Cidade da Bahia é a primeira do Brasil a ter monumentos históricos escaneados

O município de Monte Santo, localizado no interior da Bahia, é a primeira cidade do Brasil a ter seus monumentos históricos escaneados com imagens em 3D. A tecnologia ajuda a ampliar os inventários arquitetônicos e na restauração da estrutura de museus, igrejas e peças históricas, caso aconteça algum acidente.

A tecnologia foi utilizada na Catedral de Notre-Dame, em Paris. A arquitetura da igreja foi danificada pelo incêndio que ocorreu em 2018 e poderá ser restaurada a partir das imagens digitais. No Brasil, as perdas dos patrimônios históricos, também em decorrência de um incêndio no Museu Nacional do Rio de janeiro, poderiam ter sido minimizadas se a tecnologia de escaneamento tivesse sido previamente utilizada.

O arquiteto Timóteo Ferreira digitalizou os edifícios e as ruas de Monte Santo usando o suporte tecnológico da Kemp, empresa especializada em levantamentos, projetos de arquitetura e gerenciamento de obras.

Em abril de 2019, a igreja matriz da cidade foi atingida pelo fogo, que destruiu parte do templo religioso. “Como a escaneamos antes do incidente, acredito que esse trabalho possa contribuir para a sua reconstrução de forma fiel ao modelo original, já que temos imagens tridimensionais precisas de como eram as estruturas da igreja. A partir dos registros, podemos preservar a memória do patrimônio histórico e contribuir para ações de restauração do edifício”, afirma Ferreira.

Da teoria à pratica

O processo de escaneamento digital na cidade de Monte Santo nasceu de uma das etapas da pesquisa de mestrado de Ferreira para o programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O objetivo do estudo é aprofundar e ampliar o inventário arquitetônico da cidade.

Foram quatro dias escaneando o sítio histórico tombado e outros seis dias trabalhando no processamento das imagens. O aparelho ajuda a realizar medições de construções e objetos complexos de forma rápida, simples e precisa. Registra fachadas arquitetônicas, estruturas complexas, instalações de produção e de abastecimento, além de componentes de grande volume.

Um dos motivos que fez o arquiteto Ferreira escolher a cidade foi o valor histórico do lugar, fundado em 1785. O processamento das imagens teve como prioridade as áreas tombadas e as construções históricas. “Ter os registros destes edifícios é importante para acompanhar os processos de tombamentos, caso ocorra alguma irregularidade, e para a difusão destes bens culturais”, explica o arquiteto.

Foto de capa: Escombros da igreja matriz de Monte Santo após um incêndio em 2019/ Divulgação

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