Conotel 2017 – Especialistas dizem que faltou trabalhar a imagem do Brasil após grandes eventos
O terceiro painel do último dia do 59º Conotel – Congresso Nacional de Hotéis, evento realizado pela ABIH Nacional – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, entre 17 e 19 de maio, em São Paulo (SP), teve como tema “Grandes Eventos para o Crescimento do Turismo Nacional”.
Para Érica Drummond, CEO da Vert Hotéis e presidente da ABIH Minas Gerais, o legado deixado pelos grandes eventos no Brasil foi pequeno, em relação a seu custo. Segundo a presidente, a Copa do Mundo deixou para Belo Horizonte e outras cidades o grande legado da reforma dos estádios de futebol. “No caso das Olimpíadas, foi focado ao Rio de Janeiro, e foi um sucesso”, diz. “O grande evento é bom para países que têm estrutura. Agora o Brasil tem. Mas eu defendo os pequenos e médios eventos”, completa. “Esse legado está aí, vai nos ajudar para os próximos 20 anos. A estrutura que o primeiro mundo tem agora a gente também tem. Se hoje aparecesse uma Olimpíada nós poderíamos sediar, mas antes não tínhamos condições, países pobres não devem sediar esses eventos”, diz.
A presidente da ABIH Minas Gerais, apoiou a realização de eventos no país, o que ajuda a manter os hotéis ocupados.
Ana Cláudia Bitencourt, presidente da ABEOC – Associação Brasileira de Empresas de Eventos, diz que no Brasil fazemos milagres para organizar eventos. “O Brasil tem belezas naturais e, se tivéssemos um bom planejamento, com certeza estaríamos entre as cinco maiores sedes de eventos internacionais”, acredita. “Eu sempre trago exemplos de pequenas cidades que criam seus eventos. Temos muitas questões culturais e trabalhá-las é uma tendência. É juntar o empresariado, criar, inovar. É impossível que uma cidade, por menor que ela seja, não tenha atrativos. Crie um calendário de eventos, dá trabalho, mas dá certo”, diz.
Claudio Tinoco, diretor de Relações Institucionais da Anseditur – Associação Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais do Turismo, representando seu presidente, Cristiano Rodrigues, afirmou que a maioria dos grandes eventos no Brasil está ligada com a atividade cultural das localidades. “Muitos destinos acabam desenvolvendo uma indústria do entretenimento por trás desses grandes eventos”, diz.
Para o representante da Anseditur, os grandes eventos melhoram a infraestrutura e qualificação para melhor atender o turista, como investimento na sinalização turística nas cidades, revitalização de áreas turísticas, construção de ciclovias, novos equipamentos culturais, integração com meios de transporte, ampliação das ferramentas de promoção, mobilização de entes públicos e privados em torno do evento.
Ele lembrou que o Brasil recebeu mais de um milhão de turistas estrangeiros em ocasião da Copa do Mundo de 2014 e eles visitaram 491 municípios do país. Desses, 83% responderam que suas expectativas foram atendidas.
Para Tinoco, o que faltou no pós Copa foi uma estratégia de continuação da promoção do Brasil, isso em todas as cidades sede e nos 491 municípios que receberam turistas. “Falta uma estratégia de promoção internacional e não criamos uma nova identidade internacional para o Brasil. E ainda demos azar de termos essa crise que assola o país”, diz.
De acordo com a Salvador Destination, a falta de equipamento em Salvador vai fazer com que a cidade deixe de arrecadar R$1 bilhão até 2020, pois o destino perdeu o seu centro de convenções.
Para Gustavo Arrais, secretário adjunto de Turismo de Minas Gerais, representando o Fornatur – Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Turismo, falta uma política pública consistente para o Turismo. “O que a gente sempre fala na Fornatur é que, em 11 anos, o Brasil teve 13 ministros. Tem alguma empresa que, todo dia, muda de campanha, seu foco e consegue vender? Qualquer um que está aqui sabe o que é posicionamento de marca e o turismo é um produto”, afirma. “O Brasil não tem marca, não tem identidade. O grande legado de uma Copa, de um grande evento, é mostrar a marca do Brasil e não passamos essa mensagem, A imagem do Brasil continua sendo a de índios dando flechada no meio da rua. Então isso não vai dar certo nunca”, completa.
Para Arrais, o Turismo precisa se definir como cultura. “Como você quer transformar em um Brasil turístico se você nem tem um cadastro das atrações? Não tem levantamento e nem cadastro”, diz. “Entra ano e sai ano o Brasil continua com seis milhões de turistas estrangeiros, continuamos a falar sobre os cassinos, nada muda”, completa.
Luiz Del Vigna, diretor executivo da ABETA – Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo e Aventura, afirma que o Brasil tem sim uma imagem. “Eu acho que nós temos uma imagem internacional, mas não sabemos trabalhar com ela”, afirmou. “São Paulo tem cachoeiras grandes, oferece rafting, mas ninguém sabe. O Brasil não conhece o país”, afirma.
Vigna mencionou que é preciso olhar mais para o nosso interior. “O Brasil é um gigante desconhecido e se não mudarmos nosso posicionamento nós não vamos avançar”, afirma.
No final do debate, Érica Drummond criticou a política de vistos no Brasil para turistas estrangeiros. “País pobre não precisa de reciprocidade com país rico na questão de vistos”, diz.

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