Índia

DESCOBERTA E AUTOCONHECIMENTO

Quase sempre o destino de uma viagem é escolhido a partir das descobertas que ele propõe. Algumas vezes, eles surpreendem pelo poder de revelar o que têm. Se pensar em uma lista, a Índia deve encabeçá-la. A distância dos principais pólos emissores, nem sempre facilitada pelas ligações aéreas, mantém o país na 42a colocação no ranking dos principais destinos de lazer do mundo, com 522 mil visitantes estrangeiros computados em 2008.

Para os brasileiros, particularmente, com o início das operações da Emirates Airline, há cerca de dois anos e, recentemente, da Turkish Airline, Dubai e Istambul, respectivamente, tornaram-se as escalas naturais em direção à Índia. Também se pode chegar via Johanesburgo (África do Sul) com a South African Airways.

Considerada uma das operadoras especializadas em destinos exóticos, a Designer Tours, de São Paulo, não recomenda viagens com menos de 12 dias de duração e tem entre as opções roteiros de até 15 dias, que estendem a viagem a Katmandu, no Nepal, afirma a diretora Deusa Rodrigues.

Reserva-se dois dias para Delhi, Jaipur e Angra, um para Khajuraho e outro para Varanasi, já descontando o tempo das conexões e fusos horários. “Não há muito que ver em Khajuraho, mas vale pela curiosidade de conhecer a cidade de Mallanaga Vatsyayana, autor do Kama Sutra. Parte da sua obra está retratada nas estátuas esculpidas nas paredes de mais de 20 templos. Varanase é a cidade sagrada dos indianos. É nas escadarias de pedra construídas às margens do Ganges que eles se concentram para meditar, tomar banhos de purificação e fazer seus rituais de adoração”, conta a diretora. Também recomenda uma visita a Mumbai, onde fica Bollywood, a meca do cinema indiano, que se tornou mais popular no Brasil este ano após a exibição do filme “Slumdog Millionaire”, ou “Quem Quer ser um Milionário”, que faturou oito Oscars, entre os quais o de Melhor Filme de 2008.

A visita à capital, Delhi, Deusa diz que o turista pode dividir em duas etapas, um dia na chegada à Índia e outro no retorno ao seu país de origem. Isso porque a cidade se distingue entre a parte antiga (Old Delhi) – onde ficam os principais monumentos históricos, como o Forte Vermelho – e a moderna (Nova Delhi). Pela área antiga se chega mais facilmente a Agra, por exemplo, cidade que abriga o impressionante palácio Taj Mahal, uma das novas sete maravilhas do mundo, construído de mármore pelo imperador muçulmano Shah Jahan, em homenagem à sua esposa, a princesa Mumtaz Mahal, morta ao dar à luz ao 14º filho do casal. Levou 22 anos para ser edificado e envolveu o trabalho de 20 mil pessoas.

Hotéis são um capítulo a parte. Em Agra e Jaipur, por exemplo, é preciso destinar parte do tempo da viagem à hotelaria local, devido ao luxo e à grandiosidade. As melhores redes fincaram suas bandeiras em antigos palácios ou ao lado de construções e monumentos históricos, como o The Oberoi Amarvilas, que fica a pouco mais de 500 metros do Taj Mahal, apelos irresistíveis que dificultam qualquer plano de viagem econômica à Índia, a menos que você seja um monge budista.

Viagens de conhecimento

Mais especializada em viagens de conhecimento, a Latitudes, dirigida há cinco anos por Dede Ramos, tem um perfil mais diferenciado de público. Envia cerca de 200 turistas brasileiros por ano à Índia, público que, viajando em grupo, é composto 80% por mulheres, entre 35 e 65 anos, de classe media alta. “Para as viagens individuais, temos uma media igual de homens e mulheres. Elas costumam viajar em grupo para a Índia porque se sentem inseguras de estarem sozinhas”, justifica Dede, que tem um conceito próprio para definir uma viagem ao destino. ”Acredito que as viagens ‘normais’ podem ser feitas até pela Internet, mas as que prescindem de um conhecimento transmitido por guias que moram no país, ou especialistas em determinados assuntos, podem ter um contexto mais rico, duradouro e bem diferente para os clientes”.

Entre os hotéis mais utilizados, a Latitudes trabalha com categorias entre quatro e cinco estrelas, em sua grande maioria. “Na Índia temos dois tipos de hotéis cinco estrelas, os que denominamos business e os de luxo. Entre esses últimos, os mais vendidos são os que estão dentro de palácios, que se distribuem por várias cidades: The Imperial, em Delhi, Oberoi Amarvilas, em Agra, Umaid Bhawan, em Jodhpur, e Lake Palace, em Udaipur, entre outros. Em Rishikesh, por exemplo, considerada a capital mundial da Yoga, não tem hotéis acima de três estrelas, mas lá fica um dos melhores spas do mundo, o Ananda Spa”, lembra o diretor.

Com esse foco diferenciado, o público da Latitudes está bastante concentrado nos destinos mais tradicionais da Índia, como o Estado do Rajastão (Jaipur, Jodhpur e Udaipur), Delhi, Agra, Khajuraho e Varanasi. “Na Índia não tem mais aqueles lugarzinhos que não foram ainda explorados como acontece na Europa, por exemplo. Se o lugar não está nos guias é porque não tem hotéis bons ou infraestrutura de transporte que permita acesso aos visitantes”, atesta Ramos.

Em sua opinião, a superexposição do destino este ano, tanto no cinema quanto na televisão, estimulada pelas cenas exibidas na novela “Caminho das Índias”, da rede Globo, não surtiu efeito 100% positivo. “Isso aumentou a demanda, mas os serviços caíram de qualidade. Muitas agências se aventuraram a vender a Índia a qualquer custo, com hotéis mais baratos e serviços inadequados. Na próxima temporada acredito que a oferta voltará ao normal e creio que os aventureiros acabarão por desistir de vender o destino”.

“Na realidade, a Índia é um país muito diferente de todos que conhecemos. Temos exemplos de três irmãs viajando no mesmo carro, utilizando os mesmos hotéis, com os mesmos guias e quando elas descrevem a viagem, são três relatos completamente diferentes”, conclui.

Com ou sem estímulo visual, a partir de janeiro de 2010, os brasileiros terão outra opção de viagem pela Índia, com o início das atividades do Maharaja Express, um dos trens mais luxuosos do mundo, que será operado em parceria pela empresa de receptivo Cox & Kings, representada no Brasil pela Top DMC, do Rio de Janeiro, e a The Royale Rail Tours. O trem tem capacidade para até 86 pessoas, distribuídas entre 42 cabines, além da suíte presidencial (um vagão inteiro) e percorrerá os principais destinos turísticos, em quatro diferentes opções de roteiros, todas com as refeições incluídas.

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