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Tecnologia, comportamento e sustentabilidade devem redefinir o setor até 2030

Durante a Travel Conference 2026, que acontece nos dias 21 e 22 de novembro, em São Paulo, o futurista Peter Kronstrøm, fundador do Horizons Institute, ministrará a palestra “O Turismo em 2030”. Na ocasião, serão abordadas como as mudanças tecnológicas, os novos comportamentos dos viajantes e as particularidades de cada lugar podem influenciar os rumos do turismo até o fim da década.

Entre as forças que devem influenciar o setor até 2030, Kronstrøm destaca a inteligência artificial (IA), que já transforma etapas como pesquisa, planejamento e organização de viagens. Na avaliação do especialista, o desafio para as empresas é transformar essas ferramentas em melhorias concretas no atendimento, sem comprometer a qualidade das informações ou a relação com o cliente.

“Vejo aplicações úteis na pesquisa, na tradução, na organização de informações e nas dúvidas repetitivas. Mas a pergunta para uma agência é concreta: o tempo poupado melhora o atendimento ou apenas aumenta o volume que a mesma equipe precisa administrar?”, questiona.

Crescimento também exige atenção aos destinos

Adaptar a atividade às condições de cada lugar, considerando fatores como clima, infraestrutura, custos e qualidade de vida dos moradores também estará em pauta.  Um exemplo prático é o CopenPay, iniciativa de Copenhague que oferece recompensas a visitantes por determinadas atividades e escolhas ligadas ao cuidado com a cidade. O programa informou ter reunido 25 mil participantes em 2025.

Para Kronstrøm, iniciativas desse tipo ajudam a discutir como o comportamento dos turistas pode ser incentivado, embora a adesão, por si só, não comprove benefícios duradouros para os moradores. “Vejo oportunidades na natureza e nas muitas culturas brasileiras, com autoria de quem vive cada lugar. Mais visitantes não são automaticamente a melhor resposta para todo destino. Comunidades também precisam poder definir limites e recusar propostas”, afirma.
  

O futuro do turismo não cabe em um único perfil de viajante

Kronstrøm chama atenção também para a diversidade de expectativas de quem viaja. Enquanto algumas pessoas procuram descobertas, contato com a natureza e encontros capazes de mudar perspectivas, outras querem uma experiência confortável, segura e sem complicações. “Há espaço para descoberta, natureza e encontros que mudam perspectivas. Também há lugar para uma viagem fácil, segura e agradável, da qual a pessoa volta descansada, sem precisar se transformar”, diz.

Essa perspectiva também ajuda a distinguir problemas de serviço, como preços pouco claros, transporte inseguro e barreiras de acessibilidade, de situações que fazem parte da descoberta de um lugar novo, desde que sejam escolhas do viajante. Como resume o futurista, “nem toda conveniência empobrece a viagem; nem todo desconforto a torna profunda”.

Para ele, a mudança decisiva até 2030 está na maneira de avaliar os resultados do setor. “A mudança que considero decisiva é ampliar a maneira como avaliamos o sucesso do turismo: junto às chegadas e à receita, observar a qualidade do trabalho, o acesso e o que permanece para quem recebe”, afirma.

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