Apelo real

Monarquia impulsiona o turismo na capital do Reino Unido

A capital do Reino Unido nunca esteve tão em voga como nos últimos meses. Como se não bastasse o fato de ser a próxima sede das Olimpíadas e já ter sobre si os olhos do mundo em contagem regressiva, acaba de ser palco do casamento do século. Nada menos que 600 mil visitantes se deslocaram de algum ponto do planeta para ver o enlace de William Spencer e Catherine Middleton e acompanhar, ainda que de longe, a transformação de um conto de fadas em vida real.

Dados do Visit Britain dão conta de que esses visitantes adicionais injetaram na economia local aproximadamente 50 milhões de libras. E o que é melhor, deixa a expectativa de que a performance ainda renda frutos. Isso porque o mesmo organismo revela que um ano depois do casamento de Charles e Diana (1982), o país registrou 184 mil visitantes a mais em relação ao ano anterior. E o feito repetiu-se em 1987, ano seguinte ao casamento do príncipe Andrew com Sarah Ferguson, que registrou 1,7 milhão de visitantes adicionais na comparação com 1986.

Motivado ou não pelos eventos grandiosos, o turismo britânico projeta um fluxo adicional de quatro milhões de turistas para os próximos quatro anos, 2 bilhões de libras em receita oriunda dessa movimentação e a criação de 50 mil novos empregos em decorrência do aumento na demanda dos muitos segmentos que integram a cadeia turística.

ROTEIRO DE CINEMA

Além dos jogos olímpicos, 2012 será marcado também como o ano do Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II, que celebrará seis décadas de reinado. Um apelo adicional para o alcance da meta projetada, considerando que um estudo recente do Visit Britain envolvendo turistas provenientes de várias partes do mundo, mostrou que a monarquia gera 500 milhões de libras para o turismo. E os brasileiros estão entre os mais sensíveis ao tema. Cerca de 80% deles elegem pelo menos uma atração relacionada à realeza para visitar.

Não sem razão, logo após o lançamento do filme ‘O Discurso do Rei’, vencedor de quatro das 12 categorias em que foi indicado na última edição do Oscar (melhor filme, diretor, ator e roteiro original), muitos dos roteiros turísticos retratados na obra acabaram nas prateleiras de agências e operadoras de turismo.

O Estádio de Wembley, em Londres, inclui-se entre os atrativos mapeados. Logo na abertura do filme, vê-se o então ainda príncipe Albert lutando para se dirigir ao público no encerramento da Exposição do Império Britânico. O evento aconteceu originalmente em 1925, quando o estádio era conhecido como Empire Stadium, ou Estádio do Império, na tradução para o português. Foi durante esse discurso que a gagueira do príncipe se tornou pública e ele passou a procurar desesperadamente por um tratamento. O local também está listado para receber algumas das competições de futebol dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2012. O estádio é aberto a visitação e permite que os turistas conheçam o túnel dos jogadores, os vestiários, e os degraus da sala de troféus, entre outras curiosidades.

Seguindo o mesmo roteiro pela capital, chega-se ao distrito de Westminster, ou mais precisamente à Harley Street onde Lionel Logue, o fonoaudiólogo australiano que tratou a gagueira do já coroado rei George VI (pai da rainha Elizabeth II), abriu seu consultório em 1926. A rua era famosa pela grande quantidade de consultórios de médicos e especialistas, e ainda hoje há cerca de três mil profissionais da área atuando nessas imediações.

Ainda para os que se sensibilizam com os apelos de Hollywood, uma dica de roteiro opcional muito próximo da capital é Peak District, na região central da Grã-Bretanha, que chegou a ser apontado como a possível escolha para a lua-de-mel de William e Kate. A região é belíssima e inspirou Jane Austen a escrever ‘Orgulho e Preconceito’ motivada por sua atmosfera romântica. Peak District foi designado o primeiro parque nacional da Grã-Bretanha, em 1951, e conta com pubs rurais acolhedores, autênticas hospedarias e diversos festivais durante toda a primavera e o verão.

Linha do tempo

Que atire a primeira pedra quem não teceu comparações entre Lady Di e a Duquesa Kate Middleton. O Visit Britain também traçou uma linha do tempo dos 30 anos que separam os casamentos reais e exceto pelas edificações que se mantém preservadas ao longo dos séculos, como a Abadia de Westminster e a Catedral de St. Paul, muita coisa mudou na capital londrina. Na época de Charles e Diana a então recém-inaugurada NatWest Tower (hoje Tower 42) era o edifício mais alto do Reino Unido, com 183 metros de altura. Atualmente, a obra de Renzo Piano, The Shard, apesar de ainda estar em construção ao lado da Tower Bridge, já se tornou o edifício mais alto da Grã-Bretanha, superando o One Canada Square, em Canary Wharf. Em 2013, quando estiver concluído, The Shard terá 310 metros.

No mesmo mês do casamento, o London Docklands Development Corporation foi criado com o objetivo de restaurar a antiga zona das docas no leste de Londres, área que havia caído em desuso. O Canary Wharf só seria concluído dez anos depois, ao passo que o Docklands Light Railway e o Aeroporto London City (LCY) entrariam em funcionamento após seis anos. O mesmo se pode dizer de Brick Lane, Shoreditch e Hoxton, com seus mercados vibrantes, bares animados e galerias de arte, que não faziam parte do roteiro habitual 30 anos atrás e hoje figuram na top list de visitação em Londres. De novo nesse cenário também surgiram a Millennium Bridge, que hoje pode ser vista do mirante da catedral de St. Paul e a Tate Modern no mesmo lugar onde há três décadas se via apenas um edifício industrial abandonado.

Outra curiosidade mapeada nessa linha do tempo do turismo britânico é que após o casamento do príncipe Charles e a princesa Diana, em 1981, a família real se reuniu na sacada do Palácio de Buckingham diante de uma multidão eufórica na alameda (The Mall), até então o local mais próximo da área em que os visitantes podiam chegar. Atualmente, a abertura no verão dos apartamentos oficiais do Palácio de Buckingham é um marco no calendário turístico, mas só recebeu o público em 1993, com o intuito de angariar fundos para a reconstrução das áreas danificadas do castelo de Windsor após o incêndio ocorrido no ano anterior. Em 2011, a abertura dos apartamentos acontecerá no período entre 1º de agosto e 25 de setembro.

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