Hotelaria de lazer regional reabre e surpreende

Por Pedro Cypriano

Já são mais de quatro meses de pandemia e, finalmente, um dos sinais de recuperação da hotelaria começa a ganhar força: empreendimentos de lazer com demanda regional reabriram e as ocupações foram acima do esperado. É um passo pequeno para a normalização do setor, mas importante e que merece ser celebrado. Entendamos os principais resultados e os desafios que vêm pela frente.

Ocupação nos finais de semana superam 50%
Apesar da reabertura parcial, os apartamentos disponibilizados no pool tiveram boa procura e, em alguns casos, receberam lotação máxima até mesmo em resorts. Há grande demanda reprimida no setor e com a reabertura dos negócios as reservas tendem a crescer. Apesar da crise sanitária e econômica, o dólar alto e a restrição para viagens internacionais induzirão nova demanda de lazer pelo Brasil.

Pick-up de reservas ainda é curto, mas se intensifica
As primeiras reservas pós-reabertura foram para uso imediato, o que ainda é presente no setor. Porém, pouco a pouco, a confiança se reestabelece e os bloqueios para datas mais distantes se intensificam. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a procura pelos feriados de 7 de setembro e de 12 de outubro está entre 20% e 30% abaixo do natural para o momento.

Período de permanência do hóspede de lazer cresce
Para além da tradicional entrada na sexta-feira e saída no domingo, parte dos hóspedes estendeu o seu período de permanência nos hotéis. Durante os dias úteis a procura é substancialmente menor, porém existente em alguns empreendimentos.

Tendência de reabertura se intensifica
No início de julho, a expectativa dos gestores de hotéis de lazer já era de reabrir os empreendimentos até agosto, chegando a 75% das unidades habitacionais no pool de hospedagem. Com os resultados recentes positivos, a tendência de reabertura ganhará força. Um desafio para a normalização total da oferta será compatibilizar a alta procura nos períodos de pico com os novos protocolos operacionais necessários para não aglomerar os hóspedes.

Começamos bem, mas a recuperação está apenas no início
Apesar da procura pelos períodos de pico sinalizar crescimento, durante os dias úteis a ocupação é baixa, com poucas exceções. Além disso, o início do retorno da demanda de eventos é esperado com mais clareza apenas para 2021, o que torna mais desafiador chegar ao desejado break-even este ano nos empreendimentos com essa vocação.

Outros pontos de atenção
As curvas de contágio da Covid-19 ainda são altas. Sem uma clara tendência de queda, o risco de interrupções no ritmo de recuperação da hotelaria é alto. Outro ponto a ser considerado é que em destinos dependentes de acesso aéreo, os sinais de procura são mais fracos. As pesquisas cresceram, mas as reservas ainda são baixas.


Pedro Cypriano é sócio da HotelInvest


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