Flores na decoração

Naturais ou não, arranjos florais dão um toque especial ao ambiente

Não há quem não admire a beleza das flores. Em diferentes tamanhos, cores, formas e texturas, elas agregam alegria e frescor a qualquer ambiente. Arranjos florais são cada vez mais utilizados em empreendimentos hoteleiros e gastronômicos, que aproveitam toda a diversidade da natureza e a criatividade humana – que têm produzido peças artificiais facilmente confundidas com as naturais – para deixar a decoração mais suntuosa.

“O objetivo do arranjo floral é impactar os clientes já na entrada do hotel, por exemplo”, explica Paulo Roberto Scherer, profissional da Esalflores, floricultura localizada em Curitiba (PR). Segundo o florista, os arranjos utilizados para decoração de rede hoteleira podem variar de região para região devido à diversidade existente. “Entretanto, as mais indicadas são as que atraem o olhar e chamam a atenção, como alstroemérias, gérberas, lírios, rosas, antúrio e helicônias”. Scherer conta que as cores a serem utilizadas dependem da iluminação do local. “Ambientes com baixa luminosidade devem ser decorados com flores em tons claros como branco e champanhe, já em ambientes mais claros vale abusar das cores fortes e vibrantes, como vermelho, laranja e amarelo”.

Na recepção, de acordo com o especialista, pode-se usar um arranjo com flores grandes e chamativas se o ambiente for espaçoso e bem iluminado. No restaurante o ideal é utilizar espécies sem perfume. “Um arranjo de rosas vermelhas cai bem nas suítes e nos quartos decorados para núpcias. Já arranjos de orquídeas podem ser utilizados em eventos corporativos; as alstroemérias e gérberas, para um encontro de senhoras”, exemplifica.

Localizado em Ilhabela, no litoral norte paulista, o DPNY Beach Hotel orgulha-se de seus arranjos cuidadosamente criados pela florista Mônica Gomes e espalhados pelos ambientes do hotel, como recepção, bar e restaurante. “Só utilizamos flores naturais, o proprietário é um grande apreciador e vê nelas o luxo”, explica Mônica, que compra suas flores na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e também em Holambra, conhecida como ‘Cidade das Flores’, localizada no interior paulista.

Com um custo mensal de R$ 7 mil, entre as espécies mais utilizadas no hotel, segundo a florista, estão rosas equatorianas, lírios, astromélias, gérberas, orquídeas e flores tropicais. “Em geral, os arranjos duram de três a quatro dias impecáveis sendo necessária uma manutenção a partir de então para que fiquem bonitos por seis dias”, explica Mônica, que afirma utilizar flores com menos pólen nas áreas gastronômicas para não atrair moscas e formigas.

Justamente por esse motivo, o restaurante Bonjardim, do Transamérica Classic Higienópolis, utiliza flores artificiais em sua decoração, como conta a gerente geral do hotel, Rosana Almeida. Segundo a profissional, no passado o hotel todo contava com arranjos artificiais, mas estes foram substituídos por flores naturais, “uma vez que elas transmitem muito mais beleza ao ambiente”.
Todos os meses o hotel investe uma média de R$ 650 nos arranjos, que ficam a cargo da GD Jardinagem, sempre supervisionado diretamente por Rosana. “São utilizados palmas, lírios, copos de leite, estrelícias, antúrios, girassóis, crisântemos e bromélias. As flores são compradas no Ceasa, mas cultivadas em Holambra. Os arranjos duram cerca de uma semana”, explica.

A inspiração, segundo Rosana, vem da experiência do jardineiro, Geraldo, e de suas próprias ideias. “Certa vez, lendo uma revista de moda, notei um vaso decorativo maravilhoso e dei ao Geraldo a missão de encontrá-lo, e assim foi. O vaso ficou perfeito no ambiente, possibilitou o uso de vários tipos de flores, como a estrelícia, palmas e lírios, pois bastavam apenas algumas para tornar o espaço elegante. Muitos hóspedes, inclusive, nos elogiaram e até pediram referências de onde comprar o produto”.

Um dos restaurantes mais tradicionais de São Paulo, o Terraço Itália, também conta com flores na decoração de suas mesas. “Utilizamos orquídeas, mini samambaias, hera estrela, copo de leite, hortência, antulio, entre outras. Variamos de acordo com a estação e a ocasião”, explica a responsável pelo Marketing do empreendimento, Samantha Nardo.

