De acordo com a Pesquisa de Escassez de Talentos do ManpowerGroup, 79% dos hotéis, bares e restaurantes do país relatam dificuldades para preencher posições criadas para suprir a demanda que cresce impulsionada pelo turismo de inverno e a movimentação da Copa do Mundo.
A falta de mão de obra se concentra em funções operacionais essenciais, como auxiliares de cozinha, garçons, atendentes e equipes de apoio. Soma-se a isso a alta rotatividade e as jornadas intensas, que desafiam a manutenção do ritmo nos momentos de maior movimento. Nesse cenário, a retenção se confunde com o próprio desafio da contratação: não basta atrair, é preciso sustentar times em rotinas de forte demanda.
“Períodos de alta exigem planejamento antecipado para evitar sobrecarga e rotatividade. O setor depende de funções presenciais e de forte ritmo operacional, e isso pede estratégias consistentes de desenvolvimento e valorização, indo além da remuneração básica”, afirma Wilma Dal Col, diretora de Recursos Humanos no ManpowerGroup.
Previsibilidade e retenção como prioridades
- Antecipar contratações temporárias em cidades turísticas e polos de eventos reduz riscos em momentos de maior fluxo, evita improvisos e dá tempo para selecionar profissionais com o perfil certo, em vez de preencher vagas no aperto.
- Priorizar a retenção sustentada pela revisão de jornadas e benefícios e pela construção de trilhas de carreira mais atrativas. Na prática, isso passa por turnos mais previsíveis, benefícios que reconhecem o tempo de casa e programas de capacitação que mostram um caminho possível dentro da empresa a profissionais que, historicamente, veem a hospitalidade como passagem.
- Escalas flexíveis, incentivos ligados à permanência e maior atenção à experiência do colaborador completam o conjunto de medidas que vêm sendo adotadas pelas empresas do setor para sustentar a operação.
- Sistemas de gestão de escalas e automação de processos de bastidor, como reservas e estoques, reduzem tarefas repetitivas e liberam os profissionais para o atendimento direto. O ganho de eficiência, porém, é meio para preservar o que diferencia a hospitalidade, e não um fim em si.
“A eficiência operacional caminha junto com a experiência do cliente. A tecnologia ajuda a reduzir gargalos e a pressão sobre as equipes, mas o diferencial competitivo segue sendo a qualidade da interação humana e a capacidade de resolução de problemas. Empresas que investem em pessoas com a mesma seriedade com que investem em operação saem na frente, não apenas em alta temporada, mas no posicionamento de longo prazo do negócio”, conclui a executiva.

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