Bruno Guimarães: precisamos otimizar o tempo e aumentar a produtividade

O índice de reservas em hotéis chega a quase 100% devido à pandemia de coronavírus, mas como o setor está trabalhando para obter novas formas de receita e, ao mesmo tempo, exercer papel social? Bruno Guimarães, CEO do VisitNow, explica que houve uma mudança de estratégia. Sem clientes viajando, a plataforma de reservas de última hora passou a auxiliar equipes médicas da linha de frente do combate à Covid-19.

Guimarães também comenta a necessidade de fiscalização dos protocolos de segurança e higienização que estão em desenvolvimento, além das mudanças no consumo de informações e aumento de produtividade durante a crise.

Confira abaixo a entrevista:

Hotelnews: Qual foi o impacto da pandemia no VisitNow?

Bruno Guimarães: Havíamos programado uma campanha de relançamento da plataforma e, quando começou a crise, paramos de receber acesso no site e as pessoas não viajaram mais. E como temos um viés de compras de última hora, o impacto foi de quase 95% no volume de reservas da plataforma.

Repensamos a empresa de modo geral e, logo no início da pandemia, começamos a identificar quais seriam as pessoas que continuariam consumindo hospedagem. Chegamos até os médicos e profissionais da saúde. Na campanha “Você pelos outros, nós por vocês” cadastramos as pessoas que precisavam de hotéis.

Somos uma plataforma que nasceu para ajudar as pessoas, então a ideia é conectar profissionais da saúde aos hotéis abertos. Começamos a disponibilizar diárias com gratuidade, preço de custo ou com mega descontos. Além de ter sido gratificante do ponto de vista social, ganhamos notoriedade e abrimos um canal off-line com central de reservas.

Conseguimos 51 hotéis que efetivamente participaram nesses pilares e somamos 790 profissionais assistidos no Brasil inteiro – predominantemente no Sudeste, mas chegamos também a regiões como o Nordeste e Centro-Oeste. Geramos em torno de 450 noites com a campanha, sendo 230 gratuitas, e esse movimento continua.

HN: Você já comentou que os novos selos de segurança e higiene são importantes, mas precisam de fiscalização rígida. Qual é a sua análise da ação das redes hoteleiras e de que maneira o hóspede conseguiria identificar se esses protocolos estão realmente sendo executados?

BG: É essencial existir um protocolo nacional. O governo deve ter um cuidado bem grande para entender a dinâmica e necessidade de cada hotel, mas existem procedimentos padrões para todos. Não precisa fazer algo tão complexo, mas que atenda à necessidade dos clientes, para que seja possível implantá-lo. É preciso indicar os produtos adequados, período de limpeza e como trazer mais segurança para nós enquanto pessoas físicas.

Obrigatoriamente, os hotéis vão oferecer para os clientes uma nova forma de higienização. E hoje dá para fazer fiscalização através das próprias pessoas. As empresas poderiam criar aplicativos ou plataformas onde o próprio hotel possa se monitorar.

Mas não existe fiscalização melhor do que o feedback do cliente, que pode ser um fiscal e denunciar irregularidades. Vivemos numa era da transparência e os consumidores ganham voz. Através desses selos, os hotéis vão melhorar a competitividade e trata-se de uma forma de valorizar o serviço, trazendo mais negócios.

HN: Quais são as maiores lições e desafios da crise do coronavírus?

BG: Estamos aprendendo uma nova forma de nos relacionar com as pessoas e de produzir. Existem formas de se ter um relacionamento sadio e produtividade sem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. É uma mudança de cultura, que vai acelerar o processo de transformação digital.

A forma de consumo das pessoas também vai mudar com novos hábitos. Vamos aprender a otimizar o tempo porque o brasileiro, em alguns momentos, perde em produtividade se compararmos com outras culturas. Será obrigatório sermos mais produtivos porque vamos precisar fazer duas vezes mais tarefas com menos recursos de equipe e verba.

E a pandemia trouxe uma possibilidade de consumo de informação que antes não havia possibilidade. As pessoas passaram a ter mais filtro nas informações, buscando mais o que se aproxima das suas propostas de vida e valores. O filtro será muito maior para consumir informação e produtos que façam sentido para suas vidas.