Hotéis em aeroportos

Os melhores do mundo e os planos para o Brasil

É senso comum de que o maior legado que os jogos mundiais deixarão para o Brasil são as melhorias infraestruturais nos equipamentos turísticos e na área urbana, especialmente do ponto de vista da mobilidade, carente especialmente nos grandes centros.

São doze as cidades brasileiras que sediarão jogos da Copa do Mundo, em 2014, e pelo menos cinco delas incluem entre os projetos a construção de hotéis de terminais nos aeroportos principais – Congonhas (SP), Tancredo Neves/Belo Horizonte (MG), Salgado Filho/Porto Alegre (RS), Santos Dumont (RJ) e Vitória (ES), além de Brasília (DF) e Galeão (RJ) já licitados para os grupos Reobote e GJP, respectivamente. Para o Santos Dumont, inclusive, há duas áreas disponíveis, contando com o antigo prédio da Vasp, que está desativado.

Segundo o superintendente de Negócios Comerciais da Infraero, Claiton Resende Faria, a concessão de áreas para a exploração de hotéis é pública e as divulgações ocorrem por veículos igualmente públicos e de forma igualitária. Sendo assim, os potenciais interessados se manifestam apenas durante o período em que o edital de licitação é publicado.

Ambas as áreas aprovadas já receberam a visita de técnicos da Infraero para estudo prévio e análise da viabilidade destes e outros projetos que prevêem a construção de hotéis em outros aeroportos administrados pela rede aeroportuária. Atualmente, segundo o superintendente, a empresa prepara os requisitos para a elaboração de novos editais.

Claiton Faria explica que as condições para os empreendimentos hoteleiros, de forma geral, não se distinguem dos demais. “Há um contrato em que ambas as partes possuem direitos e deveres, sem que a Infraero interfira de forma direta na administração do negócio. Contudo, a empresa interessada deverá prestar informações sobre o comportamento financeiro do empreendimento, bem como cumprir com os estabelecido na Portaria nº 100 do Ministério do Turismo, que institui o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass) e estabelece os critérios de classificação de hospedagens. Além disso, a participação de uma empresa na licitação será condicionada à comprovação de já possuir experiência na exploração da atividade hoteleira”.

Entre os equipamentos em que já foi identificada a demanda para a implantação de projetos hoteleiros, Faria aponta os aeroportos de Confins (MG), Porto Alegre (RS), Santos Dumont (RJ), Congonhas (SP), Curitiba (PR) e Vitória (ES).

O superintendente lembra, ainda, que a Infraero não interfere na administração do empreendimento. “Para que o negócio de concessão seja bem-sucedido, é formatado prazo contratual suficiente para que o concessionário possa amortizar seu investimento e receber retorno financeiro satisfatório. As concessões são processos licitatórios públicos, na modalidade de concorrência internacional. Portanto, atendidos os critérios do Edital, pode contar com a participação de capital estrangeiro.

DIFERENTES MODALIDADES

Paulo Mélega, especialista em gestão hoteleira, explica que há basicamente dois tipos de hotéis de aeroporto. “O primeiro e mais comum no Brasil é o hotel de entorno de aeroporto, ou seja, localizado nas proximidades do terminal de passageiros, o que geralmente significa uma distância média de três quilômetros. Inclui-se entre essas opções o Marriott São Paulo Airport, próximo ao aeroporto de Guarulhos e inclusive eleito o melhor da América do Sul no World Airport Awards de 2011”. Com a mesma configuração, Mélega aponta o projeto da Átrio Hotels para a instalação de um Novotel, em Porto Alegre.

Dentro dos terminais, propriamente, o Brasil possui apenas dois hotéis em operação, o Luxor, no Galeão (RJ), e o Sleep Fast em Guarulhos (SP), este último administrado pela Slaviero. Já no resto do mundo, os hotéis de terminal de aeroporto são extremamente comuns. “Alguns são referência, como o os localizados no Charles de Gaulle, em Paris, com bandeiras como Sofitel, Novotel e Ibis, o do aeroporto de Chicago (EUA), uma referência pela área de convenções, e tantos outros na Ásia”, lembra Mélega.

