Espaços comerciais em hotéis

Comerciantes enxergam nessa combinação uma opção segura em tempos de violência urbana

Manter espaços comerciais dentro de um hotel, mais do que uma opção adicional de ganho na operação ou de serviço agregado ao hóspede, está sendo apontada como uma alternativa segura. Casos recentes de assaltos e arrastões em restaurantes e de vandalismo em lojas – como os inúmeros mostrados durante as manifestações em diferentes pontos do País – evidenciam a fragilidade de comerciantes e empresários diante da ineficiência da segurança pública.

Essa é a justificativa principal apontada pelo cabeleireiro José Ferreira Filho, o Ferreirinha – como é mais conhecido – para manter seu espaço há quase 20 anos no piso térreo do hotel Maksoud Plaza, um dos mais tradicionais da capital paulista. A transferência para lá, a rigor, foi circunstancial – seu endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima foi desapropriado em 1994, na então gestão de Paulo Maluf. Na mesma ocasião, seu irmão – o também conhecido cabeleireiro Jassa – tinha recebido um espaço no hotel, em sistema de concessão, e o repassou a Ferreirinha.

O negócio que teria um caráter provisório acabou definitivo, e o resultado é satisfatório, como revela o cabeleireiro. “Nosso movimento é muito bom. Entre clientes do sexo feminino, 90% são hóspedes do hotel, já entre os homens esse número cai para 10%, mas nossa clientela independente da hospedagem é muito boa e fiel ao novo endereço. “Além e apreciar a localização, nosso cliente se beneficia da comodidade do estacionamento e da área de A&B do hotel quando precisa fazer uma refeição rápida enquanto arruma o cabelo”, conta. A essas vantagens, Ferreirinha acrescenta o aspecto da segurança – para si próprio, seus clientes e colaboradores.

Ao lado do salão ficam outros dois espaços comerciais, uma galeria de arte e uma joalheria, administrados por membros da família Maksoud. A galeria foi aberta há apenas seis meses e vende quadros do próprio artista, Cláudio Maksoud – filho do presidente Henry Maksoud – já a joalheria We é administrada pela nora, Maria Eduarda Maksoud. “É muito bom ter uma loja no hotel, o perfil dos hóspedes é compatível com o nosso público alvo. Além disto, associamos o nome da nossa loja à marca Maksoud Plaza, de renomada tradição no mercado da hotelaria nacional”, afirma Maria Eduarda, que diz ter cerca de 70% dos clientes nos próprios hóspedes. “Temos um bom movimento também entre as pessoas que vêm ao hotel somente para almoçar ou participar de algum evento”. É sempre vantajoso”, completa.
A vantagem para o hotel, na opinião do diretor de Operações, Henry Maksoud Neto, é justamente poder disponibilizar esse tipo de serviço extra ao hóspede, sem necessidade de deslocamento, o que também pode ser analisado como positivo do ponto de vista da segurança.

Alguns hotéis, no entanto, passaram pela experiência de locar parte de suas instalações, mas acabaram optando por descontinuar a operação. Esse é o caso, por exemplo, do InterContinental São Paulo, que durante cinco anos manteve uma joalheria de marca reconhecida na área do lobby. “Quando o contrato entre as partes terminou, decidimos ocupar o espaço com a instalação de um business center, que era uma reivindicação antiga dos nossos hóspedes”, explica a gerente de Marketing, Joyce Soares.
Exemplo oposto vem do Casa Grande Hotel Resort & Spa, do Guarujá, no litoral paulista, que atualmente tem quatro lojas ao redor do lobby – a Lacoste, de moda masculina, a galeria de arte Altit Gallery, a Vestiaire, de moda feminina, e uma joalheria, todas ocupando áreas iguais de 25 metros quadrados.

Lourival de Pieri, diretor geral do hotel, explica que o contrato de aluguel é de no mínimo três anos, e os pré requisitos são avaliados pelo próprio hotel, mas basicamente têm o foco no tipo de atividade – vestuário , joias, decoração, com marcas e produtos de qualidade. Segundo o diretor, o hotel loca o espaço e a decoração fica por conta do lojista, mas também tem de submeter o projeto à aprovação prévia do hotel.

As vantagens, na opinião do diretor, são para ambos os lados. “Para o cliente são várias, mas a principal é que ele não tem a necessidade de se locomover para fora do hotel caso precise de uma vestimenta de praia, como um chinelo, biquíni, short, camiseta, tanto feminina como masculina. Essa é uma comodidade enorme que o hotel pode proporcionar, e ao mesmo tempo é o benefício agregado à nossa operação. Para os lojistas a vantagem é o público adicional que atraem, além do cliente regular, morador ou visitante”, afirma Pieri.

De acordo com o diretor, a procura de espaços por lojistas é grande. “Logo que uma marca rescinde o contrato, a procura das demais é instantânea. As lojas que mais nos procuram são as do segmento de moda feminina e masculina, pois sabem que o hotel é um local em que seus clientes estarão”, explica. A predileção explica também o sucesso do Boulevard Mall, um projeto sazonal que o Casa Grande mantém há 15 anos.

Em área anexa ao Casa Grande, climatizada e com 5 mil metros quadrados, mais de 70 lojas dividem o espaço do Boulevard Mall, sendo o próprio hotel responsável pela gestão e administração. “Bem ao lado do hotel e de frente para o mar, hóspedes e visitantes têm a oportunidade de fazer suas compras após um dia de praia e ainda com diversas outras atrações, como apresentações culturais e desfiles que sempre acontecem lᔠ, conclui Pieri.

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