Hotéis Boutique

Nicho tem no público a garantia de um futuro promissor

Mesmo sem um conceito claro, nicho tem no público a garantia de um futuro promissor
Pouca ou nada coisa mudou em relação aos critérios que definiam o conceito de um hotel boutique quando ele surgiu no mundo, em meados da década de 80. Richard Garland, diretor da Richmond International, em um artigo escrito para a própria revista Hotelnews há cerca de dez anos, definia que para se enquadrar nessa categoria, o empreendimento deveria ter no máximo 100 unidades habitacionais, muita personalidade e estilo, e contar com o que chamava de “uma combinação impecável de instalações e serviços”. Uma atmosfera de privacidade, com um toque fashion, como diríamos hoje.

O que mudou, de fato nessas três décadas, foi a quantidade de hotéis operados em todo o mundo sob o conceito, boa parte deles sem uma chancela oficial, como destaca Gabriela Otto, da GO Consultoria, outra especialista no mercado de luxo. De acordo com a consultora, alguns executivos hoteleiros reclamam que a classificação mundial por estrelas não funciona para certos hotéis e esse é o caso dos boutiques, que acabam ‘perdidos’ com a falta da adequada categorização. Nem mesmo o Brasil na recente classificação hoteleira introduzida pelo Ministério do Turismo contemplou a categoria entre as primeiras sete matrizes.

Em seu blog Propagando o Marketing, Gabriela explica que inicialmente a expressão foi criada para descrever o Morgans Hotel, inaugurado em 1984 em Nova York (EUA), e idealizado pelo empreendedor Ian Schrager em conjunto com o famoso designer Philippe Satarck. Na mesma época surgiram os hotéis Blakes, em Londres, no Reino Unido, e o The Bedford, em San Francisco (EUA).

Na opinião de Gabriela, no entanto, com o passar do tempo alguns erros foram cometidos no processo de criação do termo hotel boutique. “Em primeiro lugar a definição nunca foi devidamente esclarecida para o público em geral. Depois, a falta de proteção da marca levou a abusos. Desde então, milhares de hotéis aproveitaram o embalo. Hoje, não é difícil encontrar hotéis boutique de 800 apartamentos, administrados por grandes redes e com serviços variando entre a máxima indulgência até o que há de mais high-tech na indústria da hospitalidade”, ressalta a consultora.

Com os atributos iniciais mudou também a demanda por esse tipo de produto. Hoje quem domina o público são jovens com alto poder aquisitivo que preferem experiência em detrimento do conforto dos tradicionais hotéis de luxo. “Se depender das gerações X e Y, o futuro dos hotéis boutique está garantido”, atesta Gabriela.

A consultora afirma, ainda, que a ideia original do hotel boutique se transformou em design, o que torna ainda mais confusa a correta interpretação do conceito. “Schrager e Starck continuam trabalhando em projetos exclusivos e decretam que a essência dos novos boutiques transforma o lobby em espaço vivo, com total interação dos hóspedes. Tanto é que o novo termo no momento é o ‘lobby socialising’. Isso mantém o estilo “descolado”, sem transformá-los em hotéis de negócios”, explica.

A ideia é criar uma experiência de hotéis como teatros, considerando que, muitas vezes, o objetivo de quem os frequenta é o de ver e ser visto. Um item quase proibitivo a essa categoria de hotel são as áreas de eventos, sob pena de comprometerem a sensação de privacidade e a atmosfera de ‘casa fora de casa’. Gabriela lembra que um dos empreendimentos que inovaram nesse sentido foi o Soho Hotel, de Nova York, ao criar uma sala de cinema como espaço para eventos. “Boa parte dos empreendimentos costuma agregar à sua marca produtos de alta qualidade, desde amenities, alimentos & bebidas, uniformes feitos por estilistas reconhecidos etc”. A consultora atribui a chegada da rede W Hotels, em dezembro de 1998, a definitiva transformação dos hotéis boutique, design e aqueles focados no estilo de vida (lifestyle) em grandes fenômenos internacionais.

A associação norte-americana BLLA (Boutique & Lifestyle Lodging Association) criou definições para algumas terminologias já estabelecidas com o objetivo de eliminar a confusão do segmento. Veja quais são eles:

– Hotel Boutique – ambiente de hotel intimista, geralmente luxuoso e elegante, próprio para uma clientela muito particular.[
– Lifestyle hotel – propriedade que combina elementos vivos e atividades com design funcional, oferecendo aos hóspedes a oportunidade de explorar a experiência que eles desejam.

– Hotel Boutique de Luxo – ambiente extremamente luxuoso criado para expressar experiências de estilo de vida únicas (sinônimos de saúde e bem estar).

Fashion Hotels – experiências especiais em propriedades que têm um design único, restaurantes exclusivos e conceito de moradia notável. Sua tematização é moderna e proporciona uma atmosfera de “fazer acontecer”.

– Hotéis Design – arquitetura única, onde o design de interiores é tão importante quanto o colchão. Estilo, juntamente com preocupação ambiental, são fatores vitais. Hotéis Design variam de acordo com as habilidades únicas dos seus criadores. Expressão artística, funcionalidade e imaginação se mesclam para tornar os hóspedes dos hotéis não só confortáveis, mas em constante estado de contemplação através da visão criativa do designer.

– All Suites – pelo menos um quarto separado da sala de estar. Muitas vezes, estes hotéis oferecem frigobar ou recursos de cozinha (apropriados para long stays).

Hotéis Arquitetônicos – design único e posicionamento através da construção do conceito de arquitetura. Eles atraem hóspedes interessados em permanecer em um lugar que quebre o molde do projeto de construção por dentro e por fora.

– Hotéis Artísticos – combinação de espaço high-end e uma obra de arte. O hóspede de um hotel artístico tem a sensação emocionante de estar vivendo em uma exposição de museu de arte moderna. Estes hotéis especiais são a mais recente combinação de expressão artística e hospedagem new-age.

– Avant-Garde Hotéis – exemplo de hotel artístico. Empurram as expectativas de um quarto de hotel para um estilo de vanguarda. Incomuns, peculiares, artísticos, funky. Tudo isso pode descrever um hotel de vanguarda.

– Classy Hotels (Hotéis Elegantes) – arte elegante, ambiente diferenciado, serviço high-end do início ao fim.

Fonte: Propagando o Marketing by Gabriela Otto.

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