Encatho & Exprotel 2019 – Inovação e gestão hoteleira concentram atenção de profissionais

Com encerramento nesta 5ª. feira (15), o 32º Encontro Catarinense de Hoteleiros – Encatho – atraiu as atenções de um público formado por profissionais da hotelaria, ávidos por reciclar conhecimento a respeito de novas tecnologias aliadas da gestão e soluções compatíveis à nova realidade do mercado. O evento, que acontece no Centro Sul, em Florianópolis (SC), elegeu 27 painéis diferentes sob o tema principal: “Soluções e Inovações na Hotelaria”. No mesmo espaço do Encatho se realiza a Exprotel, feira que apresenta novidades em produtos e serviços para hotéis e, nesta edição, reúne 50 expositores dos mais diversos segmentos de fornecedores do setor.
Um e-book, que acaba de ser lançado pelo Floripa Convention – que conta com 45 segmentos e 160 empresas no seu corpo de associados – traz a adequação da capital catarinense como destino para casamento. Fernanda Camargo, coordenadora comercial do órgão de promoção local, sintetizou durante palestra a visão sobre o que é ser um Wedding Destination e as particularidades que esse nicho de negócios requer dos equipamentos hoteleiros, prestadores de serviços e infraestrutura da localidade escolhida. “O segmento pede profissionalização dos hotéis que devem se adequar para receber esse cliente e seus convidados, com gastronomia de ponta, qualidade e variedade na prestação de serviços, concierge wedding, pacotes diferenciados acordados com o receptivo local e divulgação no segmento de casamentos”, recomendou a representante do Floripa Convention.
O “Impacto da Maturidade na Hotelaria” foi tema concorrido. Paulo Kendzerski, que está à frente do Instituto da Transformação Digital, instituição sem fins lucrativos e que acaba de consolidar os dados de uma pesquisa para a ABIH-SC, atraiu os olhares dos presentes ao mostrar o baixo uso de tecnologias auxiliares do negócio no setor hoteleiro. A dificuldade afeta frentes como entender a contento o cliente, mapear e promover mudanças nos processos operacionais e alterar o modelo de negócios. Do universo de 120 empresas pesquisadas – associadas da entidade catarinense do setor – a resposta, que irá ao ar no site da ABIH-SC na próxima segunda-feira (19), revela particularidades como a não utilização de ferramentas do Google, disponibilizadas sem qualquer custo. A aferição demonstra que 80% dos entrevistados não contam no site com o Google Tag Manager e 82% não lançam mão de certificado digital e 100% não recorrem ao Google Meu Negócio. Na mesma sondagem se constatou que entre os empreendimentos hoteleiros se dá uma atitude que chamou de repitiliana e que 95% não respondem às consultas sobre reservas, em até 4 horas e 90% não informam o número de whatsapp no site. O especialista ainda considerou que a imaturidade digital pesa contra as corporações no momento de receberem aporte de investidores externos.

Paulo Kendzerski, do Instituto da Transformação Digital
Mário Martins de Paula, vice-presidente da Costa Esmeralda, associação de hotéis que nasceu, em 2013, da iniciativa do Sebrae-SC ao reunir 19 empreendedores de três balneários catarinenses, Bombinhas, Itapema e Porto Belo, numa Central de Compras, levou o seu relato da forma de atuação cooperativa no segmento. Hoje esse complexo de hospedagem disponibiliza 2 mil leitos e conserva princípios modernos de gestão. “Seguimos à risca valores de sustentabilidade e éticos”, sintetizou Mário de Paula, ao assinalar ganhos adicionais do modelo adotado como redução de custos, compras consorciadas de amenities, eletrodomésticos, cadeiras de praia, camas entre outros itens. Entre os ganhos adicionais, o executivo da Costa Esmeralda assinalou o apoio do Sebrae, representatividade junto ao setor público, ação de comunicação ampliada com presença regular em feiras do setor e a maior expressão da rede como case de negócios.
A arquiteta Elisa Prado em sua palestra orientou os presentes sobre a acessibilidade nas estruturas dos hotéis. Com a legislação a respeito do assunto – ainda em trâmite e inserida na votação que se encontra para apreciação do Senado sobre a Lei Geral do Turismo – explicou as diferenças entre os conceitos de acessibilidade e desenho universal (forma mais equitativa de se aplicar as mudanças físicas nas instalações hoteleiras). Ao replicar o que se encontra expresso na Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), a arquiteta salientou que “o limite é do ambiente e não da pessoa”. O esforço, segundo ela, é criar um ambiente que não segregue e nem estigmatize as pessoas com necessidades especiais. Flexibilizar o uso das diversas dependências da hospedagem, tornar simples e intuitivo e promover a autonomia dessa clientela especial durante a permanência no hotel estiveram entre as recomendações de Elisa Prado.
No papel de consultora do Sebrae e com mestrado em hotelaria na Itália, Ana Clévia Guerreiro destacou o quanto a capacidade de atender à expectativa do hóspede influencia na imagem que o mesmo extrai do destino turístico. Intrinsicamente ligados, a experiência com a hospedagem pode definir o desejo do viajante retornar ou não à localidade. Entre as recomendações sobre o que é um hotel e um destino inteligente, Ana Guerreiro relacionou a aproximação com o cliente e o imperativo em conhecer seus desejos e ir além na tarefa de atender os anseios do hóspede. Na interdependência estabelecida entre o hotel e espaço geográfico, a especialista ainda orientou para que seja redobrada a atenção sobre como hoje o consumidor trata as questões de sustentabilidade e inclusão, de forma a que não se tropece em questões dessa natureza. “Como seu hotel encara os hóspedes da terceira idade e em que medida ele considera a opinião dos influenciadores digitais?”, questionou.

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