Budget

Como elaborar e distribuir o orçamento anual sem prejuízo à receita

POR ELIAS GOMES DOS SANTOS

Falar de budget exige técnica. É óbvio, como sempre, que o simples é a melhor resposta. Quando bem feito e aplicado, o budget organiza o esforço de um grupo, de uma equipe, de um conjunto de pessoas. Não se compõe em um gabinete ou departamento, é fruto do coletivo, daqueles comprometimentos individuais que geram atitudes e mudanças no destino da organização.

Enfim, o budget de hotel, na receita, apresenta cada segmento com que trabalha. A receita total se completa pelas outras oriundas dos demais serviços ou produtos comercializados pelo hotel – Alimentos & Bebidas e Lavanderia servem de exemplo.

Já nos custos, é preferível dividi-los naqueles que variam de acordo com a receita ou demanda e os demais que, mesmo variando, o fazem de forma independente delas (receita ou demanda). Os custos fixos não estão nem aí com a variação da receita do hotel. Tendo ou não ocupação eles estão lá e precisam ser pagos.

Daí que o bom budget estabelece metas de marketing, por exemplo, atrelando-as a uma verba apurada por um percentual da receita ao invés de um valor mensal ou anual. De nada adianta ser um valor pequeno por apartamento disponível; é preciso pensar no valor por apartamento vendido.

Se alguém dedica 3% da receita ao seu marketing deve também se lembrar de aplicar bem na manutenção das instalações do hotel e no patrimônio do negócio. Em primeiro lugar o cliente merece voltar e encontrar as instalações em perfeito estado. Nesse caso sim, é bom pensar em quanto é preciso gastar por apartamento existente.

Em uma outra discussão existente no mercado, há um questionamento a esse respeito na hora de avaliar odesempenho de uma operadora hoteleira. Afinal, os investidores e proprietários merecem também que seja mantido o estabelecimento em perfeitas condições de operação para que continue sempre capaz de ter maior geração de caixa.

Orça-se então para o budget, por suas condições contratuais e por seus custos pesquisados e calculados, os demais custos da operação e da administração do empreendimento. Folha de pagamento cujo valor no ano não deve ultrapassar 25% da receita bruta, mas também para uma hospitalidade de nível, aquela que agrega serviços, que não deve ser menor que 18% ou 20%. O segmento econômico é diferente por não considerar no produto alguns serviços normais da hotelaria.

Contudo, não há números nem percentuais cabalísticos ou verdadeiros para todos. Assim como a melhor administração, o melhor budget será o mais adequado ao negócio e às suas pretensões. Orça-se bem considerando o histórico do negócio, o cenário macro econômico, as possíveis variações para o ano ou anos seguintes. Normalmente, o orçamento é apresentado em meses totalizando o ano. É feito para um ou mais anos à frente e traz consigo uma projeção de fluxo de caixa. A partir do total do custo fixo deve se estabelecer a taxa de ocupação necessária para o tão sonhado ponto de equilíbrio taticamente estipulado para acontecer o quanto antes em cada mês.

Como a saúde na vida, o fluxo de caixa é o sangue que pulsa no corpo do negócio e o budget os pensamentos estratégicos de se manter e avançar no mercado. Planejar é possível, viável, útil e ainda potencializa resultados.

Deixe uma resposta