Bernardo Cardoso: Turismo de Portugal já disponibilizou mais de 10 mil selos Clean & Safe

O Turismo de Portugal tornou-se uma referência nas medidas de combate ao coronavírus. Além do incentivo ao isolamento social durante a pandemia, o destino lançou o selo Clean & Safe, entregue às empresas que seguem os protocolos de segurança e higienização, reduzindo os riscos de contaminação pela Covid-19.

Dessa maneira, Portugal foi o primeiro país europeu a receber o selo Safe Travels do World Travel & Tourism Council (WTTC), que é o Conselho Mundial de Viagens e Turismo. Em entrevista à Hotelnews, o diretor do Turismo de Portugal no Brasil, Bernardo Cardoso, explica a estratégia do destino e o que está sendo feito em prol do setor de viagens.

Confira:

Hotelnews: O Turismo de Portugal criou o selo Clean & Safe para empresas que cumprirem normas de saúde. Como está sendo essa averiguação dos estabelecimentos para eles receberem o selo?

Bernardo Cardoso: O “Clean & Safe” distingue as atividades turísticas que se comprometem a cumprir os requisitos de higiene e limpeza, com vista à prevenção, controle de Covid-19 e outras situações semelhantes. O selo foi criado para abranger todas as cadeias de valor do turismo, hotéis, alojamentos locais, operadores turísticos, restaurantes e empresas de catering, campos de golfe, rent a car, guias turísticos, entre outros que, em simultâneo, vão implementando protocolos específicos para as várias atividades.

Neste momento, a procura tem sido muito elevada e já foram disponibilizados mais de 10.000 selos, o que representa um elevado compromisso e capacidade de adaptação das empresas portuguesas para receber turistas, transmitindo as condições de confiança e segurança que o mercado espera e exige.

O Turismo de Portugal e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) serão as entidades fiscalizadoras. Mas o fundamental deste processo é o enorme compromisso dos estabelecimentos portugueses que, em conjunto com o próprio consumidor, irá exigir o cumprimento das normas de segurança, transmitindo a confiança fundamental a quem nos visita.

HN: Como o turista poderá saber quais estabelecimentos receberam este selo?

BC: Este controle e acompanhamento por parte do consumidor será realizado através de uma plataforma eletrônica que será lançada brevemente e que vai permitir ao próprio consumidor informar todas as situações que não estejam de acordo com as normas ou protocolos definidos.

Assim, a responsabilidade é de todos, sem exceção. Um consumidor/turista pode verificar se o hotel, restaurante ou qualquer outro estabelecimento que aderiu a este selo esta a cumprir as normas e protocolos e, inclusive pode dar opiniões e sugestões aos estabelecimentos – que terão uma identificação.

HN: Você acredita que, mesmo após uma vacina ou medicação para a Covid-19, estes novos protocolos de segurança serão mantidos?

BC: As alterações e mudanças têm sido profundas e, a partir de agora, nada será igual. Vivemos momentos únicos que nos alertaram para situações que já requeriam mudanças, mas que não tínhamos ainda tido a coragem de tomá-las. Assim, acho que muitos protocolos serão mantidos e adotados porque fazem parte de uma evolução, de necessidades do mercado e do consumidor.

HN: Como o país está se preparando para receber os estrangeiros?

BC: Sendo o turismo um importante setor de atividade para a economia portuguesa, todos nós levamos muito a sério a definição de estratégias com vista à abertura do país. As atitudes, medidas e comportamentos dos portugueses e de Portugal o posicionou como um exemplo a seguir. Muitos meios de comunicação internacionais em quase todas as partes do mundo deram relevância e reconhecimento à estratégia portuguesa. Um trabalho conjunto que envolveu governo, entidades, empresas e cidadãos.

Eu estava em Portugal quando foi comunicado o primeiro caso, em 2 de março. No dia 13 eu regressei ao Brasil e já os portugueses voluntariamente ficaram em casa e assumiram essa responsabilidade de se proteger para proteger o próximo. Foi um esforço comum por todos. Assim, sabemos que neste momento de desconfinação teremos de ser responsáveis e respeitar todos os procedimentos e todas as normas por forma a receber quem nos visita e trata-los como fossem locais.

HN: Inicialmente, haverá alguma restrição?

BC: Todas as medidas implementadas podem ter restrições decorrentes das incertezas desta pandemia. Por isso, vamos manter rigorosas e apertadas regras de segurança sanitária estabelecidas no país pela Direção Geral da Saúde.

HN: Qual será a estratégia do Visit Portugal para retomar a confiança do turista brasileiro e se manter entre os destinos mais visitados?

BC: Portugal tinha que definir estratégias de atuação em um curto espaço de tempo. A primeira atitude foi fechar as nossas fronteiras e cuidar dos nossos, dos portugueses, pois todos teríamos momentos difíceis. Fomos o primeiro país do mundo a lançar um filme que convidava os todos a ficarem em casa, a não visitar Portugal.

“Este é o tempo de parar, de recentrar e de unir esforços para podermos seguir em frente”. Foi um filme que serviu de inspiração para uma reflexão alargada, chamando atenção que esta pandemia iria passar e que Portugal estaria à espera de todos quando tudo passasse. O #CantSkipHope, foi produzido durante a quarentena em Portugal e emocionou o mundo.

O segundo momento aconteceu quando usamos a literatura e os escritores portugueses como proposta para visitarem Portugal. Fernando Pessoa, José Saramago e muitos outros escreveram sobre Portugal e suas paisagens. Através da leitura, convidamos todos a nos visitarem. Reforçando desta forma a comunicação de se manterem em casa, de manterem a responsabilidade e o destanciamento, #LerPortugal foi mais um filme de esperança, inspiração e reflexão.

Enquanto isso, o Turismo de Portugal, em parceria com as autoridades preparava o lançamento do selo Clean & Safe para posicionar o país como destino turístico de confiança e segurança. Assim que tivemos reunidas as condições, demos início a uma reabertura faseada, iniciamos no mês de maio e entramos agora na última fase, com uma nova campanha de promoção.

Nunca podemos esquecer que Portugal é um país autêntico, diversificado, atraente, inclusivo e seguro, com compromisso de receber bem e em segurança todos os que nos visitam. Acreditamos que os turistas vão procurar destinos que possam oferecer recursos ligados à natureza e bem-estar. Portugal tem um enorme potencial na oferta desse tipo produtos.

Para além de Portugal continental, queremos apostar na diversidade de outros destinos internos como e o caso do arquipélago da Madeira, eleito “Melhor Destino Insular do Mundo” e “Melhor Destino Insular da Europa”, nos World Travel Awards e dos Açores, onde a natureza em modo puro o levou a ser considerado o primeiro arquipélago do mundo com certificado de destino turístico sustentável.

HN: Quais são a principais lições que a crise do coronavírus trouxe para as empresas de turismo?

BC: Os portugueses são pessoas otimistas e têm provado, ao longo da sua história, que saberão tirar todas as lições e ensinamentos. Sabemos transformar os momentos menos bons em oportunidades. Recordem-se que há poucos anos Portugal passou por crise e depois foi reconhecido como um país que se soube se reinventar e inovar. Nosso país e o mundo estão em mais um momento complicado, mas seguramente os portugueses vão usar a união para ultrapassar esta crise e sair mais fortes.

Acredito que o empreendedorismo é uma das receitas para o sucesso. O cooperativismo tem como propósito unir pessoas com o mesmo objetivo, construir algo sustentável e que não seria possível de forma isolada. É necessário incentivar e apoiar estes modelos como forma de crescimento.

Foto de capa: Divulgação/ Milton Galvani

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