No restaurante, geralmente são criados pequenos arranjos decorativos em vasos que ficam sobre as mesas. Alguns artigos maiores podem ser alocados estrategicamente sobre outros móveis e há ainda arranjos especialmente elaborados para recepção e hall de acesso. “Fazemos a manutenção diária e trocamos semanalmente todas as flores. Contamos com uma decoradora terceirizada e temos também uma governanta responsável pelo cuidado e manutenção”, afirma Samantha.

Extravagância
No Four Seasons Hotel George V Paris, na França, a beleza do trabalho com flores ultrapassa a decoração dos ambientes. O hotel passou a oferecer workshops gratuitos com o diretor artístico do empreendimento, Jeff Leatham, conhecido mundialmente pela sua criatividade com arranjos florais e que revolucionou a decoração de toda a rede Four Seasons. “Comecei na rede em 1999 e fui bem além dos arranjos tradicionais, buquês e vasos com lírios aqui ou ali. A ideia era surpreender logo na entrada. As pessoas não estão acostumadas a ver 14 mil flores espalhadas pela entrada do hotel, corredores e quartos”, diz Leatham.

Três caminhões carregados de flores chegam ao hotel diretamente da Holanda toda semana. Temas, cores e arranjos mudam a cada 20 dias, tempo médio de retorno dos hóspedes recorrentes, como conta o profissional. “O melhor elogio que recebo é quando alguém diz que se hospeda no hotel há 14 anos e nunca viu o mesmo arranjo”, orgulha-se o criativo diretor artístico que tem entre seus clientes Madonna, Oprah Winfrey, Tina Turner, entre outros. Leatham, inclusive, participou da decoração de eventos no Castelo de Windsor, na Inglaterra, e do Château de Versailles, na França.

Durante o workshop, que tem duração de duas horas, os hóspedes contam com uma palestra de Leatham e demonstração da arte da criação de arranjos florais e depois podem colocar a mão na massa. “Mais do que uma aula esse é um momento mágico e inesquecível. É uma oportunidade única com o maior florista do mundo”, completa o vice-presidente regional e gerente geral do Four Seasons Hotel George V, Christian Clerc.

Flores permanentes
Foi-se o tempo em que as flores artificiais eram mal acabadas e consideradas bregas. Apesar de ainda haver muito preconceito acerca do uso desses produtos na decoração, o mercado está cheio de opções cada vez mais originais. Pensando nisso, Karla Strefezzi Vinha, sócia responsável pelo desenvolvimento de produto da K&D Ideiais legais (entre outros comerciantes do ramo) resolveu chamar os artigos de flores permanentes e não mais artificiais. “Deixamos essa denominação para o que é de má qualidade. Nossas flores são cuidadosamente escolhidas para que reproduzam fielmente todos os detalhes, como tamanho, cor e o toque de cada espécie”, diz.

Há 25 anos no mercado, Karla conta que participa ativamente de feiras e workshops para acabar com o preconceito que existe no mercado quanto às flores permanentes. “Queremos construir a imagem deste novo produto que junta a beleza estética das plantas com o baixo custo, já que não exige troca e a manutenção é feita apenas com a água e sabão neutro”, explica. Segundo a profissional, muitas já são fabricadas para resistir ao sol e algumas possuem cabos impossíveis de diferenciar das naturais, o que agrega valor ao trabalho do paisagista, que pode contar com plantas verdes o ano todo. “Muitos profissionais as misturam com as naturais reduzindo a manutenção e melhorando o visual geral do projeto a um custo mais baixo”.

Outra vantagem, de acordo com Karla, é o uso de flores permanentes em locais sem luz natural e pouco ventilados, além de restaurantes, “uma vez que ao retirarmos a água do vasinho de mesa estamos contribuindo para não propagar insetos e resíduos de plantas que possam contaminar a área de alimentação”, afirma.

Para fazer um arranjo permanente, a dica é ter sutileza ao escolher tamanho, cores e texturas para criar um artigo bonito e harmonioso. Segundo especialistas, um grande erro é achar que elas duram para sempre. É necessário limpar constantemente e trocá-las assim que comecem a desbotar. Outro ponto importante é escolher espécies nativas da região ou que estão no período de floração, caso contrário fica evidente que a decoração é artificial.

Entre os materiais existentes no mercado estão plástico, mais utilizado nas folhagens; tecidos, como a seda; e silicone, sendo este último o que mais se assemelha ao natural. Alguns produtos chegam a simular o envelhecimento da planta, com partes mais secas; outros podem ser colocados em vasos com água ou já são vendidos em recipientes com o líquido ou terra feitos de resina.

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