Financiamentos hoteleiros

Conheça mais detalhes sobre as linhas de crédito oferecidas para os empresários do setor

O cenário econômico nacional iniciou o ano com muitas incertezas. Cautela é a palavra de ordem para diversos empresários, que ainda preferem aguardar a reação do mercado após as mudanças anunciadas pela nova equipe de finanças do governo. Os baixos índices de crescimento registrados em 2014 abalaram a confiança dos investidores, que não veem a atual conjuntura como favorável para apostar nos negócios.

A retração da economia, acompanhada pela ameaça de alta da inflação e do desemprego, provoca maior alerta entre os credores. Os juros maiores, que afetam a capacidade de compra, também contribuem para que as instituições estejam mais seletivas ao realizar empréstimos, além da redução na oferta de crédito. No final de janeiro, o Banco Central anunciou que as operações de crédito devem ter alta de 12% em 2015, valor ligeiramente maior do que o verificado no ano anterior, quando cresceu 11,3%. 

Na avaliação de José Ronoel Piccin, membro do Conselho Administrativo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o temor da inadimplência deve fazer com que os bancos aumentem as contrapartidas exigidas ao conceder um financiamento. “O País está em recessão, ou seja, é um período difícil para falar sobre crédito já que o momento é de corte nos gastos. As providências estão sendo tomadas para consertar os erros que levaram à situação econômica atual. Se normalmente existiam regras para a concessão de crédito, a tendência é que haja mais exigências e que sejam ainda mais rígidas para evitar a falta de pagamentos”, afirma.

O conselho do economista é que os interessados em realizar algum tipo de financiamento procurem as instituições financeiras nas quais estão acostumados a negociar, o que pode facilitar a obtenção e as condições exigidas para a liberação do crédito. “O empresário tem que se agarrar aos bancos que já mantêm relacionamento. Não existe fórmula, é preciso sentar com o gerente e estudar o melhor programa de crédito de acordo com a realidade econômica da empresa. Se a companhia tem um histórico favorável, de cumprimento de prazos e de pagamentos, é natural que crie lastro com a financeira”.

Piccin reforça que essa reação dos bancos acontece também devido aos juros altos. A mesma explicação foi dada pelos economistas da Serasa Experian ao comentar sobre o crescimento de 6,3% na inadimplência do consumidor em 2014. A instituição enaltece que o contexto de elevação das taxas de juros desestimula os consumidores a aumentar seus níveis de endividamento. Em 2013, o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor havia recuado 2,0% na comparação com o ano anterior.

Para José Vignoli, Educador Financeiro do SPC Brasil, a organização é fundamental para manter as contas em dia, especialmente quando há necessidade de realizar algum financiamento. O especialista indica que uma boa saída para os pequenos empresários é tentar a obtenção de crédito como pessoa física ao invés de jurídica. “Primeiro é preciso analisar o fluxo de caixa, para entender como funcionam as entradas e saídas de recursos financeiros no empreendimento. Estes dados vão servir de instrumento na tomada de decisões. Em seguida, é necessário pesquisar as diferenças nas condições entre as linhas de crédito. Muitas vezes o crédito pessoal pode ser mais vantajoso do que um programa voltado para empresas. Como pessoa física, há chances da burocracia exigida pelo banco ser menor, assim como as taxas de juros praticadas”, destaca.

O economista pontua que para evitar adversidades ao fechar um contrato de financiamento é importante que tenha sido feito um planejamento a longo prazo, levando em conta alguns fatores que interferem no funcionamento do meio de hospedagem. “Prestações mais curtas e com valores mais elevados podem prejudicar o fluxo de caixa da unidade. É essencial calcular qual a porcentagem de pagamento ideal no tempo adequado, considerando os juros, os possíveis prejuízos e lucros no período. Por exemplo, reservar as prestações mais pesadas antes da temporada vai prejudicar o caixa, já que a sazonalidade interfere nas receitas”, lembra Vignoli.

Tipos de financiamento

Segundo dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a instituição concedeu mais de R$ 1,5 bilhão para hotéis entre 2010 e novembro de 2014. Somente para micro, pequenas e médias empresas (com receita operacional bruta de até R$ 90 milhões por ano) o montante superou os R$ 930 milhões, e para empreendimentos de grande porte o valor ultrapassou os R$ 570 milhões, através do programa ProCopa Turismo.

Ana Costa, chefe do departamento de Bens de Consumo, Comércio e Serviços do BNDES, explica quais são as principais exigências que as financeiras costumam analisar quando é feito um pedido de crédito. “As condições variam, mas leva-se em consideração as questões legais da empresa, inclusive a licença ambiental. É preciso estar em dia com as Certidões Negativas de Débito, que comprovam a inexistência de pendências e débitos tributários do contribuinte, ou seja, é necessário estar em situação regular com a previdência, a receita etc. O empresário também deve entregar um balanço econômico financeiro da companhia, junto com a descrição do projeto de investimento. Como o banco irá analisar a viabilidade da proposta e a transparência das contas, é importante detalhar como os recursos serão destinados. Por exemplo: determinada quantia será utilizada nas obras e o restante será para a compra de mobiliário”.