A unidade da Luxor, no Galeão, fica no terceiro andar do Terminal 1, a poucos passos dos saguões de embarque e desembarque. O público alvo são passageiros em conexões entre voos, que viajam para uma reunião específica de trabalho em local estratégico ou os que têm a permanência postergada por motivos alheios à própria vontade, como panes, mau tempo, falta de visibilidade no aeroporto ou questões técnicas envolvendo os próprios aviões. Para esse público, oferece 62 apartamentos equipados com minibar, TV a cabo, música ambiente, telefone, ar condicionado central, cofre individual e serviço de quarto 24 horas.

Em Guarulhos, o Sleep Fast têm um perfil mais econômico, oferecendo cabines com cama, banheiro, TV e internet, o suficiente para um banho, algumas horas de sono, trabalho, ou apenas um pouco mais de privacidade e conforto enquanto se aguarda o embarque.

No Aeroporto de Guarulhos, a Slaviero opera uma unidade no piso térreo da asa C do terminal 2 e outro na área de embarque internacional, no conector entre os terminais 1 e 2. Os quartos são semelhantes às cabines de navio ou trem, medindo 1,60m x 2,10m, aproximadamente, com uma cama simples de 1,90m x 0,80m ou beliche duplo, com ou sem banheiro anexo. As cabines oferecem TV, ar-condicionado central, tomada de energia elétrica para recarregar o celular ou usar o notebook, internet grátis e telefone com cobrança extra.

As cabines podem ser locadas por hora (mínimo uma), por período ou ainda por diária, como no sistema tradicional. Em todos os casos está incluído o banho e há opções com preço reduzido para quem não precisar permanecer na cabine.

É grande a procura também pelos hotéis que ficam apenas nas proximidades, como o Caesar Park e Caesar Business, em Guarulhos, os Ibis de Congonhas, Santos Dumont e Porto Alegre e os administrados pela Slaviero em Curitiba e Congonhas, este aberto recentemente e já com a ocupação sempre próxima de 100%.

TOP 10 NO MUNDO
Anualmente, a empresa de consultoria britânica Skytrax, especializada no mercado de aviação, aponta um ranking com os melhores hotéis de aeroporto do mundo, segundo pesquisa baseada em 11,38 milhões de questionários preenchidos por passageiros de 100 diferentes nacionalidades e companhias aéreas em 240 aeroportos internacionais. São objeto de avaliação na pesquisa perto de 40 diferentes itens, como check-in, área de desembarque, transfer usado entre o hotel e o portão de embarque, instalações, facilidades e qualidade no atendimento.

Na lista deste ano, o grande vencedor foi o Regal Airport Hotel Hong Kong, na opinião dos passageiros ouvidos na pesquisa. Conectado diretamente ao terminal de passageiros do aeroporto internacional de Hong Kong por uma ponte climatizada, o Regal Airport Hotel Hong Kong oferece nada menos que 1,171 apartamentos, estrutura para eventos e convenções, seis restaurantes e bares e áreas de lazer que incluem um luxuoso spa e duas piscinas, externa e interna, com aquecimento.

Confira a lista completa:
1 Regal Airport Hotel Hong Kong (HKG)
2 Crowne Plaza Changi Airport (SIN)
3 Sofitel London Heathrow (LHR)
4 Kempinski Hotel Airport Munich (MUC)
5 Fairmont Vancouver Airport (YVR)
6 Langham Place Beijing Capital Airport (PEK)
7 Pan Pacific Kuala Lumpur Airport (KUL)
8 Hyatt Regency Incheon (ICN)
9 Stamford Plaza Sydney Airport Hotel (SYD)
10 Novotel Suvarnabhumi Airport Bangkok (BKK)

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