Diversidade nas empresas gera inovação e lucro

Por David Braga

Celebrado no final de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra tem, ao longo dos anos, se consolidado como um importante momento não apenas para relembrar e reforçar a luta contra o preconceito racial e pela igualdade de direitos, como também para reflexão sobre a questão da diversidade nos mais variados aspectos.

Nas empresas, especialmente aquelas de maior porte, o assunto está sempre em pauta. No entanto, embora seja um fator que proporcione inovação, lucro e perpetuidade das organizações, a realidade mostra que a inclusão, efetivamente e infelizmente, ainda é um pouco utópica.

Na prática, mais do que apenas cumprir quotas para garantir a pluralidade no ambiente de trabalho, faltam ações concretas para a evolução das carreiras, além de protagonismo individual. Somente assim, será possível conquistar uma mudança estrutural. Ou seja, as empresas precisam oferecer as melhores condições de sucesso, desde o processo de recrutamento e seleção, passando pelo dia a dia da corporação, até a conquista de posições mais estratégicas e cargos de liderança.

Por outro lado, é essencial que todos os profissionais envolvidos na diversidade busquem se diferenciar. É fundamental aprimorar as soft skills (competências e habilidades) e o repertório técnico nas áreas em que atuam para que possam competir no mercado e assumir escopo e posições de maior complexidade.

Vale ressaltar que a diversidade de pensamento é outro ponto de extrema importância, uma vez que, se as corporações não incluem, em seus times, pessoas com mentalidades, conhecimentos e experiências diferentes, que questionem o status quo, não haverá inovação. E aquelas companhias que nunca mudam, não se modernizam, estão fadadas ao fracasso.

Isso porque não tratar da pluralidade em todas as esferas, dentro da organização, é perder competitividade no mercado e atratividade para os talentos, que, hoje, escolhem onde querem atuar. Mais do que programas de diversidade que ficam só no conceito, em muitas organizações, a nova geração cobra por coerência, o que tem colocado muitas empresas e lideranças em xeque-mate.

No entanto, nem tudo está perdido. Algumas já “acordaram” para o tema de forma genuína e têm promovido iniciativas consistentes para garantir a multiplicidade entre os profissionais – não à toa, estão listadas como “as melhores empresas para se trabalhar”.

Para se alcançar esse patamar e efetivamente integrar a diversidade à cultura da organização, é preciso um forte alinhamento de estratégias e ações, partindo do Conselho de Administração e presidência, engajando diretores, gestores e demais colaboradores. Tudo isso orquestrado pela área de Recursos Humanos. 

Sendo assim, a verdadeira inclusão não é pauta para um único dia ou mês, mas precisa ser trabalhada ao longo de todo o ano. Atuar com profissionais diferentes daqueles que já estão na organização, bem como oferecer as condições para o desenvolvimento de suas carreiras, demanda energia, maior acompanhamento, engajamento e ações de motivação. Todavia, os resultados tendem a ser exponenciais – financeiramente – para as empresas. É aí que começam as iniciativas e resultados disruptivos tão desejados.


David Braga é CEO da Prime Talent, grupo provedor de soluções em Talent Management, autor do livro “Contratado ou Demitido – Só Depende de Você” e colunista da BandNews FM


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