Huilo Huilo

Uma reserva biológica de 100 mil hectares em meio à selva patagônica chilena

Um destino ainda pouco explorado pelos brasileiros está ganhando espaço na prateleira do turismo chileno. Descoberto e desenvolvido graças à iniciativa visionária de um empresário do ramo da mineração, em Santiago, Huilo Huilo transformou-se, em menos de uma década, em um grande complexo turístico-hoteleiro que hoje movimenta toda uma cadeia produtiva e dá sustento a uma população que vivia do corte irresponsável e da comercialização desordenada da madeira.

Durante muitas gerações, essa prática se manteve como única forma de subsistência para os remanescentes da tribo indígena Mapuche e seus descendentes. A grande sacada do empresário
Victor Petermann foi começar a desenvolver seu master plan a partir da conscientização da comunidade, não apenas local como do seu entorno, a cerca das inúmeras alternativas possíveis com a exploração do turismo. A mensagem foi compreendida, o plano aprovado e desde então é com o mesmo cuidado que Petermann dá continuidade ao projeto idealizado com base nos pilares da integração, sustentabilidade e qualidade de serviços.

A área de cem mil hectares encravada no coração da selva patagônica chilena compreende uma reserva biológica rica em espécies e espécimes da flora e fauna – alguns em extinção, como os huemules -, lagos de origem glacial, quedas d’água impressionantes, montanhas e um vulcão a nada menos que 2,4 mil metros de altura. Um leque e tanto de atrativos para turista de aventura nenhum botar defeito. Em meio a esse cenário é possível praticar canopy (tirolesa), trekking, mountain bike, canoagem, cavalgada, pesca e diversas modalidades de esportes de neve, até mesmo em pleno verão, na área da Reserva Nacional Mocho Coshuenco, nome que batiza o vulcão. Toda a propriedade hoje pertence ao empresário Victor Petermann, mas cabe aos membros da comunidade a exploração das atividades turísticas. O complexo emprega gente de pelo menos três municípios da província de Los Rios, além de Panguipulli, onde se localiza Huilo Huilo.

Crescimento sustentável
Atualmente a ocupação dos hóspedes se distribui entre os hotéis Montanha Mágica (o mais antigo), um lodge com apenas 12 quartos construído com materiais nobres por artesãos das comunidades de Neltume e Porto Fuy. Como o próprio nome sugere, a construção transpira encantamento como, a rigor, acontece também com as instalações do Nothofagus Hotel & Spa, antes chamado Baobab, em alusão à árvore milenar citada no livro O Pequeno Príncipe e que inspirou o desenho da construção.

Ele é o segundo mais antigo da reserva, foi inaugurado há sete anos, e o maior até o momento, com 55 quartos distribuídos em sete andares. Todos os quartos são muito amplos, confortáveis e têm vista para o bosque e as montanhas. De alguns é possível avistar o vulcão Mocho Coshuenco.
O mais exclusivo meio de hospedagem da reserva é o Nawelpi Lodge, distante 500 metros dos outros dois e localizado às margens do rio Fuy. Ele tem 12 quartos de categoria luxo, distribuídos em seis módulos geminados e oferece carrinhos de golfe para a locomoção dos hóspedes pela
propriedade.

Quem visitar Huilo Huilo nesta temporada já poderá conhecer a quarta instalação da propriedade, o Hotel Reino Fungi, com 22 quartos de categoria Premium, distribuídos por três pisos e conectados por rampas ao edifício das salas de convenções e ao Lawenco Spa, de práticas holísticas.
Outra opção de hospedagem, mais econômica, são as cabanas espalhadas pelo bosque ou as casinhas do Canopy Village, construídas em meio às arvores (a cinco metros de altura do solo), que podem acomodar de duas a cinco pessoas. O complexo também oferece espaço para quem deseja acampar.

A responsabilidade de ocupar uma área de tamanha importância ambiental norteia os planos de expansão de Huilo Huilo. Ainda há muita área a ser ocupada e não falta criatividade e ousadia ao empresário Victor Petermann, que não descarta a possibilidade de construir ali um campo de golfe profissional – também não falta espaço nem pedidos de hóspedes amantes desse esporte. Para um futuro bem próximo (já há instalações no local) o projeto de ampliação contempla um teleférico e, posteriormente, um hotel no topo da montanha com acesso único por esse equipamento.

As práticas de sustentabilidade adotadas no complexo, ancoradas por ações e iniciativas da Fundação Huilo Huilo – criada justamente com esse propósito -, têm merecido reconhecimento internacional. Na edição 2012 do Virgin Holidays Responsible Tourism Awards, Huilo Huilo foi nomeado o melhor destino do mundo na categoria Conservação da Vida Silvestre e Habitat, concorrendo com outras 1,6 mil localidades de diferentes partes do planeta. “Este prêmio significa uma grande oportunidade para o turismo sustentável e de conservação no Chile e América do Sul, pois potencializa uma grande imagem do país frente ao mundo, ademais, nos dá esperança de que podemos ser líderes neste tipo de iniciativa em nível mundial”, diz Alexandra Petermann, que dirige a reserva ao lado do pai.

O reconhecimento público é atestado pelo fluxo contínuo, que nos meses de verão pode chegar a 33 mil turistas – viajantes domésticos, na grande maioria. Para os chilenos, Huilo Huilo já é o segundo principal polo receptor, depois de Torres de Paine, e tem superado destinos tradicionais como San Pedro de Atacama, Ilha de Páscoa e Villarica. Para os brasileiros, entretanto, o destino está longe da consolidação. Em 2011, dos 328.274 turistas que visitaram o Chile, apenas 202 estenderam a viagem até Huilo Huilo, e em 2012 o fluxo se manteve muito próximo disso. Na contagem de janeiro a outubro, o complexo havia registrado a visita de apenas 245 brasileiros. A criação de uma fan page no Facebook no final do ano passado, com imagens e informações em português, está entre os esforços promocionais do destino para reverter essa realidade.

A viagem a partir do Brasil deve ser feita via Santiago, com duas opções de conexão – Valdivia ou Temuco – ambas viagens curtas, de aproximadamente 1h40. A partir daí, no entanto, não há ligações aéreas e o trajeto até Huilo Huilo deve ser feito por terra, em um percurso um pouco mais longo, de 2h30. Qualquer que seja o caminho escolhido, vale a pena conferir de perto esse pedaço impressionante da patagônia chilena.

Mais informações: https://www.facebook.com/reservahuilobrasil e www.huilohuilo.com.

* A Revista Hotelnews viajou a convite da Reserva Biológica Huilo Huilo.

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