África do Sul rumo à Copa do Mundo

Para a África do Sul, hospedar a Copa do Mundo 2010 é uma oportunidade para concentrar esforços no desenvolvimento sustentável do turismo. Observando esse conceito, há alguns anos, o governo e a iniciativa privada vêm investindo no setor, conscientes de que as belezas naturais e a vida selvagem atraem viajantes, mas isso não é suficiente. É preponderante promover a melhoria da qualidade de vida do povo e a preservação do meio ambiente.

O turista quer uma experiência real. De nada adianta criar um cenário, apresentar a natureza e a cultura como em um show. Ele quer autenticidade e isso requer a integração com a comunidade. A ideia é investir no turismo sustentável para sobreviver 2010. Senão, o país desperdiçará a promoção mundial inerente à Copa. O evento trará lucros para alguns, mas isso é um bônus. “Melhorando os destinos turísticos para se viver, estamos capacitando-os para serem visitados”, afirmou Karen Eaterston, diretora da sul-africana Eco Imagination Tourism, no 2º Seminário sobre Turismo Sustentável, em São Paulo.

Esse evento, promovido pelo Grupo Santander Brasil em parceria com o Sebrae e a Embaixada da África do Sul, em março, também foi realizado em Salvador (BA) e em Brasília (DF). Ele faz parte da divulgação das experiências intrínsecas ao projeto de benchmarking Excelência em Turismo, iniciadas em 2008, com um seminário sobre a Nova Zelândia. Da África do Sul, vieram diversos especialistas do setor. “O país africano, que realizará a Copa 2010, tem similaridades com o Brasil e é uma experiência de sustentabilidade do turismo”, frisou Julio Bin, superintendente de desenvolvimento de negócios sustentáveis do Santander.

Investimentos

Situado no Extremo Sul do continente africano, o país é banhado por dois oceanos (Atlântico e Índico), tem nove províncias e diversos grupos étnicos com idiomas próprios. Boa parte da população não sabe o inglês, uma das línguas oficiais. Em meio a exuberantes paisagens, persistem altos índices de pobreza e criminalidade, resquícios do apartheid (segregação racial), regime político que teve como marco final as eleições livres de 1994.

A Fifa (Federação Internacional de Futebol) estima que o país receba 450 mil turistas e 32 seleções. Nos preparativos, investir na segurança é uma das prioridades. O governo prevê a capacitação de 40 mil pessoas para o policiamento. Com os recursos advindos dessa instituição e dos patrocinadores, contando com a parceria da iniciativa privada, a meta do governo é investir na educação, inclusão social das comunidades negras e em obras de infraestrutura, priorizando: energia e saneamento básico. Também está prevista a melhoria dos transportes nas nove cidades anfitriãs da Copa, incluindo a ampliação de aeroportos e o programa de recapitalização dos táxis, entre outras ações. O país dispõe de rodovias e ferrovias com infraestrutura moderna. Além disso, a Fifa está realizando treinamentos de voluntários para recepcionar turistas, sendo que a maioria das aulas é prática.

O país conta com parque hoteleiro qualificado, com empreendimentos sofisticados como o The Palace, famoso hotel de padrão seis estrelas, situado em Sun City, e que integra um complexo com outros meios de hospedagem, campo de golfe, cassinos e safáris. No seminário, foram apresentados vários “cases” de empreendimentos com o conceito de hotel verde. No entanto, nem sempre foi assim. Anteriormente, sem planejamento turístico, foram construídos empreendimentos que degradaram a natureza. Ainda hoje, alguns relutam em se adequar aos conceitos da sustentabilidade e a visualizar o turismo como um setor econômico. Há muito trabalho a ser feito. Afinal, as mudanças do comportamento social são processos que demandam tempo, frisou Karen.

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