Frescor, qualidade e tecnologia como combinar?

Nesse período de férias temos um tempo para descansar, desacelerar e olhar em volta. Nós que somos da indústria de serviços vivemos da combinação do tangível e do intangível. Do produto impecável, da sensação causada, da experiência provocada e observar o quanto as empresas e profissionais estão aptos a superar expectativas é um exercício constante para mim.

Adoro viajar com minha família e pelo menos uma vez ao ano passamos alguns dias no litoral do nordeste brasileiro. Esse ano escolhemos Aracaju como destino. Que mar! Um lugar delicioso sem dúvida alguma.

Falando agora de produto, experiência e sensações fiquei extremamente incomodada sobre como faltam produtos frescos à disposição nas praias. Certamente os pescados são frescos, porém são empanados e fritos na maioria das preparações. A quantidade de fritura que faz parte dos menus é absolutamente assustadora. Na praia não tem açaí, não tem salada de frutas, não tem opção de salada fresca bem preparada.

Tem caranguejo, é verdade, mas para quem não come…, além disso os produtos de chapa deixam a desejar no preparo e em muitos casos minha preocupação está na procedência e conservação. Certamente todos tiramos uma folga da dieta nas férias mas sete dias de fritura na hora do almoço… não dá para encarar. A sensação é de que há um padrão institucionalizado de menu para as praias e fico pensando, será que alguém trocou o óleo? Como eles preparam tudo isso? E ao olhar pelas janelinhas das “cozinhas” das barracas, é muita preparação e muito pouca técnica para não dizer dos processos deficitários. Fico pensando sobre como a tecnologia poderia ajudar nisso tudo.

Penso que numa revisão de posicionamento para esses menus poderiam surgir cooperativas de fornecedores de frutas que entregassem produtos higienizados, cortados e devidamente embalados valorizando a incrível diversidade de frutas tropicais que temos em nosso país. Saladas no pote, que virou coqueluche em São Paulo e que combina muito com o clima da região. Penso em uma cozinha central capaz de preparar opções bacanas de produtos cozidos como picadinho, escondidinho, mix de legumes assados, conservas para petiscar, etc. Amo macaxeira, carne seca, farofa e os produtos da terra mas acho que a combinação entre o tradicional e o leve – saudável farão a diferença cada dia mais em nossa sociedade.

O serviço, no geral, tanto nas praias quanto nos restaurantes (da orla e dos hotéis) segundo a minha experiência foi lento e num conceito que associa tecnologia, porções pré estabelecidas, poderiam haver grandes avanços na organização, gestão e até na sinergia entre os diferentes operadores otimizando resultados e certamente gerando mais vendas.

Vale a reflexão sobre oportunidades desse tipo para operadores de outras regiões.

Cristina Souza é diretora-executiva da Libbra – Estratégias & Inspirações em Marketing e Gestão para Foodservice

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