Lavanderias

Qual é o melhor investimento, espaço próprio ou terceirizado?

Uma das obrigações da hotelaria é oferecer um enxoval confortável e, acima de tudo, asseado. Para tanto, o hoteleiro deve escolher entre implementar uma lavanderia própria ou terceirizar o serviço. Mas, como saber qual é a melhor opção? O gerente de desenvolvimento internacional da Hydro Systems, Tim Nymberg, diz que essa questão pode soar como uma decisão complicada, quando na verdade é essencialmente simples.

Para o consultor, que possui mais de 25 anos de experiência no ramo, a finalidade de uma lavanderia é limpar roupas, no caso da hoteleira, lençóis, fronhas, toalhas, toalhas de mesa, guardanapos, uniformes etc. “Pensando assim, o hoteleiro deve se perguntar: será que existe uma lavanderia externa que possa nos fornecer um serviço de qualidade condizente com os valores que priorizamos em nosso empreendimento?”

Segundo Nymberg, a indústria de lavanderia no Brasil está no meio de uma evolução dramática. “Algumas estão se modernizando e se tornando mais profissionais, mas ainda há um grande número de empresas que utiliza equipamentos antiquados e não possui gerenciamento, o que resulta na total falta de capacidade para prestar um bom serviço”.

Diante disso, afirma o consultor, é necessário considerar alguns aspectos antes de contratar uma lavanderia terceirizada. “Vale a pena visitar as instalações e verificar a limpeza e a organização da empresa. Outro ponto importante é certificar-se de que o local não atenda hospitais, uma vez que bactérias e agentes patogênicos podem ser transferidos para o enxoval hoteleiro”, explica Nymberg.

Outro ponto importante diz respeito aos equipamentos e aos químicos utilizados. Máquinas automáticas de boa qualidade são indispensáveis para a oferta de um serviço apropriado. “Se uma lavanderia externa não puder atender a esses requisitos, então a decisão de implementar um espaço próprio deve ser considerada”, diz.

No entanto, ao optar por construir uma lavanderia interna, há a necessidade de avaliar alguns prós e contras, como informa o profissional. No campo dos benefícios estão o controle de qualidade e custos operacionais; a confiabilidade e rapidez na entrega das peças; e o atendimento de apenas um cliente. Do lado dos pontos negativos, destaque para o alto capital investido na compra de equipamentos; perda de espaço que poderia ser utilizado para geração de receitas; e responsabilidades de gestão adicionais, como contratações e treinamento.

Assim, o ideal é que o hotel invista em uma lavanderia moderna e que tenha gestão profissional. “Não opte por atalhos em busca do menor custo. Eles certamente resultarão em despesas significativas no futuro. Equipamentos de baixa qualidade quebram mais facilmente, o que resulta em interrupções de trabalho e desempenho inconsistente”, argumenta.

Equipamentos
Para equipar eficientemente uma lavanderia, Tim aconselha pensar no espaço com seus vários departamentos: Separação – inclui a utilização de carrinhos, máquinas de marcação para serviços de busca, balanças -; Sala de lavagem – máquinas de lavar e extratoras -; Secagem – secadoras -; Passadoria – calandras e dobradeiras -; Acabamento – equipamentos de lavagem a seco -; Complementares – equipamentos dosadores de produtos químicos.

“Um dos itens mais negligenciados em uma lavanderia é o sistema de distribuição de produtos químicos, apesar de possuírem baixo custo. Esses equipamentos são críticos em uma lavanderia, uma vez que são responsáveis por fornecer a quantidade exata de produto na hora certa dia após dia”, diz o consultor.
Segundo o profissional, se for utilizado pouco produto, a roupa pode apresentar manchas e, se a quantidade de químicos for exagerada, as fibras podem ser danificadas, o que acarreta na substituição prematura do enxoval; além disso, o ph do tecido torna-se impróprio, o que pode resultar em alergias nos clientes.

