Como o setor pode se preparar para o turismo de escapada

Por Bianca Dramali 

Com o aumento da flexibilização social nas principais cidades brasileiras, a tendência é que o consumo de viagens dentro do país aumente nos próximos meses. Conhecido como staycation ou turismo de “escapada”, essa modalidade é caracterizada por momentos de quebra da rotina em destinos próximos do viajante. Para incentivar a retomada do setor — um dos mais atingidos pelos efeitos da pandemia de covid-19 — o Ministério do Turismo destinou 13,5 milhões de reais para ações de retomada nos estados, de acordo com a CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. 

A retomada no setor requer inovação para satisfazer um consumidor que ainda se sente inseguro e ameaçado pelo coronavírus, mas planeja uma viagem de descompressão. Por isso, é hora do setor de turismo proporcionar experiências seguras que quebrem a rotina cansativa do isolamento. O glamping, por exemplo, uma espécie de camping de luxo, pode ser uma boa pedida para estes tempos.

Empreendedores do setor precisam estar atentos aos diferentes perfis de consumidores de turismo. Um mercado de grande potencial é o de viagens de famílias com filhos pequenos, por exemplo.  Isso porque o equilíbrio entre home office, homeschooling e demais tarefas de cuidado com a casa, vem gerando um nível de estresse intenso para estes consumidores. 

A dinâmica de alta e baixa temporada também muda, pois o turista pode procurar um destino próximo durante uma semana em dias úteis, e não só nos finais de semana ou feriados. As ofertas de hospedagem precisarão dar estrutura de trabalho para quem quer viajar para um destino próximo com sua família e continuar trabalhando. O que era raro antes da pandemia vai se tornar cada vez mais comum daqui para a frente.

Em tempos de confinamento e quarentena prolongados, o consumidor anseia por estar ao ar livre e em contato com a natureza. Por isso, não crescem só as hospedagens em locais com estes atrativos, como também os passeios a parques e demais atrações que proporcionem este tipo de experiência. 

Há uma tendência de comportamento de fuga do urbano, sempre que possível. Até mesmo o setor imobiliário vem sentindo, aos poucos, este fenômeno de interiorização, que começa a apontar mudanças de atitudes de alguns grupos de consumidores que repensam a sua relação com os grandes centros urbanos. Principalmente para aqueles que podem continuar suas atividades profissionais em home office. 

No entanto, há espaço também para ocupação da rede hoteleira, que não oferece estes atrativos ao ar livre, para ofertar outros usos de suas estruturas para day use, como opção de pequenas quebras de rotina. Além disso, cresce também a busca pelo room-office. Que seria o uso de quartos de hotéis como espaços destinados ao trabalho para aqueles que não encontram em sua residência as condições ideais para tal. 

Em um cenário pós-pandemia, acredito que haverá a tentativa de satisfazer uma demanda reprimida por destinos mais distantes, internacionais ou mesmo nacionais que estejam mais longe de casa. Mas tudo vai depender da sensação de segurança das pessoas.


Bianca Dramali é professora de pesquisa e comportamento do consumidor da ESPM Rio


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