Daniel Topper: Zarpo tem curadoria e atendimento como diferenciais

Oferecer experiências diversificadas é uma das cartas na manga de quem deseja se dar bem no reaquecimento do turismo. E neste sentido, a Zarpo investe na curadoria de hotéis e atendimento diferenciado para se destacar entre as OTAs. A empresa tem hoje sete milhões de clientes cadastrados na plataforma e o objetivo é crescer ainda mais, porém o foco é na qualidade do portfólio, não apenas em números.

Daniel Topper, CEO da empresa desde janeiro, revela que a agência online tem como um dos diferenciais as parcerias alinhadas diretamente com os meios de hospedagem, o que resulta em campanhas de vendas diferenciadas e exclusivas.

Natural de Paris, na França, o executivo vem das áreas de e-commerce e tecnologia, atuando em grupos como a Cdiscount, Via Varejo, Loggi e Mirakl, ao longo de mais de 12 anos de experiência. Agora ele chega à Zarpo para aprimorar a experiência dos clientes e estreitar ainda mais os laços com os hotéis.

Hoje são 500 parceiros, com aproximadamente 400 ativos no site. Entre eles Blue Tree, Bourbon, Tauá, Vila Galé, Iberostar, Costa do Sauípe e Rio Quente (Aviva), Fasano, Club Med, Mavsa, Royal Palm e Costão do Santinho.

Confira a entrevista abaixo:

Hotelnews: Qual é o modelo de negócio da Zarpo e como vocês montam o portfólio?

Daniel Topper: A empresa foi criada em 2011, para o B2C, e tem como base três grandes pilares: a curadoria, pois selecionamos hotéis que façam sentido e atendam aos nossos critérios, o preço, que geralmente tem descontos significativos devido às parcerias com hotéis, e o atendimento, pois sempre oferecemos um suporte fora da curva, no sentido positivo, e também humanizado. Temos 500 parceiros, com quem falamos sobre tarifas, campanhas e promoções.

Tendo como base a minha experiência, no mundo do e-commerce há todo tipo de produto, mas também sites verticais, especializados em determinadas categorias. Sempre escolhemos esse modelo para facilitar a experiência dos clientes e não concorremos diretamente com outras grandes OTAs, incluindo a Booking, que tem volume maior de propriedades. Apostamos no relacionamento mais exclusivo com os hotéis tanto na negociação de preços quanto no conteúdo de cada um divulgado no site.

HN: Como você avalia a sua experiência nos primeiros meses como CEO da Zarpo?

DT: Assumi em janeiro depois que os fundadores saíram aos poucos da rotina, mas eles continuam no Conselho, junto com o time de investidores. Cheguei do universo do e-commerce e tecnologia. Tenho experiência de seis anos na França e outros seis no Brasil, sempre com o intuito de alavancar a área digital e proporcionar uma experiência diferente para o usuário.

A tecnologia está mudando o mundo e não tem como deixá-la de canto. No setor de turismo e hotelaria, a Zarpo pode ser o parceiro ideal para os hotéis se aperfeiçoarem, principalmente na questão de dados. Existem dois extremos: o primeiro, daqueles que querem fazer todo o processo de venda em canal próprio, e o segundo, de quem aposta apenas em OTAs, mas acredito que o melhor caminho é o segmentado.

HN: Qual foi o impacto da pandemia de Covid-19 nos negócios?

DT: Sofremos principalmente em março e abril, que tiveram somente 10% das vendas do ano anterior. Mas como estamos no mercado de lazer e a nossa marca é conhecida, a recuperação para nós é muito rápida, influenciada pelo aumento de demanda pelo turismo doméstico. Voltamos a crescer a partir de agosto e chegamos a níveis pré-pandemia, mesmo gastando menos em marketing.

Já fizemos várias campanhas exclusivas nos últimos meses ao lado de hotéis e resorts como o Mavsa, Cana Brava e Iberostar, para incentivar as viagens pelo País, além de participar da Semana do Brasil, em setembro. Com a flexibilização da quarentena, todo mundo quer viajar.

HN: Como tem sido o comportamento de compra dos clientes nessa retomada do turismo?

DT: A nossa janela de compra passou de 130 para 40 dias, considerando o período entre a reserva e a data de viagem. Em São Paulo, os clientes estão optando pelo interior e litoral, em grande parte. E sobre as vendas no Rio de Janeiro, 77% das reservas são para o próprio Estado, incluindo destinos fortes como Búzios, Mangaratiba e Angra dos Reis. Observamos ainda a retomada do aéreo doméstico, principalmente em rotas para o Nordeste.

HN: Qual é o perfil do público de vocês?

DT: Atingimos um público que quer mais conforto e qualidade. Temos os parceiros mais adequados e um posicionamento claro, atingindo clientes Premium. Nosso ticket médio fica acima de R$ 3.000 reais, com diárias de R$ 800 a R$ 1000, em maioria. São clientes que gastam um pouco mais e viajam com frequência de pelo menos três a quatro vezes por ano.

Além de resorts, oferecemos ainda hotéis menores, principalmente os que atendem famílias, e queremos continuar nessa linha. Curadoria, preço e atendimento continuarão sendo os nossos pilares, e posso adiantar que estamos preparando a maior Black Friday da nossa história.

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