“Avarias frequentes em sistemas de distribuição de baixa qualidade podem desligar uma ou mais máquinas de lavar, resultando em backups de produção e custos de horas extras. Bons produtos proporcionam um meio eficiente de obter informações operacionais chave, como os relatórios de produtividade, de consumo de água e de produtos químicos’, explica.
Dois exemplos de hotéis de categorias totalmente opostas que optaram pelo serviço de lavanderia em suas próprias instalações foram o Grand Hyatt, na capital paulista; e o Majestic, localizado em Águas de Lindóia, interior do Estado. O primeiro, com 446 quartos, tem funcionamento para o hóspede 24 horas por dia, sete dias por semana. Já o atendimento aos outlets e governança funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 20h e aos sábados, domingos e feriados das 9h às 17h.

De acordo com a diretora de Hospedagem do empreendimento, Alexandra Bueno, o setor lava mensalmente uma média de sete mil peças de hóspedes, 70 toneladas de enxovais de cama, banho e restaurante e dez toneladas de uniformes. Para dar conta de toda essa produção, o setor emprega 38 pessoas, entre lavadores, auxiliares de lavanderia, passadores, costureiras, supervisor e gerente.

Muito bem organizada, a lavanderia do Grand Hyatt São Paulo está dividida em três áreas: Rouparia de Uniformes – equipada com quatro máquinas de costura, um conveiur (cabideiro eletrônico com capacidade para dois mil cabides); Rouparia Doméstica – composta por quatro mesas de passar, três prensas, um manequim de passadoria, duas máquinas de lavar de dez quilos e duas máquinas de secar de dez quilos, uma máquina de lavar a seco de 15 quilos; Lavanderia Industrial – possui três máquinas lavadoras extratoras de 100 quilos, uma máquina lavadora extratora de 60 kg e uma máquina lavadora extratora de 30 kg, quatro secadores de 60 kg e dois secadores de 30 kg, uma calandra monorrol com dobrador e empilhador e um dobrador de toalhas.

Para Alexandra, são muitos os pontos positivos de se ter uma lavanderia própria. “Além da praticidade, o Grand Hyatt São Paulo possui um enxoval de alta qualidade e, por isso, com um custo mais elevado. O hotel também preza pela qualidade final da apresentação dos enxovais aos clientes. A durabilidade e consistência adquirida na lavanderia própria dá a segurança para que o hotel tenha sempre o par stock necessário para assegurar a operação diária e uma reposição anual equilibrada e mínima”, explica.
“Não podemos esquecer que os riscos de perdas de enxovais quando trabalhamos com empresas terceirizadas é muito superior do que quando trabalhamos com a lavanderia própria. Um possível contra seria o próprio espaço que a lavanderia ocupa, que poderia ser utilizado para outra finalidade. Porém, quando comparamos ao preço praticado por lavanderias externas e levamos em consideração todos os pontos mencionados anteriormente, concluímos que a lavanderia própria é a mais indicada para um hotel com o nosso porte e excelência de atendimento e serviço”, finaliza a diretora.

O hotel Majestic, com 168 quartos, também possui lavanderia própria, mas não oferece o serviço para os hóspedes. Na alta temporada, o empreendimento chega a lavar duas mil peças de enxoval todos os dias e dispõe de dez funcionários para operar seis lavadoras, cinco turbinas que torcem as roupas, cinco secadoras e três calandras.

“A maior vantagem de se ter lavanderia própria é a qualidade do serviço, a possibilidade de se evitar surpresas desagradáveis com as peças de mesa, cama e banho, itens essenciais na hotelaria de qualidade. O cuidado com as peças garante maior durabilidade. No nosso caso, também otimizamos recursos, já que a nossa lavanderia se ocupa dos dois empreendimentos (Hotel Majestic e Recanto Bela Vista). Ganhamos em escala e na logística de transporte. Já como pontos negativos, temos de administrar uma estrutura grande, que não é nosso core business, perdemos uma área do hotel que poderia ser sala de eventos ou de lazer e há um investimento significativo na aquisição e manutenção do maquinário”, explica o CEO, Artur Bernardi.

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