A utilização do vidro como elemento da construção

Símbolo da arquitetura moderna ganha novas aplicações em residências e espaços comerciais

O Museu do Louvre, em Paris, não é apenas um dos mais expressivos cartões postais da França, mas também um ícone da arquitetura moderna ali representada na imponente pirâmide de vidro. Ela foi incorporada ao projeto do Grand Louvre em 1989 e leva a assinatura do arquiteto chinês, naturalizado norte-americano, Ieoh Ming Pei.

A adoção do vidro como elemento da arquitetura remonta ao século 19, mas foi notadamente na última década que a prática configurou-se como uma tendência e solução encontrada quando se objetiva a valorização dos espaços internos e sua integração com áreas externas da construção.

Com esse objetivo, a arquiteta Moema Wertheimer lançou mão desse elemento em alguns dos seus mais recentes projetos, como no retrofit do lobby do Edifício Birmann 8, hoje denominado AD 2200. “A ideia era modernizar a construção com o intuito de captar novos inquilinos”, conta a arquiteta que utilizou o vidro como a peça chave desse projeto. “Utilizado nas paredes e na escada, ele trouxe modernidade ao conjunto, tornando o lobby mais leve e claro”, explica Moema. “Nas paredes utilizamos o vidro temperado serigrafado, fixado em estrutura de alumínio. Já na escada, que substituiu a antiga e passou a ter papel de destaque no ambiente, utilizamos os vidros laminados temperados e curvos, como guarda-corpo da mesma, e também do hall de elevadores do 1º andar”, completa.

Na opinião da arquiteta, a transparência do vidro utilizado na escada conferiu uma nova perspectiva a quem entra no lobby, ao mesmo tempo em que destacou a área do balcão da recepção, permitindo que o visitante ou usuário do edifício possa ver a área de elevadores e, ao fundo, o corredor que dá acesso ao café, situado no acesso ao estacionamento descoberto. Em complemento ao guarda-corpo de vidro, ela instalou corrimões em aço inox escovado, fixados entre os paineis de vidro, com cola UV.

Outro case lembrado por Moema é o do restaurante da sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), onde o objetivo era elaborar um espaço moderno, acolhedor e versátil valorizando uma das mais belas vistas da capital paulista. “Para transformar o ambiente, mantendo sua tradição, elegância e excelência foi necessário reformular totalmente as instalações, o que incluiu o fechamento externo do restaurante. O projeto utilizou na fachada vidro Ecolite incolor laminado 14mm e pilares de sustentação em vidro laminado Sentruy Glass temperado 30mm, fixos com ferragens de aço inox apoiados sobre mureta de alvenaria revestida em Limestone com iluminação embutida (Led) para o lado interno. Assim os espaços se tornaram mais amplos, confortáveis e bem iluminados”, justifica.

Herança milenar

Inúmeros são os exemplos de emprego do vidro na atualidade, em projetos residenciais ou comerciais, mas é preciso lembrar que muito antes dessa descoberta, o vidro era tido apenas como matéria-prima para a confecção dos vitrais, esta sim uma técnica milenar. Mas, se no passado os vitrais estavam diretamente relacionados às figuras e construções religiosas, com o passar dos anos notou-se também aí uma tendência na decoração de estações, bares, restaurantes, hotéis, hospitais e, claro, também residências, em suas mais diversas formas e estilos.

“O Vitral é atemporal, cabe em diversos projetos e tem a vantagem de transmitir luz, cor e brilho. Quando exposta à luz natural, essa arte pode ser uma obra em constante mutação, pois sua cor e luminosidade dependerão dos raios do sol, da claridade, da luz, dos reflexos e da variação do clima, do tempo e das estações”, detalha Frederik Hendrik Antonius Geuer, que acumula 35 anos de experiência em técnicas de vitrais e mantém o ateliê e a sede da empresa em Vinhedo, no interior de São Paulo. “Hoje, o vidro importado é mais usado, pois apresenta uma variedade de cores muito maior, são cinco mil tonalidades.

Além dos vitrais, somos muito procurados pela técnica exclusiva que criamos, que é a do mosaico vitral, feito com caquinhos colados. Nesta técnica reciclamos o vidro empregado em outros trabalhos. Na medida do possível reutilizamos tudo para sermos ecologicamente corretos”, detalha Frederik, lembrando outra característica atribuída ao material, que assim vai garantindo espaço em tempos em que a palavra de ordem é a sustentabilidade do planeta.

Deixe uma resposta