Frutas tropicais

Cores e sabores em todas as partes do Brasil

Terceiro maior produtor de frutas do mundo, atrás apenas de China e Índia, o Brasil possui dezenas de espécies e variedades com diferentes cores, aromas, sabores e valores nutricionais. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), a cadeira produtiva de 2012 se destacou como uma das mais importantes áreas do agronegócio brasileiro, com a produção de 43,69 milhões de toneladas de frutas frescas, cultivadas em mais de dois milhões de hectares em todos os estados brasileiros.

Segundo Levi Barros, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, esta grande diversidade torna o País um bom competidor no mercado internacional, embora ainda não tenha avançado de acordo com o grande potencial. “É importante enfatizar que graças às políticas implementadas a partir de meados dos anos 1990, as exportações brasileiras saltaram de US$ 54 milhões para próximo de US$ 1 bilhão em um mercado global que movimenta mais de US$ 60 bilhões por ano. Estes números podem e devem crescer, pois já dispomos de tecnologia, área, produção e capacidade empresarial para os avanços possíveis de serem alcançados”, afirma.

Dos 43 milhões de toneladas de frutas produzidas, 47% são destinadas ao sistema agroindustrial e 53% vão para a agrocomercialização, conforme estudo do Ibraf. “Considerando a extensão territorial, a população e o desequilíbrio econômico e educacional do Brasil, é muito difícil afirmar com precisão qual a real taxa de consumo de frutas. Porém, dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que somente 18% dos brasileiros consomem a quantidade mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é 400 gramas por dia. Estes dados são importantes porque deixam claro que a população brasileira como um todo consome pouca fruta”, informa Barros.

Em todos os cantos

Tecnicamente, as frutas tropicais são aquelas produzidas dentro dos trópicos, divisão que exclui toda a região sul do Brasil e uma parte de São Paulo, como conta o pesquisador da Embrapa. Entretanto, praticamente todas as frutas podem ser tropicalizadas. “Elas se adaptam. Claro que vai levar um tempo, sobretudo em locais perenes, mas já é fácil encontrar frutas tropicalizadas em qualquer parte do Brasil”, diz Barros ao apontar entre as principais abacaxi, caju, maracujá, coco, melão, abacate, mamão, melancia, manga, goiaba e banana.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, os verões são quentes e longos, o que pode facilitar o crescimento deste tipo de fruta, apesar de não ser originalmente um estado produtor. “Se a fruta escapar de uma geada, pode ter certeza de que vai dar certo. O cultivo pode sofrer, mas, mesmo em pouca quantidade, vai produzir”, afirma Barros, para quem o aquecimento global também influencia positivamente neste aspecto. “Está cada vez mais quente em todos os cantos do Brasil e isso é irreversível, o que acaba afetando as plantas. Nesse caso, o problema do clima favorece a tropicalização das frutas”, afirma.

Sobre as propriedades nutricionais das frutas tropicais, o pesquisador diz que diferem muito entre as espécies e até entre variedades da mesma espécie. “Entre os fatores de diferenciação de qualquer parâmetro, de qualidade ou quantidade,
ressaltam-se as diferenças genéticas entre os indivíduos. Mas não apenas isto. As condições de produção são, também, determinantes. Assim como o ambiente de cultivo, que exerce influência nas propriedades nutricionais de compostos e substâncias das plantas, e as condições de armazenamento, que podem modificar a qualidade”.

Receitas e mimos

Presença garantida nos bufês de café da manhã, as frutas podem ser utilizadas também em diversas receitas de pratos e drinques, além de servirem como decoração de mesas e ainda como mimo de boas-vindas para os hóspedes, por exemplo.
É o que faz o Cana Brava All Inclusive Resort, localizado em Ilhéus (BA). “Utilizamos as frutas tropicais típicas da nossa região no café da manhã, em cestas vip e, principalmente, nas sobremesas da tradicional feijoada de sábado”, conta o gerente de Alimentos e Bebidas, Ronaldo Costa.

Segundo o profissional, as frutas mais consumidas no resort são cajá, cana de açúcar, cupuaçu e caju, todas compradas em feiras livres da cidade. “O cajá só é encontrado na época de colheita específica (fevereiro a maio). Fora deste período é impossível encontrar”, afirma Costa, que conta que o empreendimento costuma utilizar frutas também em pratos, como peixes com redução de acerola, molhos de maracujá para saladas e mousse de cajá.

Durante a tradicional Festa Tropical do hotel Santa Amália, em Vassouras (RJ), que acontece no início do ano, as frutas são servidas in natura e na composição de drinques e podem ser encontradas em toda a decoração, como conta Elizeu Braga, responsável pelas áreas de Reservas e Eventos.

Segundo Braga, as mais consumidas são mamão, melão, melancia, laranja, bananas, maçãs e peras, todas compradas no Ceasa uma vez por semana. “Apenas recorremos aos mercados da cidade quando há alguma emergência. Os comércios locais costumam ter frutas frescas da época uma vez por semana, às quintas-feiras. Nos outros dias há dificuldade em adquirir produtos de boa qualidade”, diz.

O Vivence Suítes Hotel, em Goiânia, aproveita as guloseimas feitas com frutas para agradar os hóspedes. “Utilizamos em todas as refeições e em alguns quartos deixamos doces de frutas tropicais cristalizados como brindes aos hóspedes. Nas suítes de núpcias colocamos lâminas de frutas para criar um clima mais romântico e delicado para os casais”, explica o supervisor de A&B do hotel, Elton Ramos.

Nos hotéis da Deville as frutas também são utilizadas no dia a dia em forma de carpaccio, laminadas para eventos e vips, sucos naturais, saladas, secas e também no refeitório dos funcionários, como conta a nutricionista da rede Elisangela Casagrande. Entre as mais consumidas, Elisangela diz que depende da região. “As mais tradicionais em todas as unidades são mamão, melão, banana, abacaxi, além de manga, maçã, pera, melancia, dependendo da sazonalidade. Em Salvador (BA), por exemplo, as que têm mais saída são manga, kiwi, ameixa, morango, maracujá, até mesmo pelo clima. Já em Maringá (PR), as mais consumidas são laranja, banana e mamão”.

Elisangela conta que todas as unidades utilizam frutas em receitas, sejam sobremesas ou preparações salgadas. Em Salvador, a nutricionista destaca o Rido Tropical em Cesta de Parmesão, que leva arroz arbório, salmão defumado e manga, entre outros ingredientes. Na unidade de Maringá, a panache de frutas decorada e o creme de papaia são boas opções. O Deville Rayon, de Curitiba (PR), destaca a receita de abacaxi no vinho. “Em geral, os hóspedes ficam muito satisfeitos, sobretudo os estrangeiros. Em Salvador, por exemplo, a seleção da Austrália gostou muito de manga e abacaxi’, completa.

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