A gestora declara que apesar do BNDES ter incorporado condições específicas para o setor hoteleiro nas políticas operacionais no ano passado, após o bom desempenho com o programa ProCopa, existem diferentes linhas de crédito que atendem qualquer setor, inclusive o da hotelaria. “Muitos financiamentos, normalmente aqueles até R$ 20 milhões, são feitos diretamente nas instituições financeiras cadastradas. O interessado deve buscar por aqueles produtos que mais se enquadram nas suas demandas. Temos um ciclo de palestras chamado BNDES Mais Perto de Você que tem como objetivo a divulgação das principais linhas de financiamento voltadas às necessidades das micro, pequenas e médias empresas. Nos últimos dez anos, mais de 28 mil pessoas participaram do programa em diferentes cidades brasileiras”, afirma.

Outro aspecto destacado por Ana são as condições facilitadas para quem decide investir em eficiência energética. Graças a uma parceria entre o Banco, a Eletrobras Procel Edifica e o Inmetro, em determinadas linhas há redução da taxa de juros para aqueles que tiverem a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). Além disso, durante a vigência do programa ProCopa foram oferecidos prazos de pagamento mais longos e juros mais baixos para os empreendimentos com a certificação no Procel Edifica ou no Sistema de Gestão da Sustentabilidade para Meios de Hospedagem. Atualmente, através do Cartão BNDES, é possível obter financiamentos para realizar diagnósticos energéticos nos estabelecimentos.

Iniciativas do setor

Com o intuito de fomentar os investimentos nos setores de hospedagem e alimentação fora do lar no Brasil, a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) estão se articulando para criar uma cooperativa de crédito. O objetivo é oferecer créditos em prazos e condições mais adequados ao perfil e às demandas dos associados. Outro benefício proposto será a prestação de serviços financeiros de modo simplificado e mais vantajoso, como aplicações, investimentos, empréstimos, financiamentos, recebimento de contas, seguros, dentre outros produtos.

Na opinião de Alexandre Sampaio, presidente da FBHA, os programas do BNDES não se enquadram na realidade financeira dos empresários do setor. “Mesmo tendo a viabilidade econômica, você não consegue captar os recursos. Os bancos condicionam uma série de fatores adicionais, como saldo médio, aplicação de seguro, e outras medidas paralelas não contratuais que inviabilizam o processo”, critica.

Sampaio acredita que a cooperativa deve ser diversificada, composta por representantes de diferentes lugares para poder atender as realidades de cada região do País. “Pulverizando o aporte, é possível dar poder de barganha aos sindicatos em áreas mais afastadas”, conclui.

Enrico Fermi, presidente da ABIH, conta que o trabalho segue em fase embrionária. “É um processo bastante demorado, que envolve diversos trâmites, entre os quais licença do Banco Central”, diz. No momento, os envolvidos com a iniciativa estão estudando o sistema de funcionamento dessas organizações utilizando como modelo a experiência da Cooperativa de Crédito dos Lojistas do Distrito Federal.

Apesar de ainda não haver previsão de lançamento, Fermi enfatiza quais as vantagens do projeto. “A cooperativa não visa lucro como banco normal, por isso os serviços são mais baratos e as taxas cobradas muito menores”, declara.

Programas de financiamento oferecidos pelo BNDES

BNDES Automático: realizado por intermédio de instituições financeiras credenciadas. Destinados a projetos de investimento, para implantação, ampliação, recuperação e modernização de ativos fixos, cujos valores de financiamento sejam inferiores ou iguais a R$ 20 milhões.

BNDES Finame: realizado por intermédio de instituições financeiras credenciadas. Destinado à produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional.

BNDES Finem: pode ser realizado diretamente com o BNDES ou de forma indireta, por meio de instituições financeiras credenciadas. Destinado a projetos de investimento, para implantação, ampliação, recuperação e modernização de ativos fixos, cujos valores de financiamento sejam iguais ou superiores a R$ 20 milhões.

Cartão BNDES: linha de crédito rotativo e pré-aprovada, exclusiva para micro, pequenas e médias empresas, com limite de até R$ 1 milhão por banco emissor (Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, BRDE, Caixa Econômica Federal, Itaú, Santander, Sicoob e Sicredi), taxa de juros atrativa (0,98 % ao mês em Jan/2015) e pagamento em até 48 prestações mensais fixas, sem cobrança de IOF.

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