Ensino a distância

Tecnologia é aposta para formar mais rapidamente a mão de obra necessária ao setor

A capacitação profissional tem sido tema recorrente nos mais diversos tipos de eventos em que se discute se o Brasil estará ou não preparado para receber, e bem, a demanda de turistas internacionais que virá atraída pelos grandes eventos mundiais de que seremos sede em 2014 e 2016. Quem está na linha de frente, especialmente, terá o desafio de servir de vitrine e o turismo, a hotelaria e a setor de A&B tem muita gente nessa condição.

Pensando nisso, há cerca de dois anos o Ministério do Turismo foi buscar parceiros visando encontrar soluções a quem emprega mão de obra nesses setores que, particularmente, enfrentam problemas com a falta de qualificação e altos níveis de turn over. Com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), um dos projetos encampados pelo MTur foi a Escola Virtual de Meios de Hospedagem, lançado em 2010 com a meta de capacitar, até este ano, 19 mil profissionais. Questões de ordem política motivados por sucessivos desacertos dessa pasta do Ministério, no entanto, paralisaram o cronograma dos cursos que pretendia cobrir pelo menos as 12 cidades sedes da Copa do Mundo, por meio do Instituto Brasileiro de Hospedagem – braço operacional da ABIH Nacional e integrado ao Projeto Bem Receber Copa.

O projeto previa a oferta, sem custos, de educação customizada a distância para os profissionais que estão exatamente posicionados na linha de frente da hotelaria – gerência média, governança, recepção, mensageiro e capitão porteiro. Ainda no segmento da hotelaria, o Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) foi outra entidade que lançou mão desse recurso ao desenvolver e difundir a partir do ano passado o Supletivo Virtual, também como forma de estimular a profissionalização do setor e o aumento da retenção de talentos.

INCLUSÃO DIGITAL
A vantagem direta do método é permitir ao funcionário que a capacitação aconteça no próprio local de trabalho, sem necessidade de mobilizar um gestor ou líder de área monitorando ou dirigindo a atividade. Indiretamente, quem recorreu a essa iniciativa descobriu um universo de profissionais que jamais haviam tido contato com a informática e viabilizou a inclusão digital a esse inesperado contingente de pessoas.

Fora do campo político e das lideranças do trade, algumas empresas privadas também enxergaram aí um novo nicho de negócio. No ano passado, um dos lançamentos tecnológicos apresentados na Equipotel foi a Plataforma [email protected] – um Sistema de Gestão de Aprendizagem (SGA) – desenvolvida pela Mapie Especialistas Estratégicos, que abriu um campo de aprendizagem virtual com inúmeras possibilidades de personalização e conteúdo exclusivo para o segmento hoteleiro e sem restrição de hierarquia ou área de colaboradores. “Nosso sistema atende desde pequenos hotéis a grandes redes. Disponibilizamos conteúdo personalizado para todos os colaboradores, desde os níveis operacionais aos gerenciais e de diretoria”, explica Carolina Haro, sócia da Mapie.

Dentro do campo de aprendizagem, um item que tem sido apontado como de fundamental importância, especialmente considerando o atendimento ao turista estrangeiro, é o domínio de idiomas, especialmente o inglês e o espanhol. De olho nessa necessidade, a Companhia de Idiomas também desenvolveu uma plataforma digital, que possibilita o acesso e acompanhamento aos cursos até mesmo via Skype, Facebook e Google Tops. No momento, segundo a diretora da empresa, Lígia Velozo Crispino, está em desenvolvimento uma programação voltada com exclusividade para uma grande rede hoteleira internacional. “Há cerca de 13 anos já havíamos desenvolvido um método de ensino de idiomas não presencial, o Phone English, considerando as limitações da internet, na época. Todo o curso podia ser acompanhado pelo telefone, de casa ou do trabalho. No caso do ensino a distância algumas empresas optam por limitar o conteúdo ao horário do expediente”. Com relação ao tempo médio ideal para uma aula não presencial, Carolina e Lígia recomendam de 30 minutos a duas horas, dependendo do tema e principalmente do conteúdo proposto.

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