Decoração de interiores

Projetos devem levar em consideração tipo de hotel e público alvo

Conforto, funcionalidade e equilíbrio visual são peças fundamentais na hora de realizar um projeto de interiores. Deve-se levar em consideração o tipo de hotel e o público alvo, sem deixar de analisar as dimensões dos ambientes e o conceito do empreendimento. Para a arquiteta Camila Casotti, é interessante que exista uma linguagem única em todo o projeto para que o público reconheça e identifique os espaços dentro de um padrão de conforto, decoração e qualidade de serviço. “O que torna o projeto de interiores interessante é a maneira como essa linguagem será explorada e trabalhada em texturas, formas, volumes e dimensões diferenciadas”.

A designer de interiores Julia Varaschin prefere pensar em cada ambiente separadamente. “Quando os espaços são trabalhados como únicos podemos manter a personalidade do hotel e explorar diversas experiências sensoriais em cada um deles”, diz. Uma entrada atraente, conta a profissional, causa curiosidade no cliente em conhecer o resto do hotel. “Outra prioridade deve ser dada às áreas de descanso, prezando pelo máximo conforto. A ambientação é um fator decisivo na volta do cliente, claro, depois do atendimento. Uma boa pedida é criar espaços interativos, apostando nas facilidades digitais”, recomenda.

Camila afirma que a linguagem do projeto, assim como a especificação do mobiliário, varia de acordo com a necessidade e categoria do hotel. “Em um empreendimento econômico, por exemplo, é importante adequar as escolhas ao tamanho reduzido, sendo necessário um projeto específico feito com olhar atento”. Neste caso, a profissional recomenda o uso de mobiliário flexível para que sejam criados espaços multifuncionais.

A designer de interiores Cris Jacobsen concorda com a afirmação e observa que esse tipo de hotel é voltado à praticidade com um mínimo de conforto e é caracterizado pela frieza das cores neutras e tons claros. “Podemos utilizar também pisos laminados ou carpete, cabeceiras com painéis horizontais e arandelas, marcenaria padronizada e planejada com o objetivo de passar uma imagem de sobriedade. Nos banheiros, o uso do granito prevalece nas bancadas, acompanhados por revestimentos de azulejos nos pisos e paredes”, destaca.

Já nos hotéis de categoria superior, deve-se levar em consideração que são “empreendimentos orientados para vários públicos, com estruturas de eventos e algum lazer, como fitness e piscinas, mesmo quando localizados em áreas urbanas. “Nessa categoria incluem-se as suítes com design mais contemporâneo, mobiliário de linhas retas e painéis para receber TV’s de dimensões maiores. Entram em cena os papéis de parede e revestimentos texturizados”, aponta Cris Jacobsen. “O porcelanato é usado como revestimento nos banheiros equipados com secadores de cabelo e espelhos de maquiagem (pantográficos). Os monocomandos pedem design mais arrojado”, completa.

Igualmente destinado a vários perfis de público, mas com o diferencial no nível maior de sofisticação, os hotéis de categoria luxo podem ser ainda subclassificados como design ou boutique. “Nesses empreendimentos, os detalhes são parte importante da ambientação. Mobiliário de acabamento mais aprimorado, peças de design, uso de boiseries (molduras de madeira em relevo usada nas paredes) e revestimentos mais nobres também são bem-vindos”, afirma Cris Jacobsen.

Segundo a profissional, é importante que o local onde o hotel esteja inserido tenha influência sobre os elementos nele utilizados, evitando assim a padronização dos meios de hospedagem. “Um exemplo disso são alguns hotéis de praia e campo que têm características de design de hotéis urbanos. Esses empreendimentos devem evocar a natureza de seu entorno e proporcionar sensorialidade através de materiais mais naturais, tais como fibras, madeira e revestimentos texturizados”.

E, por falar em natureza, Cris afirma que a tendência é a personalização e o respeito ao meio ambiente. É importante ter em mente o uso de matérias-primas, revestimentos e acabamentos inovadores. “O mercado está se especializando em desenvolver produtos voltados à sustentabilidade para atender um público comprometido com a inovação e o respeito ao meio ambiente”. Entre os principais artigos sustentáveis, a designer destaca o uso de madeiras certificadas e de demolição, painéis laminados em fibras de bananeira, pastilhados e pisos em bambu, pastilhados em fibras de macieira, revestimentos em castanha do Brasil, cimento queimado ecológico, lonas ecológicas com aspecto sofisticado ou estonado e tintas a base de terra.

Modernos e diferenciados

Reformado recentemente, o Hôtel Guanahani & Spa, um dos ícones de St. Barthélemy, badalada ilha caribenha, tem projeto assinado pelo designer Luis Pond e sua equipe no escritório D-LAB em parceria com o arquiteto baseado em Washington (EUA), David Schwartz. Todos os 67 quartos e suítes já foram modificados e a próxima fase será nas áreas comuns da propriedade.

Os quartos foram ampliados e ganharam novos mobiliários e acessórios desenhados com exclusividade, além de um refresh nos terraços privativos. Segundo Pons, os viajantes de alto padrão buscam conforto e luxo, mas também procuram sofisticação e um sentimento de identificação com o destino. “Quando as pessoas se hospedam no Guanahani, quero que elas sintam fortemente que estão em um lugar especial, com sua própria história e cultura, sua autêntica natureza”.

A inspiração conceitual veio a partir do que ele identifica como o espírito central do Guanahani: um gesto de cortesia espontâneo, como um abraço, e o clássico chapéu Panamá. Ele explica a relação: “associado ao ar livre, o chapéu fornece proteção como um telhado fornece abrigo. É a integração perfeita entre forma e função, representando elegância, sofisticação, leveza, trabalho requintado e beleza. O design do hotel traduz estilo colonial, procurando leveza e conforto, preservando a memória e o artesanato tradicional”.

Apesar de ter como foco principal o público corporativo, o Meliá Jardim Europa, na capital paulista, investiu em itens de design na recente reforma que realizou em suas suítes e apartamentos da categoria Grand Premium. Ao entrar na acomodação, o papel de parede zebrado acima da cabeceira de madeira da cama chama a atenção e dá um ar mais moderno e suntuoso ao ambiente.

O tom terroso das paredes – iluminadas por pontos de LED instalados no teto – em sinergia com o piso escuro sugere um espaço para relaxamento , ideia reafirmada com a composição das poltronas estrategicamente posicionadas em frente à sacada com vista panorâmica para a cidade. No banheiro, destaque para as linhas retas nas bancadas e cubas, além dos misturadores com design diferenciado e a predominância do branco.

Segundo o gerente-geral, Johannes Bayer, o investimento na reforma de cada unidade habitacional foi de R$ 45 mil. “As obras de remodelação das acomodações foram iniciadas em janeiro deste ano e compreenderam 26 apartamentos e suítes. Em 2014 pretendemos reformar outras 28 unidades”, afirma.

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