Espanha

Um contraste entre tradição e modernidade

A Espanha já foi o principal destino turístico do mundo em volume de visitantes que recebe. Perdeu a primazia recentemente e muito em parte pela recente crise econômica que assolou principalmente os países da Europa. Ainda assim mantém uma terceira posição e com uma cifra que supera 50 milhões de turista, mais da metade concentrada em Madri e o restante pulverizado entre a Catalunha, Andaluzia, Galícia, o País Basco e demais comunidades autônomas, entre as 17 em que a Espanha se divide geográfica e ecomicamente, desde a Constituição de 1978. Dentro da Galícia, destaque para Santiago de Compostela, pelo apelo do turismo religioso.

Madri, a capital, e Barcelona, cidade preferida por nove entre dez jovens que visitam o País, são provavelmente os melhores exemplos de como um destino do Velho Continente pode ter uma face tão moderna, seguir se reinventando e atraindo a atenção do mundo para a sua história e seus incontáveis atrativos.

A ampla rede de transportes, em que se destacam os trens de alta velocidade (AVE), e estações modernas como a de Atocha, estimulam o turista a seguir viagem e facilitam o fluxo dentro do próprio continente, tanto para quem vem de fora quanto para os viajantes internos. Esse é, marcadamente, um forte aliado para o desenvolvimento do turismo e a difusão da cultura espanhola que, dessa forma, tem atravessado sem dificuldades as próprias fronteiras.

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Enquanto brasileiros e visitantes de outros continentes preferem explorar a capital e os arredores, os europeus dominam a demanda pelos destinos da costa mediterrânea, conhecida também como costa do golfe, pelo potencial, infraestrutura e o próprio clima que oferece à prática do esporte. No entorno do seu litoral, o clima predominante permite que se jogue quase que nos 365 dias do ano. Somente no arquipélago das Ilhas Baleares existem mais de 20 campos de golfe distribuídos entre Mallorca, Menorca e Ibiza.

O apelo se completa com uma diversidade de atrativos como parques temáticos, monumentos, as próprias praias e, claro, a gastronomia espanhola, reconhecida por sua qualidade e berço de renomados e premiados chefs de cozinha. Em Bilbao, por exemplo, a gastronomia é tratada como arte, com sua mais fiel representação no restaurante situado dentro do Museu Guggenheim, que inova no preparo e apresentação dos pratos. A cidade tem 700 anos de história refletida em antigas construções do centro declarado Monumento Histórico-Artístico, mostrando já aí também o caráter contrastante, quando comparado com a construção futurista do Museu.

O museu foi construído em 1997 sob uma edificação recoberta de placas de titânio e divide com Nova York e Veneza a mais numerosa e importante coleção privada de arte moderna e contemporânea do mundo. Em contrapartida, a cidade abriga uma igreja gótica erguida na época das peregrinações jacoboeias.

Voltando à cozinha espanhola, vale lembrar que o País Basco, como um todo, é um destino turístico gastronômico de primeira grandeza. Tem sua origem em uma comunidade costeira e fronteiriça cuja riqueza e diversidade culinária resulta da mistura de costumes marinhos e uma cultura de montanha com uma moderna cozinha de autor de altíssima qualidade, que despontou nas últimas décadas com a aparição da Nova Cozinha Basca. O povo basco é um amante da gastronomia, pois grande parte da vida social da própria comunidade gira em torno de uma cozinha construída principalmente a base de pratos com bacalhau.

Em Donostia-San Sebastián está seguramente a melhor cozinha da Espanha. Há restaurantes de alguns dos grandes maestros da nova gastronomia espanhola, em que se destacam Mari Arzak (Arzak), Pedro Subijana (Akelarre) e Martín Berasategui (Kursaal). A qualidade do restaurante Martín Berasategui compensa os dez quilômetros que separam San Sebastián de Lasarte-Oria.

Merluza, bonito, besugo, txangurro, chipirones, anchovas de Getaria ou as caras angulas são algumas das delícias do mar permanentemente basco presentes em sua oferta culinária. Estes produtos originaram os guisados marinheiros como o marmitako, a zurrukutuna, ou os chipirones en su tinta (lula na sua sépia) ou particularidades locais como las kokotxas (parte da mandíbula do peixe), ou a ventresca (parte nobre do atum) e as sardinhas e o besugo (peixe) na brasa. As sobremesas feitas de leite são as mais apreciadas, assim como o queijo Idiazábal e, caro, o vinho.

No País Basco estão localizados verdadeiros templos da alta gastronomia. Durante os anos 80, cozinheiros como Arzak, Pedro Subijana e Karlos Arguiñano estabeleceram, principalmente em Guipúzcoa, os fundamentos da Nova Cozinha Basca, inspirados pela reivindicação da cozinha do mercado realizada por Paul Bocuse, Michel Gérard e outros franceses. Daquela época até hoje várias gerações lutam para transformar Euskadi em indiscutível referência da gastronomia europeia moderna. Entre eles estão dois estabelecimentos com três estrelas Michelin (Arzak e Martin Berasategi) e dois com duas estrelas (Zuberoa e Akelarre).

TURISMO RELIGIOSO

Mudando o foco, um descritivo sobre a força do turismo espanhol não pode ignorar o fluxo estimulado pelo nicho religioso, que assim como Fátima, em Portugal, e Lourdes, na França, se concentra em Santiago de Compostela, a capital da Galícia.

O lugar é frequentado por milhões de pessoas procedentes do mundo inteiro, em sua maior parte peregrinos percorrendo o Caminho de Santiago, rota milenar que surgiu no século 9 e que uniu o local ao resto da Europa. A cada ano milhões de pessoas percorrem o trajeto a pé, de bicicleta ou a cavalo. A experiência mescla aventura e espiritualidade e a meta final é a Catedral de Santiago, uma das cidades santas da cristandade.

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