-escola?

MP: O Grande Hotel São Pedro atualmente pode operar com 80% (por conta de decreto municipal) e o Grande Hotel Campos do Jordão foi totalmente liberado. Estamos muito satisfeitos com a procura nos dois hotéis, que tem sido acima da média e incrivelmente superior ao mesmo período do ano passado.

HN: Quais áreas estão liberadas? E a implementação dos protocolos, especialmente nas áreas de governança e A&B?

MP: As piscinas e áreas de lazer estão funcionando normalmente, exceto o Health Club em Campos do Jordão, atendendo ao decreto municipal. Sobre a implementação dos protocolos, intensificamos as limpezas das áreas comuns e embalamos todos os itens que foram mantidos nos quartos como toalhas, controle remoto e amenidades. O check-in é antecipado e feito de maneira remota, possibilitando que, na chegada, o hóspede precise apenas pegar a chave do quarto (devidamente esterilizada).

Na limpeza dos apartamentos, utilizamos equipamento de luz UV e gerador de ozônio para desinfecção. São equipes diferentes que entram no apartamento, sendo uma que retira o enxoval sujo e outra que limpa após desinfecção. Toda essa equipe está totalmente paramentada.

Em Alimentos & Bebidas adaptamos todos os cardápios para serem acessados pelo celular dos hóspedes via QR Code e estamos montando as mesas após a chegada dos hóspedes. Mantemos também o distanciamento, inclusive na hora do serviço, no caso do Buffet, e criamos uma etiqueta que indica quais mesas e cadeiras foram esterilizadas e estão prontas para uso.

Cabe ressaltar que o uso de máscaras ainda é obrigatório em todo o hotel, exceto quando estiverem sentados para as refeições e também na piscina. Além disso, todos os funcionários que tem contato com o hóspede nos momentos sem máscara (como os garçons dos restaurantes, bares e piscinas) ou objetos pessoais deles (camareira e limpeza, por exemplo) usam a máscara e também o protetor facial.

HN: Vocês estão trabalhando com buffet ou à la carte neste momento?

MP: Trabalhamos com os dois serviços, dependendo do número de hospedes e sistema de pensão. No caso do buffet, escolhemos o buffet assistido. Para isso, isolamos todas as pistas de comida com barreiras de proteção e nossa equipe devidamente paramentada monta o prato de acordo com as escolhas do hóspede.

HN: Você acredita que muitas dessas mudanças, principalmente em relação à higienização e tecnologia, vieram para ficar?

MP: Algumas das mudanças certamente vieram para ficar, especialmente aquelas que tornam a experiência mais rápida e prática para os hóspedes (e também para os hotéis) como os cardápios em QR Code, utilização do celular para acessar demais serviços e também os quartos, entre outros.

HN: Sendo ambos hotéis escola junto com o Senac, uma renomada instituição, como você enxerga esse desafio de ser um modelo para outros empreendimentos?

MP: O fato de ser uma empresa-escola deixa a nossa responsabilidade ainda maior e nos empenhamos muito para testarmos novas ferramentas e desenvolver técnicas, que futuramente possam ser aplicadas no mercado em geral. Além disso, essas tendências são passadas aos alunos durante os períodos de prática e também em sala de aula por meio dos nossos professores.

HN: E como está a procura pelas diárias de final de ano?

MP: Essa demanda acompanha a forte procura atual pelo segmento de lazer e acredito que isso se estenda pelo menos pelo primeiro trimestre do ano que vem. As perspectivas são boas e a demanda pós-abertura nos faz acreditar que 2021 será um excelente ano, mesmo com a recuperação mais lenta, que certamente acontecerá no primeiro semestre, do segmento MICE.

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