Efeito coronavírus: CNC prevê queda de 6,1% no PIB

Um quadro de incertezas e crise diante da pandemia causada pelo COVID-19. Essa é a aposta da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) para os próximos meses, que estima queda de 6,1% no PIB (Produto Interno Bruto) este ano. Confira o estudo aqui.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o desempenho do PIB nos primeiros três meses do ano refletiu apenas o início dos problemas que a economia brasileira terá devido à pandemia.

“Os efeitos se tornaram mais significativos a partir da segunda quinzena de março, quando uma série de decretos estaduais e municipais impôs restrições ao nível de atividade econômica, especialmente nos setores do comércio, nos transportes e nos serviços em geral”.

Para o executivo, a lenta recuperação econômica registrada nos primeiros três meses do ano dará espaço a um cenário de recessão no segundo trimestre.

Cenário pouco animador

Segundo o estudo da CNC, em termos de produção, o setor de serviços, que registrou queda de-1,6% foi o que mais sentiu os efeitos da retração nos três primeiros meses do ano, refletindo as quedas nas atividades em setores como transportes e correios (-2,4%) e de informação e comunicação (-1,9%).

Por outro lado, as despesas de consumo das famílias registraram queda de 2% – a maior contração desde a crise do apagão no terceiro trimestre de 2001. Foi ela a maior responsável pela retração da economia.

De acordo com o economista da CNC Fabio Bentes, os indicadores referentes ao segundo trimestre apontam uma queda mais significativa do nível de atividade econômica a partir de abril.

“Somente no último mês, de acordo com o Ministério da Economia, o mercado formal de trabalho registrou o pior saldo da história, com menos 860,5 mil postos, entre admissões e demissões. Em todo o ano passado, foram geradas 642,9 mil vagas formais de emprego”, destaca Bentes.

Os números positivos estão registrados nos investimentos, sobretudo pelas importações de máquinas e equipamentos no setor de óleo e gás. Esses investimentos, representados nas Contas Nacionais pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceram 3%.

“Apesar disso, a relação FBCF/ PIB segue em nível historicamente baixo (15,8%), quando comparado ao período anterior à recessão de 2015-2016. A tendência é que o número caia ainda mais devido ao aumento das incertezas que cercam a economia no segundo trimestre”, conclui Bentes.

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