Fórum da BLTA pede mais apoio ao turismo de luxo no Brasil

Começou nesta quarta-feira (28) o fórum anual da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), que seguirá nos dias 3 e 4, 10 e 11 de novembro em formato on-line, discutindo os desafios e oportunidades em época de Covid-19. A abertura ficou a cargo da presidente do World Travel & Tourism Council (WTTC), Gloria Guevara, e do secretário de Turismo do Estado de São Paulo, Vinicius Lummertz, que abordaram o tema “2020: o ano do reset no turismo”.

“Em nossas conversas com os governos, pedimos a divulgação de dados sobre a reabertura das fronteiras para que o setor tenha uma recuperação mais rápida possível, mas nosso foco também está direcionado para a melhoria das experiências de viagem, deixando-as semelhantes ao período pré-Covid. É necessário reativar a economia global, pois milhões de empregos dependem dela”, comenta Gloria.

A líder do Conselho Mundial de Turismo destacou a importância do setor no Brasil, já que em 2019 a receita da atividade cresceu 3%, índice superior ao 1,2% de crescimento geral do PIB, gerando 7,4 milhões de empregos. Sobre o momento complicado com o coronavírus, Gloria ressaltou que entre 2001 e 2018 ocorreram 90 crises no mundo, envolvendo desastres naturais, terrorismo e instabilidades políticas, e reforçou a importância da colaboração entre os setores público e privado para uma recuperação mais rápida.

“Devemos agora nos adaptar aos protocolos para que as viagens possam acontecer, enquanto não existe uma vacina aprovada. Esse controle pode ser feito por meio de testes com viajantes de resultado negativo autorizados a subir no avião, e os positivos ficam em quarentena. Isto somado à implementação de protocolos de segurança e higiene”, ressalta.

Já Lummertz pontuou que turismo precisa de mais atenção do governo federal porque tem capacidade para ser um grandes impulsionadores da economia. “Nosso potencial é muito grande, mas a falta de prioridade é um problema, além de uma ausência de segurança jurídica. Em São Paulo fizemos um esforço para colocar o turismo na agenda porque este setor sustenta o comércio, os negócios e a arte”, diz o secretário.

Outra novidade é que São Paulo vai investir forte no segmento de wellness e viagens de natureza, seguindo uma tendência global, principalmente envolvendo as viagens de luxo. “Vamos trazer marcas conhecidas internacionalmente e desenvolver no Estado uma estratégia para o turismo de bem-estar e natureza, que envolve captação de negócios, para mudar a ideia de que São Paulo é apenas uma Selva de Pedra”.

Simone Scorsato, Martin Frankenberg e Melissa Oliveira

BLTA em alta

Durante a abertura do fórum, a BLTA também divulgou o desempenho dos 46 associados no último ano. O faturamento foi de R$ 1,2 bilhão em 2019, que corresponde a uma alta de 40% em relação ao ano anterior, somando 615.726 hóspedes. A diária média fechou em 1.549,26 com Revpar de R$ 812,50.

“O Brasil não trata o turismo de luxo como deve. É necessário investir porque o País recebe poucos estrangeiros, que representam apenas 6% do faturamento do setor. Temos uma vantagem competitiva com a natureza, mas ficamos muito atrás em outros aspectos”, avalia o presidente da associação, Martin Frankenberg.

Já a a vice-presidente, Melissa Oliveira, abordou o manifesto da BLTA. “Após diversas reuniões e encontros, definimos o luxo em três pilares: autenticidade, diversidade e sustentabilidade. A excelência no serviço é o ponto de partida, mas o luxo vai além. É a possibilidade de gerar algo diferente, inovador, que proporcione o encontro com o que é considerado raro, envolvendo as comunidades locais. É um turismo de transformação que move o viajante de alto padrão a uma busca pela conexão consigo mesmo. E a diversidade inclui tanto a questão das equipes quanto os tipos de destinos, sejam de praia, campo ou natureza”.

A diretora executiva, Simone Scorsato, ressaltou ainda a importância da BLTA na promoção do Brasil no Exterior. “Já realizamos mais de 17 eventos, principalmente com as embaixadas em Paris, Londres, Nova York e Los Angeles, reunindo empresários em encontros com música e comida brasileira, e o impacto já chegou a mais de mil especialistas internacionais”.

Com a pandemia, os associados desenvolveram ainda ações solidárias para ajudar quem ficou sem emprego no turismo e depende do setor para se manter. “Já chegamos a 37 projetos e, a partir do momento que um associado divulgava sua ação, incentivava outras iniciativas. Foram mais de R$ 2 milhões arrecadados e 19 mil pessoas impactadas diretamente”, comemora Simone.

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