Perfil a chef Mônica Rangel

A cozinha regional brasileira tem uma defensora e o nome dela é Mônica Rangel. Mineira de Juiz de Fora, a chef que se diz autodidata na gastronomia fez poucos cursos na área e é fonoaudióloga por formação. As lembranças do fogão da avó na infância, entretanto, falaram mais alto e quando decidiu empreender, a aposta foi toda depositada no Gosto com Gosto, o restaurante que comanda há 18 anos em Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. “Acho que cozinho desde sempre, afinal minha mãe me deixava fazer bolos para as visitas, assim como geleias e outros quitutes. Lembro muito bem que ela sempre adorou esta minha habilidade, mas quando resolvi abrir o Gosto com Gosto ficou decepcionada, já que ser cozinheira, na época, não era nem um pouco glamoroso. Ainda mais pela especialização na cozinha mineira, que é minha raiz, mas também muito pouco valorizada naquela altura”, conta Mônica.

Não era, mas passou a ser porque Mônica Rangel fez por onde. Prova disso é que sua casa mantém o título de Melhor Restaurante Mineiro validado anualmente pelo Guia 4 Rodas desde 2003. Além dessa deferência, o Gosto com Gosto também integra a lista seleta da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança.

Em julho de 2006, Mônica foi convidada pela Câmara de Comércio Brasil e Alemanha e a Universidade de Santa Catarina (Unisul) a representar a cozinha brasileira na Alemanha, confeccionando jantares em Berlim, Rostock e Perleberg. “Foram 19 dias de intercâmbio cultural e gastronômico”, lembra. Desde então tem representado o País em diversas ocasiões, sempre defendendo os sabores e temperos nacionais. “Adoro girar entre o tradicional, mas com cara e jeito modernos. O público do meu restaurante hoje é bem diverso, já que o brasileiro está dando mais valor ao que é seu”, diz.

Empenhada nessa causa, seu mais recente desafio é ver aprovado o pleito para que o novo Sistema Brasileiro de Classificação dos Meios de Hospedagem (SBClass) do Ministério do Turismo insira a cozinha regional ou típica como critério obrigatório e não opcional aos restaurantes dos hotéis acima de quatro estrelas. “Acho incabível não valorizarmos o que é nosso, não mostrarmos para o turista a riqueza de nossos produtos e pratos, tão diversos entre os estados”, declara a chef, que com esse objetivo está buscando adesões ao abaixo assinado que redigiu e encaminhou ao governo. “Tenho recebido apoio de chefs importantes e até de quem não é ligado ao setor, mas compartilha da minha indignação. Recentemente estive em Brasília com o presidente da Embratur, Flávio Dino, e ele se dispôs a intermediar a questão junto ao responsável pela criação da portaria no MTur. Agora é esperar”, conclui.

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