Maranhão

Praia, rios, cachoeiras, cultura, história e um deserto repleto de lagoas cristalinas

Configurado como um verdadeiro paraíso ecológico, o Maranhão reserva muita aventura, belezas naturais e cultura na região Nordeste do Brasil. Toda essa diversidade pode ser observada em cada pedacinho dos 331.983.293 km2 do estado, desde o conjunto arquitetônico do centro histórico da capital, São Luis, e das ruínas de Alcântara, passando pela Chapada das Mesas e seus paredões de arenito, cachoeiras e piscinas naturais, percorrendo os 640 quilômetros de litoral, com praias para todos os gostos, e chegando às inúmeras lagoas entre dunas de areias claras dos Lençóis Maranhenses.

Em cada atração, diversos encantos e muita história. O Maranhão já nasceu multicultural e disputadíssimo pelos europeus. Espanhóis e portugueses foram os primeiros a tentar a ocupação, sem sucesso. Em 1612, os franceses se instalaram no estado e, como objetivo de estabelecer uma colônia, a França Equinocial, três anos mais tarde fundaram a capital, São Luis. Apenas em 1644, os portugueses conquistaram o território, não sem antes travarem uma batalha com os holandeses.

É desta época a criação do conjunto urbanístico que compõe o Centro Histórico de São Luís, um dos mais ricos exemplares do traçado da colonização portuguesa. São construções coloniais feitas em alvenaria, muitas delas com pedras de cantaria vindas de Portugal e fachadas revestidas de azulejos portugueses pintados a mão, que serviam para amenizar o calor e evitar a umidade, além dar charme e autenticidade às ruas maranhenses. Nos casarões destacam-se ainda as sacadas com balcões de ferro e os mirantes.

Tombado em 1997 como Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (Unesco), os 3,5 mil imóveis datados dos séculos 17 e 19 remetem toda a riqueza daquela época, quando barões e comerciantes acumulavam suas fortunas. Hoje, os casarões abrigam lojas, cinemas, museus, teatros, restaurantes e hotéis. Uma caminhada pelas ruas, becos, ladeiras e escadarias é uma verdadeira viagem ao passado que pode terminar em uma noite animada ao som de reggae nos bares da Praia Grande.

Com calçadas de pedra, igrejas, palacetes e ruínas históricas, pontos mais visitados por turistas todos os anos, Alcântara foi um dos maiores centros de riqueza da região e desde 1948 é tombada como Cidade-Monumento. O município faz parte do polo turístico de São Luis e é alcançado por barco, está a uma hora de navegação a partir da capital. Por lá, trilhas na lama ou pelas raízes do manguezal são algumas das atividades de ecoturismo que vêm atraindo cada vez mais visitantes.
Festas populares

A principal manifestação cultural do Maranhão, o bumba meu boi, tradição de mais de 200 anos, é festejada em todas as regiões do estado em diversos ritmos e estilos. No enredo, o peão Pai Francisco mata o boi mais bonito da fazenda onde trabalha para satisfazer sua esposa Catirina, que, grávida, desejava comer língua. O fazendeiro fica furioso e um grupo de índios é chamado para ressuscitar o animal. Quando isso acontece, tudo acaba em uma grande festa.

Na celebração, realizada na temporada de festas juninas, os participantes vestem roupas coloridas e decoradas com fitas, dançam e cantam animados por uma orquestra composta por chocalhos, tambores, maracás e pandeiros. A manifestação acontece em quatro etapas: ensaios – que vão do sábado de aleluia até o dia de Santo Antônio) -, batismo – quando o boi recebe as bênçãos de São João -, apresentações públicas – que se estendem até o final do mês de junho -, e a festa da morte do boi.

Outra tradicional manifestação popular é a Festa do Divino em homenagem ao Divino Espírito Santo, realizada em diferentes datas e de formas variadas. A festa mais famosa acontece em Alcântara e dura duas semanas. Rituais, procissões, louvores, missas e banquetes são organizados por um grupo chamado de Corte do Império, formado por adultos, que são representados nos altares festivos e procissões por crianças, nas funções de Imperador ou, mordomos-régios, mestre-sala e vassalos.
Capricho da natureza

Riachão, Imperatriz e Carolina são os três municípios que integram o pólo Chapada das Mesas, no cerrado maranhense. Seu nome é originário dos platôs existentes por lá (parecidos com mesas) formados por paredões de rocha de arenito de milhões de anos. Rios caudalosos com dezenas de cachoeiras e lagos de água cristalina completam as belezas naturais do local, transformado em Parque Nacional em 2005, com 160 mil hectares e distante 860 km da capital.

Na época de seca, em junho e julho, formam-se ainda as praias de água doce principalmente do Tocantins – um dos principais rios brasileiros e que divide os estados do Maranhão e do Tocantins -, como a Ilha dos Botes, uma praia com águas rasas e limpas e vento forte. Outras atrações são a Pedra Furada e a cachoeira de Pedra Caída, localizadas no recanto turístico de Pedra Caída, a 35 km da cidade de Carolina; a Cachoeira do Garrafal, pequena queda de águas cristalinas; o Poço Azul, perfeito para banho; o Morro do Chapéu, que leva o nome por causa do formato; e o Morro das figuras, formação rochosa com diversas inscrições rupestres.

Lagoas do deserto

A imensidão de dunas pontilhadas pelo azul das lagoas cristalinas formadas pela água da chuva fazem do Parque dos Lençóis Maranhenses um dos lugares mais pitorescos do Estado. O paraíso ecológico com 155 mil hectares é acessado pelo município de Barreirinhas, a cerca de três horas da capital São Luis, e abriga as famosas Lagoa Azul e Lagoa Bonita. De lá, o visitante pode descer o sinuoso rio Preguiças, que circunda o deserto até encontrar o mar. Durante o passeio, feito de lancha voadeira, é possível conhecer as comunidades à margem do rio, ilhadas pelo complexo de dunas e vegetação.

A primeira parada é em Vassouras, onde os macacos se aproximam dos turistas para ganhar um petisco. Mandacaru é a próxima a ser visitada, lá a maior atração é o farol Preguiças, construído na década de 40, com 35 metros de altura de onde se tem uma vista privilegiada do mar, dunas, rio e faixa de areia. E, para completar o passeio, vale descer um pouco mais o rio rumo à praia do Caburé, onde um pequeno vilarejo separa o rio do mar.

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