Como está sendo a demanda pelo room office nos hotéis

A quarentena obrigatória para muitos profissionais durante a pandemia de Covid-19 mexeu com a estrutura das empresas e impulsionou o modelo de home office, mas ficar em casa por um longo tempo tornou-se algo estressante e cansativo para muitos brasileiros. De olho nessa realidade, várias redes e hotéis independentes apostam hoje no serviço que transforma quartos de hotéis em salas de escritório, seguindo vários protocolos de segurança e higienização. E a Hotelnews conversou com hoteleiros para saber como está a demanda.

A Accor foi um dos primeiros grupos a implementar o Room Office no Brasil, ainda em maio, e destaca que São Paulo tem maior procura devido ao alto número de escritórios fechados. Antes de iniciar o projeto, a rede francesa realizou uma pesquisa com mais de 500 clientes da capital paulista e região metropolitana, que demonstraram interesse na modalidade. Agora, o Room Office foi ampliado para vários destinos do País.

Ibis Osasco

Já existe demanda em outras capitais como Curitiba, Porto Alegre e, em menor escala, Manaus, Fortaleza e Recife porque estes três últimos mercados ainda estão em fase de divulgação e comercialização do produto. “Estamos com 246 hotéis abertos, sendo que cada unidade tem de um a dois quartos, em média, dedicados a este serviço, mas dependendo do hotel pode chegar a cinco quartos de room office”, comenta o COO de Midscale e Econômico da Accor no Brasil, Olivier Hick.

Na Intercity, o produto é chamado de Hotel Office e conta com apartamentos com mesa de trabalho, wi-fi, room service e acesso à impressora e scanner da recepção. Alguns dos destinos que se destacaram na rede foram Ribeirão Preto, Bauru, Salvador e Porto Alegre. Em geral, foram adaptados três apartamentos por hotel e a oferta foi preenchida em várias localidades.

“Várias empresas alugavam apartamentos para reuniões menores quando as salas pequenas já estavam ocupadas. Apenas criamos um nome para este serviço e rapidamente o disponibilizamos por conta do home office forçado. Nem todos têm uma internet de qualidade ou ambiente silencioso em casa”, explica o diretor executivo da rede, Marcelo Marinho.

Em São Paulo, o hotel independente Guest Urban, localizado em Pinheiros, já sente o impacto positivo. “Em julho, 30% do nosso faturamento do mês veio do GUH-Office. Caso não tivéssemos aderido a esta modalidade, não teríamos vendas revertidas em nada com esses quartos em seu padrão normal, devido à ocupação baixa”, afirma o co-fundador e CEO do Guest Urban, Demian Figueiredo.

Espaço do Guest Urban

As salas têm 13 metros quadrados com banheiro privativo, escrivaninha com uma gaveta, cadeira giratória tipo diretoria, poltrona, mesa de apoio para notebook, luminária de mesa, duas redes independentes de wi-fi, ar-condicionado, TV a cabo, frigobar, cafeteira e cofre. Além disso, são esterilizadas com lâmpada UV.

Na capacidade total do Guest Urban, de 14 acomodações 4 estão separadas como salas de escritório e outras 4 estão fechadas, restando 6 habitações em configuração normal. Há flexibilidade em 2 desses 4 quartos de GUH-Office, que podem retornar como acomodações tradicionais dependendo da ocupação do hotel. “É possível acomodar até três pessoas, sendo duas na mesa e a terceira ficaria na cadeira de convidado”, sugere Figueiredo.

Na Accor, a marca mais procurada para Room Office é a Ibis com Ibis Budget e Ibis Styles, devido ao preço mais baixo, seguida por Novotel e Mercure. Juntas, essas marcas representam 60% da demanda, que já ultrapassou 500 vendas desde que foi lançado o produto.

Olivier Hick adianta que o serviço deve ficar, no mínimo, pelos próximos 12 meses, cuja adesão é mais da metade por contratações individuais, assim como os outros hotéis da reportagem. “Não é algo que vai mudar significativamente os resultados e nem gerar milhões em receita, mas é uma maneira de mostrar que somos inovadores”.

Marcelo Marinho acredita que este é um produto que veio para ficar. “É a coisa mais fácil do mundo retirar a cama e montar uma sala no quarto. Apenas demos nome a algo que já fazíamos às vezes”, justifica. E Demian Figueiredo destaca que este é um serviço flexível. “Não sabemos como será o dia de amanhã. Nós vamos oferecer o hotel office de acordo com a busca e se continuar compensando financeiramente também”.

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