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Economista da XP Investimentos fala sobre reformas políticas

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, foi uma das palestrantes do II Fórum Nacional de Hotelaria – que aconteceu hoje (9) no Centro de Convenções Pullman e Grand Mercure Vila Olímpia, em São Paulo (SP).

A especialista mostrou um cenário econômico atual e falou da importância da reforma da previdência, do teto de gastos e de outras questões que se iniciaram no governo anterior. “Hoje sabemos com mais clareza que não adianta mais fazer uma CPMF nem aumentar a carga tributária, pois o aumento dos gastos é automático. Administrar o orçamento não é fácil. Do governo, por exemplo, 95% são de despesas obrigatórias”.

Em relação à reforma da previdência, Zeina acredita que permitirá a estabilização dos gastos da União com previdência como proporção do PIB, mas destacou que não será fácil ou rápido. “A reforma da previdência é importante, mas estados e municípios ficaram de fora, o que é uma pena. O bônus demográfico acabou no ano passado e as pessoas estão envelhecendo e ficando mais pobres. Não vai sobrar dinheiro e o tema ajuste fiscal vai continuar na agenda do governo”.

Para a economista, a reforma tributária também é essencial, mas para dar mais eficiência e ajudar no crescimento, e não para reduzir carga. “Outro pilar é o capital humano, temos no Brasil indicadores muito ruins, com apenas 65% dos nossos jovens completando o ensino médio. A indústria é o setor mais sensível na crise, quando esse setor vai mal é emitido um alerta para a economia como um todo. É preciso resgatar a indústria”.

Ela afirma ainda que as agendas de reformas estruturais também dependem da política na busca de soluções majoritárias, “pois o Brasil é um país complexo e essa complexidade impacta no congresso. Todavia, estamos num processo de desenvolvimento, é hora de plantar. Mas o cenário externo influencia absurdamente nas questões internas. Com a economia mundial desacelerando, o comércio mundial fica quase estagnado”.

“Por um lado, é importante confiar que o Brasil está amadurecendo e temos que nos preparar, mas com o pé no chão, com um horizonte de baixo crescimento. É difícil acompanhar o mundo, sem bônus demográfico, mão de obra e parque industrial defasado. Estamos numa economia muito frágil e precisamos de cautela”, finaliza.

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