Incêndio: prevenção

CONSCIENTIZAÇÃO É A PRINCIPAL ARMA

Tratando-se da prevenção de incêndio em empreendimentos, a conscientização sobre a necessidade de observar a legislação e as normas técnicas existentes é a principal arma. No Brasil, leis obrigam a instalação de equipamentos de segurança em locais de trabalho, a indústria os produz com qualidade reconhecida e existem normas técnicas eficientes. Portanto, para evitar ocorrências, é fundamental uma atitude responsável, tanto por parte da administração das edificações como do usuário.

A opinião é do engenheiro Irineu Büller Almeida Jr, presidente do Sindicêndio
(Sindicato Nacional da Indústria, Comércio, Manutenção e Prestação de Serviços, de Material, Equipamentos e Instalação de Sistemas de Prevenção e Combate a Incêndio). Há 47 anos, ele atua no setor e afirma que houve época em que a manutenção dos equipamentos, prevista em leis, não era realizada de modo eficiente, pois as normas técnicas possibilitavam que pequenas empresas fraudassem o procedimento. Hoje, esse problema está sanado.

Esse processo de moralização das normas de serviços e de manutenção teve início quando o órgão gestor deste sistema, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), delegou as OCPs (Organismos de Certificação de Produtos) ao Ipem (Instituto de Pesos e Medidas). O último passo foi concluído em abril. Com a participação de profissionais do setor, o Inmetro finalizou a revisão das normas da Portaria 158/2006, que trata da Regulamentação de Avaliação de Conformidade. Depois de divulgada, essas alterações estão abertas à consulta nacional e, em seguida, entrarão em vigor.

A prevenção de incêndios em edificações está prevista em leis federais. Além disso, cada Estado tem sua legislação. Em São Paulo, as edificações antes de construídas devem prever os sistemas contra incêndios a serem instalados. Esse projeto é encaminhado ao Corpo de Bombeiros, que verifica as especificações: porta corta fogo, sprinkler, mangueira, hidrante,etc. Depois da construção, é feita vistoria e, se tudo estiver de acordo, é expedido o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiro). As edificações existentes também devem desenvolver um sistema contra incêndio, também aprovado por essa corporação. Em ambas, é obrigatória manutenção periódica.

Além dos equipamentos funcionais, a legislação obriga a existência da uma brigada de incêndio: grupo de pessoas treinadas e capacitadas para atuar na prevenção, no combate ao princípio de fogo ou ao incêndio, no abandono da área preestabelecida e na prestação dos primeiros socorros. Esse pessoal deve ser periodicamente treinado e reciclado. Nas ações preventivas não se admite erros. Qualquer descuido é fatal.

Um caso exemplar

Contando com 780 apartamentos, o Holiday Inn Parque Anhembi (rede InterContinental), em São Paulo, é considerado o maior hotel em números de UHs da América do Sul. Tendo a segurança do hóspede como uma das prioridades, observa rigorosamente as legislações e as normas de prevenção de incêndio. José Alvaro Monfinato, gerente de serviços e segurança, sintetiza os procedimentos observados no empreendimento.

O hotel dispõe de um arsenal de equipamentos contra incêndio, incluindo detectores de fumaça que, de tão sensíveis, são acionados se o hóspede se esquecer a porta do banheiro aberta durante um banho quente. Durante as 24 horas do dia, em uma central, uma equipe acompanha o funcionamento de todo esse sistema e está preparada para, ao ouvir um alarme, estar diante do local em apenas quatro minutos.

Conta com uma brigada de incêndio com 56 pessoas certificadas pelo Corpo de Bombeiros. Do subsolo ao 13º andar, tem um líder de brigada que determina quais as ações que cada um tem a cumprir. Semestralmente, são realizam treinamentos que simulam o abandono do prédio. Nessas ocasiões, os hóspedes são avisados e convidados a participar. Todos elogiam e muitos aderem ao treino.

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