A importância do ecoturismo para preservar a Amazônia

Por Alexandre Sampaio

A Amazônia é uma das maiores riquezas da humanidade e, por ser tão exorbitante, chama a atenção do mundo inteiro. Além de ser o maior bioma brasileiro, a região se estende por mais oito países e, com isso, consolida o seu título de maior floresta tropical do mundo. Sabe-se que a sua área aproximada é de 6,74 milhões de km². Destes, 60,1% fazem parte do território brasileiro. 

No Dia da Amazônia, celebrado no último sábado (5), tivemos uma importante reafirmação a fazer: devemos valorizar o turismo sustentável para preservar a região. Nosso segmento possui uma forte movimentação para defender as atividades realizadas de forma ecológica em toda a localidade. Este tipo de ação é conhecido como ecoturismo, responsável por ajudar a preservar o equilíbrio do ecossistema, sem afetar o apoio às comunidades que vivem desta forma de faturamento.

Temos uma beleza inenarrável em nossas mãos que deve ser preservada, cuidada e aproveitada. Veja bem, não podemos explicar a magnitude da Amazônia com números, mas é possível ter uma breve noção da sua importância com esses dados que trazem, de uma forma aproximada, o “DNA das selvas”.

No que diz respeito a registros, hoje em dia, temos 30 mil espécies de plantas conhecidas na área. Já no âmbito hídrico, a maior bacia hidrográfica pertence a este gigante das selvas, com cerca de seis milhões de km² e 1.100 afluentes. 

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a região é responsável pela maior reserva de madeira tropical do mundo. Além disso, os recursos naturais como borracha, castanha, peixe e minérios representam uma abundante fonte de riqueza local. 

Com o passar dos anos, podemos notar que viajar para essas terras tão queridas tem se tornado um destino frequente na rota dos turistas. Além da região, o nosso país é conhecido por suas belezas naturais, o que estimula ainda mais o nosso ecoturismo. 

Em 2014, por exemplo, já tínhamos registros de que a natureza brasileira é responsável por gerar movimentações significativas para todo o país. Dois anos antes, o Ministério do Turismo (MTur) informou que metade dos 46,8% dos turistas internacionais que vinham ao Brasil por lazer buscavam atividades junto à natureza. Já em 2018, o órgão também apresentou dados de que o turismo de natureza é a segunda maior motivação de viagens para a nossa região.

No ano passado, tivemos mais de 285 mil visitantes no estado do Amazonas – destes, 164 mil eram brasileiros. Os dados foram apresentados pela Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) e corroboram a importância de toda a localidade para o país e para o mundo. Nós, como representantes do segmento, sabemos da importância dessa movimentação, visto que o turismo é responsável por gerar emprego e renda no nosso país.  

É válido dizer que, atualmente, estamos passando por momentos atípicos. Em situações tão adversas, como estas que a pandemia do coronavírus (Covid-19) nos trouxe, o nosso pensamento tende a fluir e enxergar além do óbvio. Para o Dia da Amazônia, essa reflexão é necessária para que a população entenda a real importância da região. Apesar de sabermos a sua grandeza, é fundamental que a conversa seja constante. 

O ecoturismo não é recente, mas também não é um movimento antigo. No final de 1970, tivemos uma preocupação global acerca dos cuidados com o meio ambiente e, com isso, vimos esse conceito se fortalecer. Em 1985, a Embratur iniciou o Projeto Turismo Ecológico, onde este movimento ganhou ainda mais força e trouxe, iminentemente, a necessidade do desenvolvimento econômico, com os cuidados em massa para a preservação do ecossistema. 

Agora, com a pandemia, vemos que esta atividade poderá ganhar destaque em prol da saúde pública. Sabemos que as medidas de restrição contra a Covid-19 implicam em evitar aglomerações e, com o retorno gradativo de viagens, o turismo ecológico é uma das possibilidades para voltar a movimentar o setor.

Devemos pensar em todas essas questões. É preciso saber valorizar o que temos e, com o ecoturismo, vemos a possibilidade de preservar um lugar tão incrível que é a nossa floresta. Ademais, podemos movimentar o nosso turismo interno. Temos que ser conscientes com o que está em nossas mãos e, sem dúvidas, todo cuidado é pouco para esta floresta tão ampla, mas que é extremamente sensível a quaisquer interferências. 


 Alexandre Sampaio é presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA)


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