Brindes

Ainda funcionam?

Mais um ano está chegando ao fim e a despeito de toda a evolução no mundo dos negócios, nas relações comerciais e nos modelos de parceria, a distribuição de brindes continua prática comum entre empresas e seus fornecedores e clientes. A criatividade, no entanto – ou o valor agregado – é o que pode fazer toda a diferença quando o objetivo é homenagear, demonstrar reconhecimento, fidelizar ou porque não estender a visibilidade de uma marca ao longo do novo ano que se aproxima.

“Os brindes continuam a fazer parte das nossas ferramentas de marketing direto. Principalmente aqui, onde o brasileiro tem um perfil extremamente diplomático e amistoso. Entretanto, eles devem perseguir o mesmo objetivo que outras ferramentas clássicas: gerar residual de marca”, destaca o gerente de Marketing da Travelport, Fábio Mendes. “Isso significa que eles devem ser úteis e estar contextualizados com o negócio da marca e com o dia a dia do público-alvo”, completa. No caso específico da empresa, segundo o executivo, os brindes têm uma participação orçamentária menor em relação à outras ações de marketing, mas são sempre complementares a outros investimentos. “Consideramos o relacionamento um fator de extrema importância para alavancar os negócios da organização e por isso continuamos, frequentemente, investindo nessas ações”, conta Mendes.

Cícero Vilela, diretor de Marketing e Vendas da Rede Deville, entende que uma análise sobre a eficiência e eficácia dos investimentos em brindes precisa levar em conta os compostos de comunicação e promocional. “Antes de tudo é preciso saber quais são os objetivos em se investir no desenvolvimento, produção e distribuição de brindes. Se a finalidade principal de um determinado brinde é assegurar a presença cotidiana da marca junto a um consumidor ou cliente, mediante o uso de um objeto que tenha alguma utilidade ou relevância para o mesmo, quer no ambiente de trabalho, quer no doméstico – ou mesmo em situações de lazer – então é possível que os investimentos em desenvolvimento, design, produção e até personalização do brinde, possam, de fato, funcionar”, avalia Vilela.

O diretor lembra, todavia, que um número crescente de empresas tem adotado políticas restritivas quanto aos seus colaboradores aceitarem brindes de fornecedores. E que há limites para valores máximos e mesmo tipos de brindes que possam ou não ser aceitos. “Que todo mundo aprecia ganhar algo, é um fato. E se esse ganhar algo for percebido como uma vantagem numa aquisição ou num relacionamento comercial aumenta por parte de quem recebe a simpatia para com o brinde e, por tabela, para com a marca nela contida”, pondera.

DE OLHO NO TARGET

Na opinião do diretor, o trabalho de desenvolvimento e design é fundamental para o sucesso de um brinde, pois a peça deve permitir uma boa visualização da marca, sem criar um constrangimento para quem irá fazer uso do brinde, especialmente em se tratando de itens como camiseta, boné, bolsa, e outros do gênero. Itens simples e facilmente incorporados ao cotidiano, segundo Vilela, também podem ser bastante eficazes. “Quando alguém recebe um calendário ou uma agenda, por exemplo, pode optar por manter em uso o material mais caprichado ou o que chegou primeiro. Como não temos como saber se o nosso será o mais bonito, apostamos na antecipação”, conta Vilela, que já começa a produzir os itens em julho e agosto para iniciar a distribuição em novembro.

Gilberto Hingel, diretor de Negócios da Litoral Verde, vai abolir a bolsa de viagem, um item que há anos virou tradição entre as operadoras. “Sabemos que não é mais eficaz. Via de regra ela será passada à frente e acabará nas mãos de um público que, muitas vezes, está muito distante do nosso target”, afirma. No lugar delas entrarão itens mais personalizados, que garantam maior identificação com o perfil e o estilo de vida do público da operadora.

A Blue Tree Hotels é outra rede que aposta nos diferenciais. De acordo com Christiane Kokubo, também da área de Marketing, uma experiência efetiva pode marcar mais do que um presente. “Para homenagear as secretárias, por exemplo, há 11 anos promovemos a Festa das Mulheres e recebemos as confirmações de participação com um ano de antecedência”, conta. A festa ganha, a cada ano, mais atrações e envolve uma programação intensa que inclui jantares, shows, coquetéis e até cursos dentro de um menu de atividades especialmente preparado para esse público. “Neste caso reservamos os brindes para o final da festa, como um item complementar. Buscamos a parceria de marcas e empresas que também se identificam com esse perfil e promovemos sorteios, com prêmios que vão de kits de perfumaria a cruzeiros marítimos”, completa.

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