Fórum BLTA: viagens corporativas enfrentam cenário delicado

No primeiro dia do fórum anual da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), o tema principal do momento Diálogos foi o desempenho do turismo de lazer e do corporativo, que têm realidades distintas. Enquanto as viagens regionais de lazer se beneficiam de uma demanda reprimida, que gera boas ocupações aos hotéis, principalmente nos finais de semana e feriados, as viagens de negócios ainda seguem com vários empecilhos.

“Observamos índices positivos na hotelaria com as viagens de lazer, mas as viagens corporativas ainda vão demorar a ganhar fôlego porque, além da paralisação dos eventos, existe a preocupação com segurança e responsabilidade das empresas, caso os funcionários fiquem doentes durante esses compromissos. É importante destacar que não teremos agora viagens 100% a trabalho ou 100% a lazer, mas sim um misto disso”, comenta o jornalista Artur Andrade.

Para o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, é preciso pensar também no que está por vir no pós-pandemia. “Devemos nos preparar para a situação de recuperação fiscal e reforma tributária, e ainda sobre como vamos lidar com isso, mas acredito que vamos pagar a conta com um regime difícil. Hoje o setor de alimentação sofre uma situação peculiar, devido à inflação que subiu 9% nos produtos. Para se ter ideia, os restaurantes até mesmo já atualizaram o preço dos seus cardápios em São Paulo”.

Sobre a retomada de estrangeiros no Brasil, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, tem uma visão crítica. “Não consigo enxergar uma data para a retomada do turismo internacional porque a imagem do País no Exterior derreteu, primeiramente pelas notícias sobre a forma com que o Brasil agiu na pandemia. Além disso, há uma tendência de afastamento do Brasil como objeto de desejo e não existem ações de promoção hoje. Eu não apostaria em retorno financeiro do público estrangeiro a lazer no Brasil, pois eles virão apenas por compromissos de negócios”.

Apesar de todas as dificuldades, o turismo de luxo pode ser um propositor de mudanças no mercado, segundo a professora e pesquisadora Mariana Aldrigui. “Na hotelaria e alimentação é o momento de propor coisas novas, mas devemos lembrar que estamos no Brasil e as políticas de turismo estão retrocedendo. Não temos dados comparativos e não conseguimos fazer previsões consistentes. Porém, a inovação possibilita criar novos produtos e abrir mais mercados. Agora é a chance de ousar nos produtos de luxo, com base no que outros setores fizeram para se adaptar, para recuperar a margem de faturamento”.

Já a diretora executiva da BLTA, Simone Scorsato, recomenda aos hoteleiros agregar valor aos serviços dos empreendimentos, algo que é diferente da questão comercial. “A qualidade da experiência e hospitalidade vai muito além de uma alta tarifa, mas envolve gerir e colocar um modelo de excelência para o consumidor”.

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