Gerenciadores de projetos

A movimentação intensa de novas construções no setor evidencia a importância desse profissional

O novo boom que o setor hoteleiro já vivencia e deve se intensificar nos próximos dois anos, fez surgir no mercado uma nova categoria de profissional, o gerenciador de projetos. Talhado para auxiliar na otimização do tempo de execução dos projetos e realizar o planejamento das disciplinas envolvidas, essa categoria de gestor tem de conhecer um pouco de cada expertise do projeto, compreender a sistemática, ter experiência no acompanhamento de obras e assim garantir a interface da operadora hoteleira com o corpo técnico.

“Com prazos enxutos e o crescente aumento de demanda em virtude dos eventos esportivos que o Brasil vai sediar nos próximos anos, as construtoras, incorporadoras e as próprias redes hoteleiras têm trabalhado cada vez mais com o respaldo desses profissionais. Para a área de hotelaria, eles trabalham também como uma espécie de supervisor, preocupados em manter as premissas das cadeias de hotéis, fazendo uma interface com as diretrizes técnicas de cada construtora e as necessidades de cada contratante”, explica a arquiteta paulista Renata Marques.

“Participamos desde o projeto ajudando a eliminar pontos vulneráveis da planta que possam resultar em futuros problemas ou falhas na execução. Outra vantagem é o estabelecimento de um cronograma de projetos, que permita um melhor aproveitamento da mão de obra envolvida na construção”, explica Renata, lembrando que outro serviço importante e especialmente desenvolvido para o segmento de hotelaria é o acompanhamento da própria execução da obra. “O gerenciador atua na verificação das soluções adotadas em projeto e, eventualmente, nas adequações in loco que se façam necessárias durante a execução.

Acompanhamos passo a passo todas as etapas desde o projeto até a entrega da obra. Somos uma espécie de fiscal que zela para que a obra seja entregue dentro dos parâmetros exigidos pela empresa e já definidos em projeto que regem as instalações de cada empresa. Mantendo a identidade independentemente das características específicas de cada unidade”, complementa.

A flexibilidade é uma característica fundamental a quem pleiteia uma vaga na área, considerando que ele terá de transitar e interagir com uma gama variada de profissionais envolvidos desde o projeto até a execução plena da obra. Incluem-se aí desde os responsáveis pela estrutura e segurança das instalações até representantes do poder público e do setor de fiscalização na etapa que envolve a liberação de alvarás de funcionamento mediante vistoria in loco. “Esse profissional tem de atuar em sintonia direta com as Secretarias de Planejamento, Meio Ambiente e Obras, entre outras”, como acrescenta o advogado e consultor ambiental, Auro de Quadros Machado.

O gerenciamento adequado desde o projeto e início da construção pode garantir facilidades ao empreendimento até mesmo em fases posteriores à operação, como quando for necessário contratar um serviço de segurança patrimonial, como destaca Chen Gilad, diretor da Haganá Segurança, empresa especializada no segmento. “Alguns conceitos importantes devem ser levados em consideração ainda na fase de pré-aprovação do hotel, como a localização da sala de segurança e alguns ajustes no projeto. Esta é a parte mais importante da integração entre os projetos envolvendo estrutura e segurança. Um aspecto fundamental que acontece bastante – e que pode ser realizado com o projeto já em andamento – é a interferência no projeto elétrico”, explica Gilad, que é engenheiro civil.

Em meio a esse novo cenário da hotelaria que tem aquecido o ramo da construção civil, quem não está erguendo novas edificações está renovando. Cabe ao gestor, nesse momento, entender a diferença entre os conceitos de retrofit e modernização, uma duvida comum até mesmo entre os próprios hoteleiros.

Enquanto a modernização nem sempre envolve mudanças estruturais, o retrofit prevê, necessariamente, uma atualização da edificação, mantendo-se a localização e a as características intrínsecas da propriedade, o que por vezes inclui a preservação da sua história, como aponta Renata, lembrando que a pesquisa é outro aspecto importante no acompanhamento de alguns projetos. “O edifício que passa por um retrofit bem planejado, projetado e executado visando a utilização de tecnologias avançadas em sistemas prediais e materiais modernos, compatibilizando-os com as restrições urbanas e preservando o patrimônio histórico, possui um valor diferenciado hoje”, conclui.

Deixe uma resposta