Gift corporativo

Com o conceito bem aplicado à marca, um souvernir pode perpetuar a experiência de um evento

Em meio a tantos itens que compõem a pauta de um evento corporativo, da programação ao catering, animação e o próprio destino em que ele se realiza, um souvenir entregue aos participantes no final pode ser a garantia de que aquela experiência será perpetuada. O termo brinde, considerado desgastado e até politicamente incorreto pelos organizadores de eventos, foi substituído por gift, mas qualquer que seja a nomenclatura, o importante é que o item oferecido cumpra o papel de marcar aquele momento que empenhou tanto trabalho, tempo e dedicação dos organizadores.

Alexandre Marques de Almeida, executivo de Relacionamento do grupo Flytour/Amex, acredita que todo esforço é válido na intenção de agregar valor à organização de um evento. “O foco do cliente nesse momento está inteiramente voltado à programação, à lista de presença e muitas vezes esse detalhe final passa despercebido. Boa parte dos clientes não pensa no souvernir, mas quando o inserimos na proposta ele é sempre bem aceito”, afirma o executivo que, no entanto, diz que a troca de ideias com a empresa é fundamental. “Para alguns segmentos ou mesmo etnias, por uma questão cultural, a entrega de brindes é inclusive vetada, ou restrita a itens muito específicos, por isso, toda a ação deve ser discutida previamente”.

A atenção a esses diferenciais estimulou a empresa Check It Out Souvenirs a direcionar a aposta nos segmentos corporativo e de turismo de negócios, onde enxergou uma carência de fornecedores capazes de atender esse público tradicionalmente mais exigente com a qualidade. “São mercados que compreendem a importância de trabalhar com produtos mais elaborados, exclusivos e, sobretudo, personalizados com a sua marca”, conta a diretora de Marketing, Melissa Nechio.

No portfólio da empresa, que ainda não completou um ano de atividades, já foram incluídas peças inspiradas nas principais atrações do eixo Rio-São Paulo e outras localidades brasileiras que estarão mais que em alta em ano de Copa do Mundo e Olimpíadas. “Criamos oito desenhos para São Paulo e um para o Rio e eles já estampam vários dos nossos produtos”, informa. “Observando a mudança de comportamento do público que hoje questiona a origem do que consome, criamos também uma linha de produtos sustentáveis que tem como carro-chefe uma bolsa produzida com lona reciclada”.

Como diferencial, segundo a diretora, e ainda seguindo essa linha de valores e conceito agregados ao produto, a empresa substituiu as tradicionais etiquetas por tags marcadores de páginas, produzidos com um QR – um código de barras bidimensional – que dá acesso ao site com as informações sobre o ponto turístico ou a cidade escolhida para o tema. “No caso da linha sustentável, esse tag é feito com papel semente que também pode ser plantado dando origem a uma erva aromática ou flor, demonstrando o cuidado da empresa ou marca representada com a natureza”, completa.

Encantamento
Quando a ordem é encantar, todo o cuidado é pouco na escolha da produção e a famosa máxima do ‘menos é mais’ não emplaca muito não. Que o diga Virgínia Chagas, do Marketing da Tour House, que já chegou a produzir um kit com mais de 50 itens para convidados de uma viagem de incentivo organizada pela empresa. Deu trabalho, mas a recompensa veio na superação da expectativa do cliente e na conquista de um Prêmio Caio no ano passado.

O case que envolvia uma viagem à Rússia foi pensado ao pormenor e, claro, começou com uma pesquisa ampla e irrestrita sobre a história, cultura e principais atrativos do destino, que inspiraram a tematização de cada uma das peças do kit. “A ideia vai muito além do brinde quando o objetivo é fazer chegar ao cliente a imagem que aquela marca deseja transmitir”, explica Virgínia, para quem o briefing que antecede o desenvolvimento é essencial para o sucesso do projeto. Da equipe de quatro pessoas supervisionada por Virgínia nada pode escapar. “Temos um profissional responsável pela criação, outro pelo desenvolvimento da campanha e outro pela produção, mas tudo começa no trabalho de pesquisa”, completa.

No case da Rússia, o encantamento começou com a entrega de uma mala personalizada (com o nome completo ou as iniciais do convidado) contendo um boné ou uma echarpe, se homem ou mulher – ou ambos, quando o convite é extensivo ao casal -, tag de bagagem, porta-vouchers e um guia com informações sobre o destino, além do programa completo da viagem, em papel timbrado já com algum elemento que remeta àquele país. No dia do embarque, a empresa acrescenta balas, água (geralmente de alguma marca local do destino da viagem), um par de meias de compressão, ideais para viagens de longa direção, adaptador de tomada universal e até uma balança de viagem pra conferir o peso da bagagem. “O alinhamento é a chave, todas as peças têm que conversar entre si e o objetivo final é fazer com que o convidado se sinta único”, ensina Virgínia.

O clima de encantamento acompanha os participantes durante toda a viagem, com a entrega da programação diária em uma espécie de calendário que, ao final, pode se transformar em um porta-retrato, acompanhado de outro mimo, que no caso dessa viagem à Rússia era uma mini matrioska, aquela bonequinha típica local, feita em tecido e aromatizada. Com a primeira era entregue também uma caixa, para que elas pudessem ser guardadas juntas no final.

Não há marca que não seja lembrada com tanta dedicação, que se estende a cada momento. Virgínia lembra que quando o evento acontece em viagens, como é o caso da quase a totalidade dos incentivos, os cuidados se intensificam porque há muito detalhe envolvido, e o timing nesse momento é fundamental porque cada ação tem uma hora certa para acontecer. “A gente pensa em tudo, imagina o que pode ser necessário para tornar aquela viagem mais agradável e acrescenta”, conta Virgínia, que como exemplo lembra os eventos que acontecem em destinos religiosos. “Em alguns templos não é permitida a entrada de mulheres com a cabeça descoberta. A gente sabe disso e já prevê que mesmo sendo avisadas antecipadamente, muitas vão esquecer esse detalhe, então já ficamos a postos na porta com uma boa quantidade de lenços para distribuir”.

O trabalho afinado da equipe supervisionada por Virgínia deu tão certo que hoje o departamento trabalha quase como uma terceirização dentro da empresa, e já é contratado até mesmo por clientes que não têm o evento organizado pela Tour House.

Deixe uma resposta